Vc nunca perde a oportunidade de xingar, por que isso?......
Acho que vc não faz nenhum esforço para entender, o que alguem diz quando não é concordar com suas colocações. Eu não falei de quem produz,eu falei de quem consome, são coisas totalmente diferentes....

Fui.
Caio Pontual


----- Original Message ----- From: "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>
Sent: Wednesday, March 19, 2008 2:29 PM
Subject: Re: [S-C] RE: É para rir ou para chorar =3F?=


Pois é, Caio,

Quando tivermos uma população com a escolaridade do nível da Suécia
teremos o nosso verdadeiro ABBA.

The winner takes it all...

Quanta estupidez associar alguma coisa à outra.

Nossos maiores gênios musicais são aqueles que jamais frequentaram a escola.

Quanto à gente feito Waldick, Celestino...Poxa, você nunca iria
entender mesmo...

Em 19/03/08, Caio Pontual<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
Não vejo relação entre o que foi dito e o que representou o Vicente
Celestino na nossa música, que tem uma obra piegas por natureza, mas que nem por isso perde o seu valor por isso, a questão colocada pelo Alexandre, se entendi bem, é o nivelamento por baixo, quanto a qualidade musical colocada
 na mídia. Na minha humilde opinião, enquanto não tivermos uma população
minimamente bem escolarizada (ontem mesmo estava lendo um artigo que dizia que a qualidade das nossas escolas (públicas e privadas) são das piores do
 mundo) essa realidade não muda.


 Abraços.
 Caio Pontual


 ----- Original Message -----

From: "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>
 To: "Tribuna" <[email protected]>
 Sent: Tuesday, March 18, 2008 11:05 PM
 Subject: Re: [S-C] RE: É para rir ou para chorar =3F?=



Alexandre,

 O que você convenientemente chama de "crise de valores" chega a ser
 risível. Ser reverente, delicado, receptivo, ter gratidão, livrar-se
 de preconceitos, desnudar a alma, reconhecer erros do passado, abrir
 mão da estupida obtusidade heteroxa juvenil, enxergar alternativas
 diferentes pra cultura, enfim, trilhar novas perspectivas
 transmutou-se um desvio ético.

 Quanto a Caetano e Gil...Putz...Falta-lhe mesmo conhecimento, preparo
 para lidar com o assunto. A Tropicália era por si só, a mais
 concessiva, condescendente e tolerante de todas as atmosferas musicais
 já produzidas neste país. Muito antes do exílio, Caetano, Gil e Gal já
 apostavam na singeleza, na primitividade, na pieguice bela e ubíqua de
 nossa alma cultural. "Coração Materno", de Vicente Celestino, peça
 obrigatória para que se conheça o que é sentimentalismo,
 catastrofismo, bizarrice, cafonice mesmo, no "strictu sensu", não faz
 parte do repertório de "Tropicália ou panis et circensis" por acaso. A
 Tropicália foi a primeira a enxergar os valores enraizados de nossa
 importantíssima e bela simploriedade, brejeirice e cafonice. O Brasil
 é um país cafona, extravagante, grotesco, brega, sentimentalóide. E a
 Tropicália viu isso, com muito carinho.

 E para que não fiquem dúvidas sobre o que eu quero dizer, acho tudo
 isso a grande fortuna de nossa herança cultural. É exatamente a nossa
 opção pelo simplório, pelo sentimental, pelo barango, pela pieguice é
 que produz a mais rica das culturas deste planeta.

 Você citou aí Waldick Soriano. Fico pensando o que alguém feito você
 sabe a respeito dele. Poucos artistas nesse país são tão vastos, tão
 formidavelmente complexos feito ele. É a cara da nossa gente.
 Discriminado, criativo, desprezado, sagaz, excluído, bruto e sensível
 num mesmo instante, marginalizado, amado, odiado, capaz do mais
 estúpido dos arroubos à mais notável das sapiências. Complexo, quase
 incompreensível. Principalmente pra quem vive de conceitos prontos,
 feito você.

 Paulinho da Viola, por ser tolerante, consciente, contemporâneo, por
 não entrar na onda estúpida do achincalhe, transformou-se, nesse seu
 sofisma sórdido, em um porta-voz dessa "crise de valores" que você
 criou. Se entendi bem você é um donatário incorruptível da ética, mais
 consistente moralmente do que Renato Teixeira, Jorge Aragão ou
 Paulinho da Viola, proprietário do inquestionável bom gosto, da mais
 sublime sofisticação de paladar cultural.

