Tá, eu sou meio estúpida, tipo Maria Conceição Tavares. Mas se a portuguesa
pode, porque eu não posso?

...me incomoda colocar tudo no plano do "eu sou, tu és, eles são",
desmerecer o argumento da pessoa desconstituindo a sua imagem. Não se trata
de quem cada um é. Se trata do que estão fazendo. O real existe e muito
contundente. A mídia não substitue o real embora o emporcalhe de
acontecimentos bizarros e barrocos... tem uma cultura do "simples" que vai
na onda e não pensa nada, se alimentam e sempre alimentaram a inveja como
sentimento positivo. A inveja não faz revolução nenhuma. Só quem tem prá dar
faz revolução

Tá certo. Não concordamos. Discordamos tanto que até chego a pensar que
somos uma lista de discussão(as únicas) em que pessoas estão realmente
conversando.

Mas tem uma divergência que já aparece clara: este negócio de mundo binário
eu acho uma verdadeira piada. Pra mim, só serve pro Bill Gates e sua turma
deitar e rolar. Não que eu use o computador... se ele é só uma réles
maquineta. Mas pensar, prá mim, de forma binária é querer obedecer ordens,
pra dizer o menos.

O mundo moderno, o atual, construiu novas categorias, de tempo, espaço e
movimento, através da ciência moderna. A reflexão teórica da saída da
modernidade, na física, na química e na biologia, está saindo dessa rede de
percepções modernas sobre essas grandes categorias daquilo que é (acho que
se diz o ontológico). Está saindo para o bem e para o mal, diga-se de
passagem; a bomba atômica e a guerra química e biológica, bem como a guerra
semiológica são frutos dessa saída dos referenciais construídos pelo
positivismo e, também, pelo materialismo histórico.

A saída acontece por um processo que já foi caracterizado com
"contra-intuição", isto é, aquilo que a modernidade se acostumou a chamar de
"intuitivo" significava "natural", "espontâneo" e "imediato". Foi uma grande
mentira, e é uma mentira poderosa e fundadora do capitalismo. A intuição é
produzida por crenças e já desde o velho Freud estuda-se isso. No entanto,
desejo que surja um novo anarquismo mergulhado num olhar investigador que
quer ver a relação entre os indivíduos, os grupos e os estados. Sobretudo o
Estado de Direito, que entenda a importância do papel do Estado como espaço
de disputa e de possível proteção parcial dos subalternos. É no campo da
contra-intuição que pode-se descobrir um novo olhar... uma inteligência
coletiva?


