Olá pessoal, Sou professor no Instituto Federal Do Rio Grande do Sul e, a um ano atrás, tentando divulgar formatos abertos no IFRS, divulguei a mensagem a seguir.
Ela certamente pode ser aperfeiçoada para se adequar ao contexto de cada um de vocês. Se tiverem mais ideias neste sentido, compartilhem conosco! Segue a mensagem: ------------------------------------- From: Henrique Sant'Anna <[email protected]> Date: 2011/3/23 Subject: Por que PDF ? Colegas, Trabalhando na área de educação é natural que estejamos constantemente consumindo, digerindo, produzindo informação e conhecimento. A informática como ferramenta de comunicação e pesquisa não é apenas de grande auxílio, como também fundamental neste processo interminável de crescimento / evolução / aprendizado. A quase totalidade do mar de informação em que vivemos imersos está em *formato digital*. Neste caso, existem alguns cuidados que devemos tomar e regras que podemos seguir a fim de evitar *poluição virtual*. Ao produzirmos material (textos, apresentações, planilhas, etc) com os editores de nossa escolha, salvamos no formato correspondente de tal editor: doc, docx, odt, ppt, pps, pptx, ppsx, odp, xls, xlsx, ods, odf, etc... Cada programa, e versão deste programa, produz um tipo diferente de arquivo, incompatível (em diferentes graduações) com todos os outros programas existentes. Os fabricantes de programas <http://pt.wikipedia.org/wiki/Software_propriet%C3%A1rio>proprietários<http://pt.wikipedia.org/wiki/Software_propriet%C3%A1rio>se esforçam para que cada nova versão vendida por eles seja incompatível com a versão anterior, criada e vendida por eles próprios. Isto obriga a nós, usuários, a comprar a versão nova, por não conseguirmos mais abrir os arquivos que as pessoas tem nos enviado por e-mail. Não podemos esperar que nossos colegas de trabalho e alunos tenham a mesma versão instalada do programa. Eles podem ter uma versão mais antiga: cada versão nova de um programa proprietário não sai por menos de R$500, para ser usado em casa ou pequenos escritórios. A licença para empresas grandes e setor público chega a R$1.300 - por cada computador com office instalado! A fim de facilitar a compatibilidade devemos ter em mente uma política de distribuição de conteúdo digital, que varia entre dois formatos, de acordo com o nosso propósito ao publicar o arquivo: 1) Para os arquivos cujo o conteúdo *não precisa ser editado*, mas *apenas lido* por quem os recebe: *formato PDF*. ABNT NBR ISO 19005-1:2009<http://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=29182>. Esta parte da ABNT NBR ISO 19005 especifica como utilizar o Portable Document Format (PDF) 1.4 para a preservação de longo prazo de documentos eletrônicos. É aplicável a documentos contendo combinações de dados tipos de caracteres, imagens raster ou vetor. Os sistemas operacionais MacOS e GNU/Linux por padrão já permitem ler e salvar em PDF. No Windows, é fácil fazer a instalação do PDFCreator, programa livre <http://pt.wikipedia.org/wiki/Software_livre> e gratuito que permite salvar em PDF a partir de qualquer editor. O BROffice<http://www.broffice.org/>, também permite salvar em PDF, mesmo sem o PDFCreator instalado. A grande vantagem do PDF é que, além de ser um padrão ISO / ABNT, o arquivo PDF será aberto para leitura e impressão de forma idêntica em qualquer computador. Diferente do que aconteceria se o arquivo fosse enviado com formato DOC. 2) Para os arquivos que devam permitir* *a *edição do conteúdo* por quem os recebe: *formato ODF* <http://pt.wikipedia.org/wiki/OpenDocument>.* * ABNT NBR ISO/IEC 26300:2008<http://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=1549> . Esta é a especificação do formato Open Document format for Office Applications (OpenDocument), um formato de arquivo aberto, baseado em XML para aplicações de escritório, baseado no OpenOffice.org XML [OOo]. Os programas BROffice <http://www.broffice.org/>, OpenOffice<http://www.openoffice.org/>, LibreOffice <http://www.libreoffice.org/>, KOffice <http://www.koffice.org/>, IBM Lotus Symphony<http://symphony.lotus.com/software/lotus/symphony/home.nsf/home>já vem com suporte ao formato ISO/ABNT ODF, possuem versões para Linux, MacOS e Windows - com a