 "Mas, e o povo? Ora, o povo. O povo é mera massa de manobra, que cai
 nas mãos gananciosas da (sempre ela!) Indústria Cultural." Êita
 argumentinho surrado, sofisminha de merda, repetido aos quatro cantos.

 Quem sabe a bizarrice, o catastrofismo, a pieguice, a tragicomédia
 grotesca de Vicente Celestino, já endeusada e valorizada há 4 décadas
 pelo Tropicalismo, possa vir aqui te ajudar a entender um pouco do que
 é a cultura desse país:

 "E a correr o campônio partiu
 Como um raio na estrada sumiu
 E sua amada quão ficou
 A chorar na estrada tombou
 Chega subleme o campônio
 Encontra a mãezinha ajoelhada a rezar
 Rasga-lhe o peito o demônio
 Tombando a velhinha aos pés do altar
 Tira do peito sagrando da velha mãezinha
 O pobre coração e volta a correr proclamando
 Vitória, vitória tem minha paixão
 Mais em meio da estrada caiu
 E na queda uma perna partiu
 E a distância saltou da mão
 Sobre a terra o pobre coração
 Nesse instante uma voz ecoou
 Magoou-se pobre filho meu
 Vem buscar-me filho, aqui estou
 Vem buscar-me que ainda sou teu!"

 (Vicente Celestino - Coração Materno)

 Abs,

 Eugenio.


