Caro Jorge,

Agradeço os comentários e as opniões relativas ao contexto social e econômico do Brasil. Creio que, de um modo afirmativo para o Brasil, todos nós que temos conciência e um pouco de conhecimento trabalhamos para a melhoria das condições de vida da população. Muito bom ponto o de vista do contexto da agricultura irrigada no suprimento de alimentos e de trabalho no campo.

 Abraço!

Citando Jorge <[EMAIL PROTECTED]>:

Caro Marcussi,

Volto aqui porque é um prazer tratar dos temas hidraulica, irrigação,
energia etc.
Aproveito para concordar com o Fernando e convidá-lo a "botar mais água no
feijão".
Entendi seus objectivos mas quanto á pergunta que fica, "se os fornecedores
de motobombas e sistemas de irrigação fornecem dados confiáveis", apenas
posso lhe transmitir o que tenho de experiência nessa área industrial e
comercial: Todas as informações serão volúveis e pouco confiáveis na medida
em que essas entidades estão na "corda bamba " da economia, conforme lhe dei
a entender.
Eu próprio sou fornecedor de equipamentos e sistemas de bombeamento mas não
confio na perenidade de informações confiáveis uma vez que a rede de
componentes que formam preços finais, é muito diversa e oscilante.
Aliás, "botando mais água no feijão", a economia do setor que você está
cuidando, apresenta hoje sinais de preocupação.
As manipulações de preços de energia que existem para certas regiões, são
fatos destorcidos de uma ausência de planejamento total em termos de
Agricultura, o que atropela tudo que esteja relacionado com ela, energia,
fábricas de bombas, fabricas de tubos, revendedores, técnicos, agricultores,
Embrapa, enfim todos que se envolvem com a situação atual de excesso de
alimentos.
Embora existam pessoas no Brasil que passam fome, não o fazem por falta de
alimentos, mas por distorção na distribuição de renda e por desconhecimento
dos órgãos governamentais de como planejar um País.
A realidade que se impõe no Brasil é que ele tem de se adequar á excelência
de produtividade, o que significa que poucos e bons produtores competentes,
jogarão os muitos e incompetentes sobreviventes da agricultura para fora da
mesma.
Ou seja, 5% de 180.000 de Brasileiros, equivalentes a 9.000.000 deverão se
ocupar de uma agricultura planejada, produzindo tudo o que os 180.000.000
necessitam para sua alimentação.
Resultado a esperar: Cerca de 50.000.000 de agricultores a falir,
engrossarão as fileiras do MST.
Essa a tendência Mundial que se cumpriu nos EEUU, se alinha na CE e também
por aqui não escaparemos.
De quebra, e por ironia, todas as 'palavras de ordem', que por aí servem as
atuais politicas, cairão por terra como "Fome no Mundo", Falta de Água",
"Falta de Energia" Ou seja, produtos que seus donos querem aumentar o preço.
Vá em frente com seu Doutorado, porque há muito o que fazer nessa área, mas
concerteza , não para repetir os paradigmas atuais.
Os Governos sabem disso mas não têm coragem de o afirmar. Pior é não saberem
resolver o problema. Muito pior é não quererem resolvê-lo.

Atenciosamente,
Engº Jorge de Sousa
[EMAIL PROTECTED]
0xx3838212228


----- Original Message -----
From: "Fernando Campos Mendonça" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "IRRIGA-L: Grupo de Discussão em Agricultura Irrigada"
<[email protected]>
Sent: Saturday, December 02, 2006 12:48 PM
Subject: Re: [Irriga-l] Custo fixo de sistema de bombeamento


Caro Marcussi,

    Gostaria de acrescentar que é preciso dar atenção à tarifação de
energia, pois é um custo variável que interfere grandemente no custo
fixo. Por exemplo, o uso de tarifas horo-sazonais.

    Ao usar tarifas horo-sazonais muda o custo da energia gasta,
especialmente na irrigação noturna. O desconto é de 60% no Sudeste, 70%
no Centro-Oeste e 90% no Nordeste. Com descontos assim é vantajoso
irrigar apenas à noite, apesar do aumento de vazão, diâmetro da
tubulação e potência da bomba.

    Fiz algumas simulações simples em irrigação por aspersão e o
resultado é bastante positivo. Depois conversei com colegas que
trabalham com aspersão convencional, aspersão em malha e pivôs centrais.
Todos me disseram que muitos proprietários estão redimensionando
equipamentos para irrigar somente à noite. Em pivôs se irriga um
quadrante por noite.

    Acho que acabei pondo mais "água no feijão", mas não poderia deixar
de participar dessa discussão interessante.

    Um abraço e sucesso pra você.

