Água para meus netinhos. Netinhos chegaram; E agora!
*José Luciano Sales
**Felipe Muniz Gadelha Sales
http://diariodopovo-pi.com.br/Jornal/
Os negócios para terem eficácia precisam de água e o agronegócio da fruticultura que depende da irrigação e que tem papel relevante no suporte de serviços, este requer um grande aporte, e para ter esta em disponibilidade faz-se necessário ter uma fábrica de água e cuidá-la. E o que vem a ser cuidar dela; É criar condições favoráveis para que o ciclo vital da água se realize de forma mais intensa. Para isso é preciso recuperar e preservar áreas de nascentes e proteger os cursos d’água com a ampliação da cobertura florestal em suas margens o máximo possível, evitar erosão ou controlá-las e enxergar que a não preservação é um dano ao patrimônio humano.
Os órgãos especializados na gestão de água e mananciais no Brasil, como a Agência Nacional de Águas – ANA, as Universidades e outros Gestores, vêm alertando, há alguns anos, ”Água e Meio Ambiente / III Programa de Suporte Técnicoà Gestão de Recursos Hídricos” – 1998, que a gestão de água no Brasil é casual, não é integrada e não tem uma relação direta com a questão fundamental da produção da água. No entanto, o cuidado com rios e mananciais é fundamental para que as empresas de captação e tratamento possam ter disponível água de boa qualidade.
O tema produção de água esteve presente na “discussão” do Código Florestal, aprovado em 2012, quando a redução das áreas de proteção às margens de cursos d’água foi colocada como fator fundamental para o aumento de produtividade nas propriedades rurais.
Outra questão importante é entender que parte da “função social” da terra é preservar os serviços ambientais por ela prestados. Assim, os proprietários e produtores rurais devem fazer parte de uma grande rede de produtores de água, capacitados, com tecnologia, assistência técnica e os recursos necessários para a identificação de nascentes e cursos d’água eventualmente secos pela derrubada da mata e implantação de plantios ou pastagens, e a realização das ações necessárias para a recuperação e preservação dessas fontes de água. Quem poderia e pode fazer esse papel são os Extensionistas, Técnicos que estão presentes em todos os municípios dos Estados e que estão perto dos produtores rurais, os quais devem ser apoiados em ações que ajudem a proteger os mananciais em sua propriedade ou adjacentes da contaminação por qualquer tipo de produto químico utilizado nas lavouras ou com os animais. Esses produtos quando levados aos rios são contaminantes de alto impacto para a biodiversidade e torna o tratamento da água muito caro.Precisa ser feito um trabalho nas Escolas envolvendo alunos, professores, Diretores, Coordenadores Pedagógicos com apoio das Secretarias de Educação, trabalhando a sensibilidade da preservação ambiental. Encimado em Capacitação promovida a nível Estadual.
A segurança hídrica precisa ser vista com mais amplitude política (não só agora/ano político), uma política que abranja todos os setores em que esse líquido se locomova; desde as nascentes dos rios, os sistemas de recalque, coletas, tratamento, transformação, distribuição e despoluição. Até pouco só se falava em segurança alimentar, mas esta depende da segurança hídrica, como bem diziaThomas Malthus “o mundo vai passar fome porque a produção de alimentos é mais lenta que o crescimento da população”. Sem água não há produção de alimentos.
Não se pode esquecer que temos muitas perdas d’água, não só na agriculturamasem todo o sistema de abastecimento para humanos. Precisa investir em novas estações de tratamento, precisa de novos sistemas de distribuição, em novas Adutoras, que perdem um significativo volume d’água que ao aparecerem vazamentos passam horas e às vezes dias para serem consertados, e quando essa águaé para consumo humano, que já é tratada.
Nesse início do mês de agosto de 2014, Encerrou-se o prazo para ter acabado com os lixões e cadê os aterros sanitários? Esses lixões que são colocados em locais onde os chorumes desembocam em mananciais, se transformando em agentes poluidores. A preocupação em fabricar água é a construção de sistemas de coleta de esgoto, estações de tratamento, proteçãodos mananciais e uma sensibilização de toda a sociedadepara uma visão que inclua a recuperação ambiental dos rios e mananciais onde a preservação e a gestão devem caminhar de mãos dadas.
