On Friday, May 16 2014, Rafael Raposo wrote: > Olá pessoal, > > Primeiramente gostaria de me apresentar. Sou do Rio de Janeiro, e > assisti ao debate do FISL sobre a morte do movimento do software livre > pela internet, ao qual fiquei sabendo desta lista. Como não vejo nada > parecido do RJ, tomei a liberdade de me cadastrar (espero que isso não > seja um impeditivo ).
E aí, Rafael? Beleza? Obrigado por ter entrado na lista :-). Sem dúvida o grupo está aberto pra qualquer pessoa, de qualquer região do mundo! O único impeditivo, no seu caso, vai ser não poder participar das nossas reuniões nos bares de Campinas :-). Mas um dos nossos objetivos é o de ajudar e incentivar as pessoas a criarem LibrePlanets em suas regiões, como foi o caso dos nossos amigos do ES. Então quem sabe você não anima e funda o LibrePlanet RJ? :-P > Quanto a Mozilla, lembro de quando surgiu o projeto do Firefox. Eu > comecei a usá-lo desde a primeira versão alpha, quando o nome inicial > do projeto era Phoenix. Os princípios que norteavam a criação era > manter os padrões Web a todo custo. Lembro que nas primeiras versões > do Firefox, o mercado estava totalmente viciado no Internet Explorer e > suas distorções dos padrões. Várias páginas não abriam no Firefox, e > nem por isso a Mozilla deu o braço a torcer, pois quem estava errado > era quem não seguia os padrões, e não quem fazia o contrário. O IE foi > perdendo espaço e aos poucos as discussões sobre seguir os padrões > aumentaram, questões como acessibilidade, interoperabilidade passaram > a ser discutidas com mais afinco e os padrões foram sendo > seguidos. Vitória da Mozilla de todos os usuários. Hmm... Interessante essa sua colocação. Talvez sem querer, você acabou descrevendo o nascimento da Mozilla (e do Open Source; é só procurar que você vai ver que a OSI foi fundada por conta da antiga Netscape), e também o alinhamento dessa empresa/fundação (até hoje não sei direito) com o Open Source. No caso descrito por você, os usuários efetivamente acabaram ganhando, mas será que esse era o objetivo principal da Mozilla, ou apenas um efeito colateral? Acho interessante fazer esse questionamento. Mais disso abaixo... > Porém ultimamente a Mozilla vem tomando várias medidas que vão colidir > com sua história. Basta ver que o Firefox OS (pelo qual eu uso), > adicionou o suporte ao Facebook e Google para importação de contatos, > mas não adicionou, inicialmente, suporte ao padrão aberto WebDAV. Essa > discussão pode ser acompanhada aqui : > https://bugzilla.mozilla.org/show_bug.cgi?id=859306 Esse e outros "tiros no pé" só demonstram qual o real alinhamento da Mozilla nessa história toda. > A diferença do Firefox em relação a outros navegadores, é justamente a > sua missão por trás do navegador. Abrir mão dela em relação ao > mercado, não diferencia do Firefox de outros, apenas o faz tornar mais > um produto na prateleira e logo perdendo seu sentido inicial. Além do > mais o Firefox nem é uma empresa, como lembrou bem a FSF. Fiquei pensando aqui: e qual a missão por trás do navegador? Porque se for defender os padrões da web (não necessariamente abertos), então eles estão indo de encontro com isso, e sendo coerentes, certo? Sou um leigo nesse assunto de web, mas AFAIK o EME é padrão, ou vai ser em um futuro próximo. Ou seja, travestido de "preocupação com os usuários" a Mozilla na verdade está fazendo o que sempre fez: preocupando-se com marketshare. Mas eu acho isso extremamente previsível numa empresa que tem, desde sua fundação, alicerces fortes no Open Source (e pouco comprometimento com o Software Livre). > Espero que o GNUzilla volte a tona, pois seu desenvolvimento anda meio > parado. Mas tenho certeza que também surgirão outros "forks". Sim, é o que esperamos... Mas eu sinceramente acho que tem um lado bom nessa história toda: estamos vendo a verdadeira face de alguns jogadores. E um outro ponto, que pode ser positivo ou não, é que agora ficou escancarada nossa necessidade por um browser que seja *de fato* livre. > Quanto ao Firefox não ser livre por causa da "marca", isso não tem > nada a ver. O que diz ser livre é o código, não a toa existem vários > forks do Firefox (GNUzilla, IceWeasel, Abrowser, etc). O que a Mozilla > e outros fazem (até o Linux tem registro de marca) é evitar que alguém > mal intencionado altere o código e use o mesmo nome para sujar a > marca. Eu poderia alterar o código do Firefox e disponibilizá-lo como > Firefox, isso seria muito inseguro e perigoso, é por isso que há > registro de marcas no mundo do SL. Se você não vai entrar no projeto e > vai fazer um fork, faça-o usando outro nome. É apenas isso. Essa discussão já passou por aqui outras vezes. Aliás, o Panaggio faz parte da comunidade da Mozilla, então ele sabe sobre essas limitações da marca. IIRC, a primeira vez que discutimos isso foi por conta de um artigo do Jason Self, aqui: <http://jxself.org/mozilla_trademark.shtml> O problema, como você pode ver, não é só a política de Trademark (que, por si só, já vai um pouco além dos limites). O problema *também* é a exigência de que o "produto final" seja distribuído de graça. Você, como membro da FSF, deve saber sobre a eterna discussão do "free as in freedom vs. free as in free beer". O Software Livre não tem nada a ver com preço, mas como eu disse acima, o comprometimento da Mozilla com o Software Livre deixa a desejar. Eu também não gosto muito dessa política de Trademark, porque acho ela meio estranha. Sei que o Linux é marca registrada do Linus Torvalds, mas a maioria das distribuições GNU/Linux fazem alterações no Linux e não precisam alterar o nome dele pra poderem redistribuí-lo. Enfim, é um terreno meio nebuloso, mas infelizmente esse não é o maior problema que temos em mãos hoje. Falou! -- Sergio