vantagem de serem totalmente gratuitos, mesmo para uso comercial. Já o Microsoft Office<http://www2.buyoffice.microsoft.com/bra/product.aspx?family=o14_officepro&country_id=BR&WT.mc_id=ODC_ptBR_Pro_Buy>só oferece suporte ao ODF em sua versão 2010, ainda assim trata-se de um suporte parcial. Existem também outras importantes razões para utilizarmos os formatos ISO/ABNT em nossos arquivos digitais. *Como ser humano e pessoa solidária:* O preço de um programa proprietário de computador é muito mais caro que o elevado preço que pagamos em dinheiro. Ao comprarmos e instalarmos um programa proprietário <http://pt.wikipedia.org/wiki/Software_propriet%C3%A1rio>estamos também pagando com a nossa liberdade, somos obrigados a aceitar um contrato que diz não a nossa humanidade e solidariedade. Mesmo que tenhamos pago os mais de R$ 500 isto não é o suficiente, não podemos repassar tal programa nem mesmo aos nossos mais queridos, precisamos concordar em sedar nosso natural ímpeto de fazer o bem ao próximo. Somos proibidos, por contrato, de ajudar aos nossos colegas, nossos alunos, nossos amigos e até mesmo nossa própria família. Pior que isto, os fabricantes destes programas, em benefício próprio, difundem a ideia de que ajudar ao próximo é o mesmo que invadir navios, roubar, matar e violentar sexualmente aos seus tripulantes. Ou seja, que ser bom é ruim. Tal relação é absurda e inaceitável, até mesmo uma simples reflexão nos bastaria para constatar o engano que há nesta concepção. Neste contexto, uma forma de manter nossa humanidade e solidariedade é utilizando programas livres <http://pt.wikipedia.org/wiki/Software_livre>, nos negando a aceitar contratos absurdos que vão contra às virtudes mais nobres que fazem de nós verdadeiros seres humanos. Deste modo podemos repassar nossos programas a quem quisermos e sermos, por isto, considerados pessoas boas: benevolentes e solidárias. Felizmente sem o risco de sofrer da abominosa comparação com assassinos ladrões de navios. *Como cidadão brasileiro e servidor público:* Quando falamos de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia temos um fator essencial para que o Brasil deixe de atribuir seu crescimento (de mais de 7% em 2010) majoritariamente a exportação de matéria prima. Segundo o Índice Global de Inovação (INSEAD <http://www.globalinnovationindex.org/>) em 2009 o Brasil caiu 18 posições quanto a inovação, indo para a 69ª posição, atrás de Uruguay (53ª) e Africa do Sul (51ª). Ainda assim, a opinião oficial da Microsoft<http://tools.folha.com.br/print?url=http://www1.folha.uol.com.br/tec/798606-microsoft-critica-posicao-do-governo-brasileiro-sobre-o-software-livre.shtml&site=emcimadahora>é de que o governo brasileiro deveria parar de investir no desenvolvimento de tecnologia para apenas consumi-la, isto porque, segundo esta empresa, a inovação deveria estar apenas no setor privado. Felizmente o governo federal enxerga além, nos últimos 8 anos tem investido sistematicamente em software livre, seja no seu desenvolvimento ou no treinamento dos servidores públicos. Este dinheiro investido permanece no Brasil, gerando emprego e renda, em vez de ser remetido para o exterior pela compra de licenças proprietárias que não nos permitiriam redistribuir ou estudar os softwares. Do ponto de vista legal, o conceito de software livre foi estendido para o de Software Público Brasileiro <http://www.softwarepublico.gov.br/>. Em outras palavras, o software livre é um bem público, de propriedade de todos nós, cidadãos brasileiros: não precisamos adquiri-lo, pois já nos pertence. Dele podemos fazer uso comum, compartilhar, estudar e aperfeiçoar este software, sem proibições. A nova presidência também deixa clara a opção em favor do software público, através do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (Instrução Normativa publicada no DOU 19/01/2011 - Seção 1), onde nossa liberdade é garantida com o software livre / público: *liberdade nº 0:* a liberdade para executar o programa, para qualquer propósito; *liberdade nº 1:* a liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades, sendo o acesso ao código-fonte um pré-requisito para esta liberdade; *liberdade nº 2:* a liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao seu próximo; *liberdade nº 3:* a liberdade de aperfeiçoar o programa e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie, sendo o acesso ao código-fonte um pré-requisito para esta liberdade; Podemos ver daí que software livre é uma questão de liberdade, não de preço. Por esta razão, peço aos colegas do IFRS para que utilizem apenas arquivos * PDF* e *ODF <http://pt.wikipedia.org/wiki/OpenDocument>* (ODT, ODS, ODP, etc..) que tem suas especificações públicas e que, deste modo, podem ser abertos em qualquer computador. Mais sobre estas e outras recomendações do Governo Federal podem ser obtidas através do e-PING (Padrões de Interoperabilidade de Governo Eletrônico)<http://www.governoeletronico.gov.br/acoes-e-projetos/e-ping-padroes-de-interoperabilidade/versoes-do-documento-da-e-ping> . ------------------------------------- Saudações, *Henrique Sant'Anna* [email protected] Professor - Programação - Informática Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul Campus Avançado de Feliz - (51) 3637-2646 www.feliz.ifrs.edu.br Em 9 de agosto de 2012 11:33, Paulo Francisco Slomp <[email protected]>escreveu: > > Retransmito mensagem de uma lista de discussão. > > -------------------- > > Recebi um email do colégio de minhas filhas assim: > > Estimados Alunos(as) > > Este e-mail tem como objetivo orientar e lembrar do trabalho sobre os > municípios que deverá ser apresentado nos dias, 15, 16 e 17 de agosto no > auditório do colégio. > > Os formatos de mídias aceitas para apresentação, serão: > > IMAGENS: .jpg - .gif - .png > SOM: .mp3 - .mp4 - .wma - .wav > APRESENTAÇÃO: .ppt - .pptx - .pps - .ppsx > OUTROS: .doc - .docx - .xls - .xlsx > > Outros formatos não serão aceitos!!! > > Qualquer dúvida entrar em contato > > ------------------------------**-------- > > Minha resposta, que pode ser melhorada, mas pode servir de subsídio para > casos similares. > > > Caros/as ... > > A norma brasileira e internacional prevê como formato padrão o ODF, que > para apresentações teria terminação .ODP > > Este formato é o utilizado, entre outros programas, pelos softwares livres > OpenOffice, LibreOffice e BrOffice, que são livres e baixados gratuitamente > para qualquer sistema operacional. > > https://www.abntnet.com.br/**norma.aspx?ID=1549<https://www.abntnet.com.br/norma.aspx?ID=1549> > > O formato é oficial no Brasil, como pode ser visto também no portal do > Governo Federal. > > http://www.brasil.gov.br/**sobre/ciencia-e-tecnologia/** > software-livre/padroes-abertos<http://www.brasil.gov.br/sobre/ciencia-e-tecnologia/software-livre/padroes-abertos> > > "O governo brasileiro realiza ações para fortalecer o uso do padrão ODF. > Com a criação do Protocolo Brasília, empresas públicas e privadas e órgãos > da administração pública federal, estadual e municipal assumiram o > compromisso de usar o formato padrão na troca de documentos. A versão mais > recente do guia de interoperabilidade do Governo Federal (e-Ping), que > responde pelo esforço de manter a compatibilidade de arquivos entre > sistemas de governo, também define o ODF como padrão para todos os órgãos > da administração pública. > > Internacionalmente, o Brasil participa de um forte movimento de adoção do > formato ODF e protesta contra a aprovação pela ISO (entidade que congrega > os grêmios de padronização de 170 países) do OpenXML, um formato > proprietário criado pela Microsoft que obriga o usuário a utilizar suítes > de escritório específicas. Outros países como África do Sul, Venezuela, > Equador, Cuba e Paraguai também participam do movimento. " > > --------- > > Os formatos de apresentação solicitados pela escola são fechados e obrigam > a compra de softwares de determinados fabricantes. Ou, o que é pior, o uso > destes softwares de forma ilegal. > > Por esta razão peço que considerem a adoção da norma brasileira > integralmente ou ao menos em conjunto com os formatos citados. > > pai > > ______________________________**_________________ > Geral mailing list > [email protected] > http://listas.sleducacional.**org/listinfo.cgi/geral-**sleducacional.org<http://listas.sleducacional.org/listinfo.cgi/geral-sleducacional.org> >
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