Alexandre, você está correto... É preciso separar o joio do trigo...
On 3/18/08, Eugenio Raggi <[EMAIL PROTECTED]> wrote: > > Alexandre, > > O que você convenientemente chama de "crise de valores" chega a ser > risível. Ser reverente, delicado, receptivo, ter gratidão, livrar-se > de preconceitos, desnudar a alma, reconhecer erros do passado, abrir > mão da estupida obtusidade heteroxa juvenil, enxergar alternativas > diferentes pra cultura, enfim, trilhar novas perspectivas > transmutou-se um desvio ético. > > Quanto a Caetano e Gil...Putz...Falta-lhe mesmo conhecimento, preparo > para lidar com o assunto. A Tropicália era por si só, a mais > concessiva, condescendente e tolerante de todas as atmosferas musicais > já produzidas neste país. Muito antes do exílio, Caetano, Gil e Gal já > apostavam na singeleza, na primitividade, na pieguice bela e ubíqua de > nossa alma cultural. "Coração Materno", de Vicente Celestino, peça > obrigatória para que se conheça o que é sentimentalismo, > catastrofismo, bizarrice, cafonice mesmo, no "strictu sensu", não faz > parte do repertório de "Tropicália ou panis et circensis" por acaso. A > Tropicália foi a primeira a enxergar os valores enraizados de nossa > importantíssima e bela simploriedade, brejeirice e cafonice. O Brasil > é um país cafona, extravagante, grotesco, brega, sentimentalóide. E a > Tropicália viu isso, com muito carinho. > > E para que não fiquem dúvidas sobre o que eu quero dizer, acho tudo > isso a grande fortuna de nossa herança cultural. É exatamente a nossa > opção pelo simplório, pelo sentimental, pelo barango, pela pieguice é > que produz a mais rica das culturas deste planeta. > > Você citou aí Waldick Soriano. Fico pensando o que alguém feito você > sabe a respeito dele. Poucos artistas nesse país são tão vastos, tão > formidavelmente complexos feito ele. É a cara da nossa gente. > Discriminado, criativo, desprezado, sagaz, excluído, bruto e sensível > num mesmo instante, marginalizado, amado, odiado, capaz do mais > estúpido dos arroubos à mais notável das sapiências. Complexo, quase > incompreensível. Principalmente pra quem vive de conceitos prontos, > feito você. > > Paulinho da Viola, por ser tolerante, consciente, contemporâneo, por > não entrar na onda estúpida do achincalhe, transformou-se, nesse seu > sofisma sórdido, em um porta-voz dessa "crise de valores" que você > criou. Se entendi bem você é um donatário incorruptível da ética, mais > consistente moralmente do que Renato Teixeira, Jorge Aragão ou > Paulinho da Viola, proprietário do inquestionável bom gosto, da mais > sublime sofisticação de paladar cultural. > > "Mas, e o povo? Ora, o povo. O povo é mera massa de manobra, que cai > nas mãos gananciosas da (sempre ela!) Indústria Cultural." Êita > argumentinho surrado, sofisminha de merda, repetido aos quatro cantos. > > Quem sabe a bizarrice, o catastrofismo, a pieguice, a tragicomédia > grotesca de Vicente Celestino, já endeusada e valorizada há 4 décadas > pelo Tropicalismo, possa vir aqui te ajudar a entender um pouco do que > é a cultura desse país: > > "E a correr o campônio partiu > Como um raio na estrada sumiu > E sua amada quão ficou > A chorar na estrada tombou > Chega subleme o campônio > Encontra a mãezinha ajoelhada a rezar > Rasga-lhe o peito o demônio > Tombando a velhinha aos pés do altar > Tira do peito sagrando da velha mãezinha > O pobre coração e volta a correr proclamando > Vitória, vitória tem minha paixão > Mais em meio da estrada caiu > E na queda uma perna partiu > E a distância saltou da mão > Sobre a terra o pobre coração > Nesse instante uma