Em 12/08/07, mbraz <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> entonces, eu me lembro de ter lido alguns livros do Levy, ter ido em
> conferencias e tals. na ultima que estive, ele expos essa tal de
> lingua ou linguagem que ele diz ter criado (!?). acreditem, e' piracao
> total! o cara surtou, e foi quando meus temores quanto ao seu otimismo
> visionario se confirmaram.
>
> mas tambem nao podemos negar que nao foi so' eu que cai' nesse
> engodo... muita gente foi nesse embalo, ate' porque naquele momento
> havia mais perguntas do que criticas e avaliacoes profundas sobre
> alguns temas.
>
> o que nao confio mais sao as premissas de onde ele parte, tais como:
>
> - pensar o mundo a partir da internet e nao o inverso
> - nao pensar nos processos globalizantes e sua complexidade, como fez
> com competencia Milton Santos, lentamente, mas profundamente. Sendo
> rigoroso com suas fontes de pesquisa e seu proprio pensar, tendo uma
> visao mais ampla sobre a mundializacao em curso. Ou como ele gostava
> de escrever, do globalitarismo
> - acreditar piamente, como salientou sstalker, em processos e tempos
> lineares
> - nao se perguntar se ha', realmente, inteligencias individuais
> - crer em chupa-cabras
>
> Leiamos Milton Santos:
> ...
> '' Durante seculos, acreditaramos que os homens mais velozes detinham
> a inteligencia do Mundo. A literatura que glorifica a potencia incluiu
> a velocidade como essa forca magica que permitiu aa Europa civilizar
> primeiro e empurrar, depois, a "sua" civilizacao para o resto do
> mundo. Agora, estamos descobrindo que, nas cidades, o tempo que
> comanda, ou vai comandar, e' o tempo dos homens lentos.  Na grande
> cidade, hoje, o que se da' e' tudo ao contrario. A forca e' dos
> "lentos" e nao dos que detem a velocidade elogiada por um Virilio em
> delirio, na esteira de um Valery sonhador. Quem, na cidade, tem
> mobilidade - e pode percorre-la e esquadrinha'-la - acaba por ver
> pouco, da cidade e do mundo. Sua comunhao com as imagens,
> frequentemente prefabricadas, e' a sua perdicao. Seu conforto, que nao
> desejam perder, vem, exatamente, do convivio com essas imagens. Os
> homens  "lentos", para quem tais imagens sao miragens, nao podem, por
> muito tempo, estar em fase com esse imaginario perverso e ir
> descobrindo as fabulacoes.
>
> E' assim que eles escapam ao totalitarismo da racionalidade, aventura
> vedada aos ricos e aas classes medias. Desse modo, acusados por uma
> literatura sociologica repetitiva, de orientacao ao presente e de
> incapacidade instrospectiva, sao os pobres que, na cidade, mais
> fixamente olham para o futuro.
>
> Na cidade "luminosa", moderna, hoje, a "naturalidade" do objeto
> tecnico cria uma mecanica rotineira, um sistema de gestos sem
> surpresa. Essa historicizacao da metafisica crava no organismo urbano
> areas constituidas ao sabor da modernidade e que se justapoem,
> superpoem e contrapoem ao uso da cidade onde vivem os pobres, nas
> zonas urbanas 'opacas'. Estes sao os espacos aproximativos e da
> criatividade, opostos aas zonas luminosas, espacos da exatidao. Os
> espacos inorganicos e' que sao abertos, e os espacos regulares sao
> fechados, racionalizados e racionalizadores.
>
> Por serem "diferentes", os pobres abrem um debate novo, inedito, aas
> vezes silencioso, aas vezes ruidoso, com as populacoes e as coisas ja'
> presentes. E' assim que eles reavaliam a tecnoesfera e a psicoesfera,
> encontrando novos usos e finalidades para objetos e tecnicas e tambem
> novas articulacoes praticas e novas normas, na vida social e afetiva.
> Diante das redes tecnicas e informacionais, pobres e imigrantes sao
> passivos, como todas as demais pessoas. E' na esfera comunicacional
> que eles, diferentemente das classes ditas superiores, sao fortemente
> ativos. ''
> ...
>
> ------------------------------------
>
> GAMBIARRA NA VEIA !!!!!!
>
> abczos
> mbraz
>
>
> --
> ൬βռăʒ
>



-- 
Qualidade fundamental da unidade viva: dividir-se, reunir-se, desdobrar-se
no universal, persistir no particular, transformar-se, especificar-se e
(como a vida gosta de manifestar-se em mil condições) aparecer e
desaparecer, solidificar-se e fundir-se, coagular e correr, dilatar-se e
contrair-se. ora todos esses efeitos produzindo-se juntos no mesmo instante,
toda coisa e cada uma podem chegar ao mesmo tempo; formação e deperecimento,
criação e destruição, nascimento e morte, prazer e pena, tudo age no mesmo
espírito e na mesma medida: assim o que acontece de mais particular
apresenta-se sempre como imagem e o símbolo do universal." -goethe -

"Se você não concordar,
não posso me desculpar..."
_______________________________________________
Lista de discussão da MetaReciclagem
Envie mensagens para [email protected]
http://lista.metareciclagem.org

Responder a