A nossa gestão da água é feita por bacias hidrográficas em um sistema de gerenciamento de recursos hídricos, e em muitos casos apoiados por comitês de bacias. O Estado do Piauí apresenta uma divisão hidrográfica em doze bacias ou regiões hidrográficas, cuja região hidrográfica é a mais extensa, dentre as vinte e cinco bacias da Vertente Nordeste, a qual apresenta grandes diferenças inter-regionais tanto em termos de desenvolvimento econômico e social quanto em relação à disponibilidade hídrica. Tem, também, uma das bacias mais importante do Nordeste, que é a Região Hidrográfica do Parnaíba que é hidrologicamente a segunda mais importante da Região Nordeste, ficando atrás apenas da bacia do rio São Francisco.Os principais afluentes do Parnaíba são os rios: Balsas, situado no Maranhão; Poti e Portinho, cujas nascentes localizam-se no Ceará; e Canindé, Piauí, Uruçuí-Preto, Gurguéia e Longa, no Piauí, mas, uma bacia hidrográfica é um sistema integrado e deve ser gerida por inteiro, independentemente de quantos Estados a compartilhem.
*Engenheiro Agrônomo, M.Sc. Irrigação e Drenagem.
**Engenheiro Agrônomo, M.Sc. Irrigação e Drenagem,
cursandoTecnologia em Gestão Ambiental.
Apresentando trabalhos no evento “CongressoTécnico - CONTECC/Sociedade Oficial da Engenharia e da Agronomia – SOEA, Teresina –Pi, 12 a 15 de agosto 2014.
De: [email protected]
Enviada: Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2015 19:44
Para: [email protected]
Assunto: [Irriga-l] Crise hídrica
Boa tarde a todos!
Nosso Presidente da ABID, o querido Helvecio me pediu o relato e algumas informações e ainda documentos sobre esta crise hidrica que se abate sobre São Paulo. Não consegui atente-lo no tempo e prazo que ele merece, o faço agora, mas pensei oportuno compartilhar também com vocês algumas informações e pontos de vista.
Este tema insegurança hídrica preocupa a toda população e está em jogo os diferentes seguimentos da sociedade e temos trabalhado bastante em uma agenda propositiva em contraponto a encontrar um "bode expiatório" para a crise, que tem muito mais razão de ser pela instabilidade climática (periodo chuvoso atípico) e a falta de planejamento ou visão de administradores públicos nas esferas municipal, estadual e federal.
Não gosto de divulgar assuntos ou manifestações que considero inadequadas ou mal intencionadas, mas o faço agora porque penso que se agricultura e especialmente os que labutam direta ou indiretamente na agricultura irrigada ficarem assistindo sentados, é o nosso setor que perderá e muito.
Por exemplo, entendo como absurdo - para ser elegante - o artigo "Nova praga" vindo de um engenheiro civil experiente (60 anos), assessor da presidência do Nuclep - Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A., empresa estatal responsável pela produção de equipamentos de grande porte e que foi subsecretário de Energia do Rio (1999-2000). Leiam e tirem suas conclusões.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/200473-nova-praga.shtml
Outras besteiras são encontradas todos os dias na imprensa.
Mas a Folha de São Paulo deu a oportunidade de colocarmos o nosso ponto de vista na matéria "Conflito das águas".
http://www1.folha.uol.com.br/colunas/vaivem/2015/01/1581954-conflito-das-aguas.shtml
A parte mais controversa é aquele que destaca que "Responsável por 72% do consumo de água, agricultura pode reduzir uso em 20% com boas práticas de irrigação". Pois bem, este número é oficial da ANA e vem da página 89 da Conjuntura dos Recursos Hídricos. Acesso em
http://arquivos.ana.gov.br/institucional/spr/conjuntura/PDFs%20agregados/ANA_Conjuntura_Recursos_Hidricos_Brasil_capitulos_.pdf
Felizmente encontramos jornalistas sensatos, como este artigo "Na crise hídrica, meia verdade bastou para a torneira seguir jorrando" de Matheus Pichonelli.