voz ecoou > Magoou-se pobre filho meu > Vem buscar-me filho, aqui estou > Vem buscar-me que ainda sou teu!" > > (Vicente Celestino - Coração Materno) > > Abs, > > Eugenio. > > > Em 19/03/08, Eugenio Raggi<[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > Alexandre, > > > > O que você convenientemente chama de "crise de valores" chega a ser > > risível. Ser reverente, delicado, receptivo, ter gratidão, livrar-se > > de preconceitos, desnudar a alma, reconhecer erros do passado, abrir > > mão da estupida obtusidade heteroxa juvenil, enxergar alternativas > > diferentes pra cultura, enfim, trilhar novas perspectivas > > transmutou-se um desvio ético. > > > > Quanto a Caetano e Gil...Putz...Falta-lhe mesmo conhecimento, preparo > > para lidar com o assunto. A Tropicália era por si só, a mais > > concessiva, condescendente e tolerante de todas as atmosferas musicais > > já produzidas neste país. Muito antes do exílio, Caetano, Gil e Gal já > > apostavam na singeleza, na primitividade, na pieguice bela e ubíqua de > > nossa alma cultural. "Coração Materno", de Vicente Celestino, peça > > obrigatória para que se conheça o que é sentimentalismo, > > catastrofismo, bizarrice, cafonice mesmo, no "strictu sensu", não faz > > parte do repertório de "Tropicália ou panis et circensis" por acaso. A > > Tropicália foi a primeira a enxergar os valores enraizados de nossa > > importantíssima e bela simploriedade, brejeirice e cafonice. O Brasil > > é um país cafona, extravagante, grotesco, brega, sentimentalóide. E a > > Tropicália viu isso, com muito carinho. > > > > E para que não fiquem dúvidas sobre o que eu quero dizer, acho tudo > > isso a grande fortuna de nossa herança cultural. É exatamente a nossa > > opção pelo simplório, pelo sentimental, pelo barango, pela pieguice é > > que produz a mais rica das culturas deste planeta. > > > > Você citou aí Waldick Soriano. Fico pensando o que alguém feito você > > sabe a respeito dele. Poucos artistas nesse país são tão vastos, tão > > formidavelmente complexos feito ele. É a cara da nossa gente. > > Discriminado, criativo, desprezado, sagaz, excluído, bruto e sensível > > num mesmo instante, marginalizado, amado, odiado, capaz do mais > > estúpido dos arroubos à mais notável das sapiências. Complexo, quase > > incompreensível. Principalmente pra quem vive de conceitos prontos, > > feito você. > > > > Paulinho da Viola, por ser tolerante, consciente, contemporâneo, por > > não entrar na onda estúpida do achincalhe, transformou-se, nesse seu > > sofisma sórdido, em um porta-voz dessa "crise de valores" que você > > criou. Se entendi bem você é um donatário incorruptível da ética, mais > > consistente moralmente do que Renato Teixeira, Jorge Aragão ou > > Paulinho da Viola, proprietário do inquestionável bom gosto, da mais > > sublime sofisticação de paladar cultural. > > > > "Mas, e o povo? Ora, o povo. O povo é mera massa de manobra, que cai > > nas mãos gananciosas da (sempre ela!) Indústria Cultural." Êita > > argumentinho surrado, sofisminha de merda, repetido aos quatro cantos. > > > > Quem sabe a bizarrice, o catastrofismo, a pieguice, a tragicomédia > > grotesca de Vicente Celestino, já endeusada e valorizada há 4 décadas > > pelo Tropicalismo, possa vir aqui te ajudar a entender um pouco do que > > é a cultura desse país: > > > > "E a correr o campônio partiu > > Como um raio na estrada sumiu > > E sua amada quão ficou > > A chorar na estrada tombou > > Chega subleme o campônio > > Encontra a mãezinha ajoelhada a rezar > > Rasga-lhe o peito o demônio > > Tombando a velhinha aos pés do altar > > Tira do