 Em 19/03/08, Eugenio Raggi<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
 > Alexandre,
 >
 > O que você convenientemente chama de "crise de valores" chega a ser
 > risível. Ser reverente, delicado, receptivo, ter gratidão, livrar-se
 > de preconceitos, desnudar a alma, reconhecer erros do passado, abrir
 > mão da estupida obtusidade heteroxa juvenil, enxergar alternativas
 > diferentes pra cultura, enfim, trilhar novas perspectivas
 > transmutou-se um desvio ético.
 >
 > Quanto a Caetano e Gil...Putz...Falta-lhe mesmo conhecimento, preparo
 > para lidar com o assunto. A Tropicália era por si só, a mais
 > concessiva, condescendente e tolerante de todas as atmosferas musicais
 > já produzidas neste país. Muito antes do exílio, Caetano, Gil e Gal já
 > apostavam na singeleza, na primitividade, na pieguice bela e ubíqua de
 > nossa alma cultural. "Coração Materno", de Vicente Celestino, peça
 > obrigatória para que se conheça o que é sentimentalismo,
 > catastrofismo, bizarrice, cafonice mesmo, no "strictu sensu", não faz
 > parte do repertório de "Tropicália ou panis et circensis" por acaso. A
 > Tropicália foi a primeira a enxergar os valores enraizados de nossa
 > importantíssima e bela simploriedade, brejeirice e cafonice. O Brasil
 > é um país cafona, extravagante, grotesco, brega, sentimentalóide. E a
 > Tropicália viu isso, com muito carinho.
 >
 > E para que não fiquem dúvidas sobre o que eu quero dizer, acho tudo
 > isso a grande fortuna de nossa herança cultural. É exatamente a nossa
 > opção pelo simplório, pelo sentimental, pelo barango, pela pieguice é
 > que produz a mais rica das culturas deste planeta.
 >
 > Você citou aí Waldick Soriano. Fico pensando o que alguém feito você
 > sabe a respeito dele. Poucos artistas nesse país são tão vastos, tão
 > formidavelmente complexos feito ele. É a cara da nossa gente.
 > Discriminado, criativo, desprezado, sagaz, excluído, bruto e sensível
 > num mesmo instante, marginalizado, amado, odiado, capaz do mais
 > estúpido dos arroubos à mais notável das sapiências. Complexo, quase
 > incompreensível. Principalmente pra quem vive de conceitos prontos,
 > feito você.
 >
 > Paulinho da Viola, por ser tolerante, consciente, contemporâneo, por
 > não entrar na onda estúpida do achincalhe, transformou-se, nesse seu
 > sofisma sórdido, em um porta-voz dessa "crise de valores" que você
 > criou. Se entendi bem você é um donatário incorruptível da ética, mais
 > consistente moralmente do que Renato Teixeira, Jorge Aragão ou
 > Paulinho da Viola, proprietário do inquestionável bom gosto, da mais
 > sublime sofisticação de paladar cultural.
 >
 > "Mas, e o povo? Ora, o povo. O povo é mera massa de manobra, que cai
 > nas mãos gananciosas da (sempre ela!) Indústria Cultural." Êita
 > argumentinho surrado, sofisminha de merda, repetido aos quatro cantos.
 >
 > Quem sabe a bizarrice, o catastrofismo, a pieguice, a tragicomédia
 > grotesca de Vicente Celestino, já endeusada e valorizada há 4 décadas
 > pelo Tropicalismo, possa vir aqui te ajudar a entender um pouco do que
 > é a cultura desse país:
 >
 > "E a correr o campônio partiu
 > Como um raio na estrada sumiu
 > E sua amada quão ficou
 > A chorar na estrada tombou
 > Chega subleme o campônio
 > Encontra a mãezinha ajoelhada a rezar
 > Rasga-lhe o peito o demônio
 > Tombando a velhinha aos pés do altar
 > Tira do peito sagrando da velha mãezinha
 > O pobre coração e volta a correr proclamando
 > Vitória, vitória tem minha paixão
 > Mais em meio da estrada caiu
 > E na queda uma perna partiu
 > E a distância saltou da mão
 > Sobre a terra o pobre coração
 > Nesse instante uma voz ecoou
 > Magoou-se pobre filho meu
 > Vem buscar-me filho, aqui estou
 > Vem buscar-me que ainda sou teu!"
 >
 > (Vicente Celestino - Coração Materno)
 >
 > Abs,
 >
 > Eugenio.
 >
 >
 >
 > Em 18/03/08, André Carvalho<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
 > > assino embaixo
 > >
 > > On 3/18/08, Alexandre Figueiredo Pereira <[EMAIL PROTECTED]>
 > > wrote:
 > > >
 > > > Pessoal,
 > > >
 > > > O grande mal dos autênticos cantores de MPB é uma certa piedade que
 > > > eles
 > > > têm com os aproveitadores.
 > > >
> > > Quanto ao Paulinho da Viola ter elogiado É O Tchan, assim como Jorge > > > Aragão elogiar Exaltasamba e Grupo Revelação, Renato Teixeira elogiar
 > > > Chitãozinho & Xororó, etc., não significa que esses canastrões da
 > > > música
 > > > brega-popularesca que são elogiados tenham realmente valor. Nada
 > > > disso.
 > > >
 > > > Infelizmente o Brasil vive uma crise de valores e vemos gente
 > > > histórica
 > > > cometer erros. Vide o José Dirceu, figura de prestígio do movimento
> > > estudantil, se envolver com os mensaleiros. Muitas vezes por boa-fé,
 > > noutras
> > > por má-fé, o que acontece é que os grandes mestres ou líderes acabam
 > > tendo
 > > > algum escorregão na vida.
 > > >
 > > > A culpa toda está na acomodação de Caetano Veloso e Gilberto Gil
 > > > quando
 > > > voltaram ao Brasil, em 1972. Foi como a volta de Elvis Presley do
 > > > serviço
 > > > militar. De repente, aquele Tropicalismo que representava o debate
 > > > vivo
 > > da
> > > cultura brasileira não existia mais. Virou uma condescendência geral
 > > > para
 > > a
 > > > cafonice, para o comercialismo, e foi aí que a música brasileira
 > > > descarrilou, não por falta de bons talentos, mas porque eles foram
 > > perdendo
 > > > espaço ao longo dos anos.
 > > >
> > > Evidentemente que tem gente que gostaria de ver a MPB transformada num > > > grande PMDB. Sabem o PMDB de hoje? Virou a casa da mãe Joana. Entrava
 > > > de
 > > > comunista moderado a estelionatário, de latifundiário fantasiado de
> > > progressista a dirigente esportivo populista. E essa peemedebização da
 > > MPB
 > > > singifica isso: entra Waldick Soriano, entra Gretchen, entra
 > > > Chitãozinho
 > > &
> > > Xororó, Chiclete Com Banana, Alexandre Pires, entra Tchan, entra Créu,
 > > entra
 > > > Marlboro, entra até Bee Gees. E todos acendendo vela para Roberto
 > > > Campos,
> > > embora se proclamem "de esquerda". Lêem a revista Veja com orgulho mas
 > > > a
 > > > escondem com a Caros Amigos para o pessoal não desconfiar.
 > > >
 > > > Quero MPB de verdade. Nem que se jogue fora 99% dessa "música de
 > > > sucesso"
> > > que está aí. Quero cultura brasileira, chega de vale-tudo populista!!
 > > >
 > > > Abraços a todos
 > > >
 > > > Alexandre Figueiredo
 > > > Site Ensaios Patrimoniais
 > > > http://br.geocities.com/alexfig1971
 > > >
 > > > ------------------------------
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