https://br.noticias.yahoo.com/blogs/matheus-pichonelli/na-crise-hidrica-meia-verdade-bastou-para-manter-160105504.html
Nesta agenda, na condição de professor da UNESP Ilha Solteira, Diretor da ABID - Associação Brasileira de Irrigação e Drenagem e membro do Conselho do GIFC - Grupo de Irrigação e Fertirrigação em Cana temos trabalhado em conjunto com o Presidente da ABID Helvecio Mattana Saturnino e os Diretores do GIFC Patrick Francino Campos e Marco Viana, entre outros profissionais.
Penso que em relação ao uso da água devemos incorporar todos os usos consumtivos as estatistiscas, como por exemplo a geração de energia eletrica, ou retirar a a irrigação do calculo conjunto aos usos no saneamento, na industria, na desedentação animal, etc.
Para se ter uma ideia do que acontece por aqui, consumindo ou usando - como queiram - 3560 m3/s, somente a Usina Hidreletrica de Ilha Solteira tem a equivalencia em um unico dia do que usa em irrigacao em mais de 6,0 milhoes de hectares num dia com uma lamina bruta de 5,0mm. O irrigante que está montante da usina está gastando grana para ir buscar a agua (NPSH disponível, lembram????) e o irrigante a juzante da usina, nada, literalmente de braçada.
Há ineficiencias no uso da agua na agricultura, mas repudio veementemente a ideia de que os irrigantes são os vilões da crise. Há muito o que fazer em todos os seguimentos econômicos.
Para fomentar a discussão e o convencimento, temos nos manifestado semanalmente através do Pod Irrigar - o Pod Cast da Agricultura Irrigada (http://podcast.unesp.br/podirrigar) às quintas-feiras e no Blog da Área de Hidráulica e Irrigação da UNESP Ilha Solteira (http://irrigacao.blogspot.com.br) aos domingos.
Pod Casts - http://podcast.unesp.br/podirrigar
[PodIrrigar] Engenheiro agrônomo da Unesp sinaliza os melhores sistemas e condições para aquisição dos projetos de irrigação
http://podcast.unesp.br/podirrigar-05022015-podirrigar-engenheiro-agronomo-da-unesp-sinaliza-os-melhores-sistemas-e-condicoes-para-aquisicao-dos-projetos-de-irrigacao
[PodAcqua] Irrigação mais eficiente pode dar alívio à crise
http://podcast.unesp.br/podacqua-06012015-podacqua-irrigacao-mais-eficiente-pode-dar-alivio-a-crise
[PodIrrigar] Especialista da Unesp orienta sobre o consumo e uso de água em tempos de crise hídrica
http://podcast.unesp.br/podirrigar-30012015-podirrigar-especialista-da-unesp-orienta-sobre-o-consumo-e-uso-de-agua-em-tempos-de-crise-hidrica
PodIrrigar] Crise por água e energia será resolvida no campo e agricultores possuem papel relevante no cenário
http://podcast.unesp.br/podirrigar-23012015-podirrigar-crise-por-agua-e-energia-sera-resolvida-no-campo-e-agricultores-possuem-papel-relevante-no-cenario
A cana que passa por uma crise em que a produtividade média decrescente é parte desta situação também tem sido alvo de criticas e o assédio da imprensa é grande. Aqui, duas perguntas e opiniões que compartilhamos com os colegas do IRRIGA-L.
"A cana irrigada é uma alternativa neste 2015 no qual o déficit hídrico deve continuar acentuado em várias regiões do Estado de São Paulo?" Patrick assegura que "a cana irrigada sempre será a alternativa para garantir a produtividade dos canaviais e evitar o efeito sanfona que acontece nos canaviais e em outros ramos do agronegócio, como o boi."