peito sagrando da velha mãezinha > > O pobre coração e volta a correr proclamando > > Vitória, vitória tem minha paixão > > Mais em meio da estrada caiu > > E na queda uma perna partiu > > E a distância saltou da mão > > Sobre a terra o pobre coração > > Nesse instante uma voz ecoou > > Magoou-se pobre filho meu > > Vem buscar-me filho, aqui estou > > Vem buscar-me que ainda sou teu!" > > > > (Vicente Celestino - Coração Materno) > > > > Abs, > > > > Eugenio. > > > > > > > > Em 18/03/08, André Carvalho<[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > > assino embaixo > > > > > > On 3/18/08, Alexandre Figueiredo Pereira <[EMAIL PROTECTED]> > wrote: > > > > > > > > Pessoal, > > > > > > > > O grande mal dos autênticos cantores de MPB é uma certa piedade que > eles > > > > têm com os aproveitadores. > > > > > > > > Quanto ao Paulinho da Viola ter elogiado É O Tchan, assim como Jorge > > > > Aragão elogiar Exaltasamba e Grupo Revelação, Renato Teixeira > elogiar > > > > Chitãozinho & Xororó, etc., não significa que esses canastrões da > música > > > > brega-popularesca que são elogiados tenham realmente valor. Nada > disso. > > > > > > > > Infelizmente o Brasil vive uma crise de valores e vemos gente > histórica > > > > cometer erros. Vide o José Dirceu, figura de prestígio do movimento > > > > estudantil, se envolver com os mensaleiros. Muitas vezes por boa-fé, > > > noutras > > > > por má-fé, o que acontece é que os grandes mestres ou líderes acabam > > > tendo > > > > algum escorregão na vida. > > > > > > > > A culpa toda está na acomodação de Caetano Veloso e Gilberto Gil > quando > > > > voltaram ao Brasil, em 1972. Foi como a volta de Elvis Presley do > serviço > > > > militar. De repente, aquele Tropicalismo que representava o debate > vivo > > > da > > > > cultura brasileira não existia mais. Virou uma condescendência geral > para > > > a > > > > cafonice, para o comercialismo, e foi aí que a música brasileira > > > > descarrilou, não por falta de bons talentos, mas porque eles foram > > > perdendo > > > > espaço ao longo dos anos. > > > > > > > > Evidentemente que tem gente que gostaria de ver a MPB transformada > num > > > > grande PMDB. Sabem o PMDB de hoje? Virou a casa da mãe Joana. > Entrava de > > > > comunista moderado a estelionatário, de latifundiário fantasiado de > > > > progressista a dirigente esportivo populista. E essa peemedebização > da > > > MPB > > > > singifica isso: entra Waldick Soriano, entra Gretchen, entra > Chitãozinho > > > & > > > > Xororó, Chiclete Com Banana, Alexandre Pires, entra Tchan, entra > Créu, > > > entra > > > > Marlboro, entra até Bee Gees. E todos acendendo vela para Roberto > Campos, > > > > embora se proclamem "de esquerda". Lêem a revista Veja com orgulho > mas a > > > > escondem com a Caros Amigos para o pessoal não desconfiar. > > > > > > > > Quero MPB de verdade. Nem que se jogue fora 99% dessa "música de > sucesso" > > > > que está aí. Quero cultura brasileira, chega de vale-tudo > populista!! > > > > > > > > Abraços a todos > > > > > > > > Alexandre Figueiredo > > > > Site Ensaios Patrimoniais > > > > http://br.geocities.com/alexfig1971 > > > > > > > > ------------------------------ > > > > Abra sua conta no Yahoo! > > > Mail< > http://br.rd.yahoo.com/mail/taglines/mail/*http://br.mail.yahoo.com/>, > > > > o único sem limite de espaço para armazenamento! > > > > > > > > > > > > > > _______________________________________________ > Para CANCELAR sua assinatura: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > Para ASSINAR esta lista: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