Fernando Campos Mendonça
Embrapa Pecuária Sudeste
São Carlos - SP
(16) 3361-5611



[EMAIL PROTECTED] escreveu:
>
>  Caro Jorge,
>
>  Primeiramente agradeço a resposta. Foi muito elucidativa em diversos
> pontos, principalmente no que tange aos "estoques parados" de moto
> bombas, o que realmente faz crescer uma anomalia de preços no comércio.
>  Vou tentar resumir o que estou tentando fazer.
>  Estou montando um algoritmo de otimização matemática de diâmetros de
> tubulações, em irrigação localizada, tendo como principais parâmetros
> de análise de simulação a disponibilidade de água por dia e a
> quantidade de horas de funcionamento do conjunto moto bomba. Esses
> dois fatores determinarão a vazão do sistema e, consecutivamente todo
> o manejo e custos fixos de implementação. Análisarei, dentre a
> hidráulica de todo o sistema (com 6 eq. de perda de carga) os custos:
> fixo, operacional e d´água.
>  O que estou querendo fazer basicamente, no que tange ao fator custo
> fixo da moto bomba, dentro deste algoritmo, é "criar" uma função que
> me dê o custo da moto bomba, segundo a potência encontrada. Sendo que
> após toda otimização feita, pelo programa, dois resultados que obtenho
> são de vazão do sistema e altura manométrica total de bombeamento
> (considerando, dentre outros fatores, diferentes declividades do
> terreno que pretendo simular no projeto). Todas as variáveis e normas
> usuais de projeto estão sendo consideradas, conforme a literatura.
>  Entendo como teoricamente factível do ponto de vista acadêmico. A
> questão é saber se algum revendedor ou fabricante de moto bombas me
> disponibilizaria estes dados. Entrei em contato com dois fabricantes
> por e-mail, nesta última semana, mas até agora não obtive resposta.
>  Qualquer indicação, ou sugestão, sempre serão bem-vindas!
>
>  Muito grato!
>
> Citando Jorge <[EMAIL PROTECTED]>:
>
>> Caro Marcussi,
>>
>> Li sua comunicação, mas através dela não consigo lhe prestar as
>> informações
>> que pretende, de modo a entender que estarei fazendo com isso qualquer
>> trabalho útil, especialmente em termos académicos.
>> Isto porque as fontes de informação que você indica, comerciantes de
>> sistemas de bombeamento, não têm por norma, práticas muito coerentes em
>> termos de valores para cada sistema de bombeamento. O momento
>> económico do
>> Brasil também será coerente com a maior divagação em termos de valores
>> porque uns estão bem de situação económica e vão vender caro, outros
tem
>> contas vencidas e por conta de urgências, vendem barato.
>> Ambos os limites podem ser bastante afastados da realidade de valores
>> "normais" de venda de um sistema em comercio "honesto".
>> Você se arrisca a concluir falsamente, com premissas falsas.
>> Por outro lado, não indica outros elementos do sistema de
>> bombeamento, como
>> disnivel de sucção, distância da bomba á água, distância entre a
>> bomba e o
>> local de destino da água, bem como curvas, lombas, e outros acidentes
>> geográficos no trajecto da adutora.
>> Lembro ainda que o diâmetro escolhido tem de ter capacidade de vazão em
>> termos de economia e deverá ter também um perfil vertical do seu
>> caminhamento para avaliar a espessura da parede dessa tubulação por
>> forma a
>> garantir a resistência da mesma, tendo em conta a economia dos
>> custos. Os
>> custos energéticos, a potência do motor, a capacidade e rendimento da
>> bomba,
>> qualidade e marca dos equipamentos, durabilidade estimada, etc, são
>> outras
>> peças da composição do sistema.
>> Ou seja, se pretende encontrar respostas confiáveis, penso que deve
>> centrar
>> suas conclusões em dados menos volúveis que os dados comerciais, mas
>> sim, se
>> ater aos dados técnicos onde você encontra, tranquilamente, um espaço
>> indiscutível de seriedade.
>> Se tiver interesse em devassar esse lado técnico, no qual confio,
>> poderei
>> acompanhar qualquer debate sobre hidraulica e sistemas de
>> bombeamento, mas
>> creio que deve embasar melhor a situação de campo, nem que ela seja
>> apenas
>> uma situação imaginária. Servirá concerteza para um excelente exercício
>> técnico de hidraulica.
>> Depois de definir o equipamento , aí sim, pode fazer uma concorrência
>> comercial ou uma consulta muito mais credível.
>>
>> Atenciosamente,
>> Engº Jorge de Sousa
>> [EMAIL PROTECTED]
>> 0xx3838212228
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>> ----- Original Message -----
>> From: <[EMAIL PROTECTED]>
>> To: <[email protected]>
>> Sent: Friday, December 01, 2006 8:39 AM
>> Subject: [Irriga-l] Custo fixo de sistema de bombeamento
>>
>>
>>
>>   Caros colegas,
>>
>>   preciso fazer uma tabela, para posterior análise de regressão, de
>> custo de sistema de bombeamento, em função do produto da altura
>> manométrica e da vazão do mesmo. Pensei em vazões em torno de 20 m3/h
>> e altura manométrica entre 10 e 50 mca e, vazões em torno de 50 m3/h e
>> altura manométrica entre 50 e 100 mca. Os valores são aproximados.
>> Também preciso das informações da potência atreladas ao respectivo
>> custo.
>>
>>   Algum colega trabalha com revenda de conjunto motobomba? Ou poderiam
>> indicar alguém ou empresa que poderia me fornecer estes dados?
>>
>>   Grato pela atenção!
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>> --
>> Francisco Marcussi
>> (Doutorando em Engenharia Hidráulica e Saneamento)
>> Escola de Engenharia de São carlos - USP - SHS
>> Av. Trabalhador Sãocarlense, 400
>> CEP 13566-590 - Caixa Postal 359
>> São Carlos - SP - Brasil
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Francisco Marcussi
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