A queda da produtividade média da cana depende da quantidade de água que a cana recebe. Por dois anos seguidos a instabilidade e volume com que as chuvas chegaram trouxeram problemas reais para o equilibrio financeiro das usinas. Sem produtividade elevada não há como manter o setor e a irrigação não deve ser vista apenas como a alavancagem da produtividade. Devemos olhar também para o custo de não se irrigar. Assim, acredito que São Paulo deve aproveitar a experiencia de exito obtida em outros Estados com o uso da irrigação e parar de acreditar que as chuvas virão como gostaríamos que ela viesse.
Ainda, o aumento da produtividade é fundamental para que com o aumento da biomassa produzida leve ao aumento da oferta da energia em sistema de co-geração, fundamental para a segurança energética do Brasil.
"É viável produzir cana com irrigação diante a escassez de água?"
A aceitação por parte dos controladores das usinas de quem devem priorizar seus investimentos em irrigação é o primeiro passo. Mas, mesmo quando isso acontece, não se consegue irrigar no curto prazo grandes extensões de terra dado ao volume de investimentos necessários e a divisão de prioridades. Portanto, um Plano Diretor de Irrigação deve indicar as melhores áreas a serem irrigadas levando em consideração variedades e ambientes de produção e ainda disponibilidade e qualidade da água. Marco Viana observa que "para se produzir cana irrigada devemos pensar a longo prazo, desta forma podemos fazer acumulação de água através de barramentos, por exemplo." E Helvecio Saturnino lembra da experiencia exitosa em Goiás "que para a implantação e sustentação da agricultura irrigada através de pivôs centrais, investimentos consistentes foram feitos em barragens de terra, exaustivamente discutida pela ABID e divulgada na revista ITEM - Irrigação e Tecnologia Moderna". Portanto, deve-se ter um bom planejamento para se garantir a segurança hídrica dos canaviais.
O raciocinio contido na resposta acima vale para as demais culturas.
Aproveitamos para atender o pedido do amigo Caio Vinicius Leite para a divulgação no grupo Irriga-L do video "Nota de Repúdio" no YouTube - http://youtu.be/RIyPX-dayDE
Recebam todos aquele abraço e tenham um otimo FDS, se possivel, muito chuvoso!
Fernando Tangerino
-- Fernando Braz Tangerino Hernandez Área de Hidráulica e Irrigação (Hydraulics and Irrigation Division) DEFERS - Departamento de Fitossanidade, Engenharia Rural e Solos Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira UNESP - Universidade Estadual Paulista (São Paulo State University) Caixa Postal 34 (P.O. Box 34) 15.385-000 - ILHA SOLTEIRA - SP - BRASIL Phone: (0##18) 3743-1939 / 3743-1959 Bolsista de Produtividade em Pesquisa 2 www.agr.feis.unesp.br/irrigacao.php (Institucional) Blog: http://irrigacao.blogspot.com http://www.feis.unesp.br/#!/departamentos/fitossanidade-engenharia-rural-e-solos/docentes/ft/ (sítio pessoal) Academia.Edu: http://unesp.academia.edu/FernandoTangerino FAPESP - BV-CDI: http://www.bv.fapesp.br/pt/pesquisador/4461/fernando-braz-tangerino-hernandez/ Lattes: http://lattes.cnpq.br/7276242706611764 Research ID: http://www.researcherid.com/rid/G-1782-2012 Google Acadêmico: http://scholar.google.com.br/citations?hl=pt-BR&user=d73nywoAAAAJ ResearchGate: https://www.researchgate.net/profile/Fernando_Hernandez12 Linkedin: http://www.linkedin.com/pub/fernando-braz-tangerino-hernandez/a/a55/4b5 Skype - fernando_tangerino Google Talk - [email protected] Facebook: https://www.facebook.com/fernandobth YouTube: www.youtube.com/fernando092 Fan Page Facebook: https://www.facebook.com/ahiunespilhasolteira Canal CLIMA: http://clima.feis.unesp.br YouTube: www.youtube.com/fernando092 Pod Irrigar, o Pod Cast da agricultura irrigada: http://podcast.unesp.br/podirrigar Irriga-L: www.agr.feis.unesp.br/irriga-l.php
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