Prezados,

     Algumas observações sobre a documentação do projeto BrOffice.org.

     O texto da licença de uso, utilizada por padrão no projeto, é:
"Atribuição-Uso Não Comercial-Compartilhamento pela mesma licença 2.5 Brasil
      Você pode:
       - copiar, distribuir, exibir e executar a obra
       - criar obras derivadas

      Sob as seguintes condições:

Atribuição - Você deve dar crédito ao autor original, da forma especificada pelo autor ou licenciante.

Uso Não-Comercial - Você não pode utilizar esta obra com finalidades comerciais.

Compartilhamento pela mesma licença - Se você alterar, transformar, ou criar outra obra com base nesta, você somente poderá distribuir a obra resultante sob uma licença idêntica a esta.

- Para cada novo uso ou distribuição, você deve deixar claro para outros os termos da licença desta obra.

- Qualquer uma destas condições pode ser renunciada, desde que Você obtenha permissão do autor."

Notem a última frase: qualquer condição pode ser renunciada, desde que o autor dê a permissão para isso.

Ou seja, se sua empresa quer fazer uso comercial (um curso aberto ou um livro, por exemplo) de um material desenvolvido sob essa licença, consulte o autor. Ele é quem vais responder a você. É o autor quem irá definir se o uso comercial é adequado ou não ao uso que ele deseja do material.

O mesmo exemplo vale para o uso de trechos do documento em documentos que não seguirão a mesma licença de uso. Basta contatar o autor. Cabe ao autor autorizar ou não a utilização de um trecho do documento para um novo documento sob uma outra licença qualquer.

     É isso que o projeto BrOffice.org deseja?

Sim, é isso. Desejamos que os autores tenham gerência ao uso comercial do material que é desenvolvido. Isso não significa absolutamente que o uso comercial será negado, pelo contrário, a licença dá a possibilidade ao autor de participar dessa utilização e, inclusive, contribuir para que um projeto de treinamento ou uma publicação seja ainda melhor. Desejamos que eles autorizem ou não que o material seja usado num treinamento. Desejamos que os autores autorizem ou não que uma revista publiqueo seu material.

     Um exemplo prático.

Falo como autor do projeto, que possui material licenciado sobre essa mesma licença: Creative Commons BY-NC-SA, descrita acima.

Dentro do projeto de documentação, temos um sub-projeto chamado "Material de Informática Básica com Software Livre", composto de uma apostila para alunos, outra apostila para instrutores e uma planilha de aula.

Usando os termos da licença, o material pode ser distribuído, copiado e modificado para fins não-comerciais, o que é, justamente, o fim dos projetos de Inclusão Digital que necessitam de material didático para as suas atividades. Basta que o resposável pelo projeto de ID faça o download do material, imprima-o e use-o, eventualmente, adaptando o conteúdo as suas necessidades.

Para isso, não foi preciso qualquer autorização minha. Tanto que, apenas em 2006 (os dados até 2007 ainda não foram contabilizados), o projeto permitiu que mais de 5.000 pessoas fossem formadas em cursos de informática básica com esse material. Tenho certeza que são muitas pessoas mais e, também, que a licença Creative Commons BY-NC-SA foi uma ferramenta muito útil para atingirmos esse número.

Três projetos fizeram modificações no conteúdo: os projetos de ID da Prefeitura de Arapiraca/AL, da Eletrosul/PR e da CETEAM/AM. Para essas modificações, também não foi necessária qualquer autorização da minha parte, pois o resultado foi distribuído sob a mesma licença e os projetos não têm uso comercial.

O mesmo vale para a tradução do material que está sendo feita para o espanhol. Embora eu esteja envolvido diretamente com esse projeto, não seria necessária a minha autorização para isso, pois a licença já garante essa possibilidade.

Apesar da ótima evolução do projeto, tivemos situações peculiares em relação ao uso comercial. Fui contatado, por diversas vezes, sobre o uso do material em treinamentos comerciais. Na grande maioria delas, autorizei tranquilamente o uso total ou parcial, pois a caracterização comercial ou não estava propriamente caracterizada ou estava de acordo com a linha de desenvolvimento pretendida para o material.

No entanto, um contato solicitava a liberação do uso apenas do conteúdo relacionado ao BrOffice.org para integrá-lo a um material já existente, cujo conteúdo baseava-se todo no ensino do Windows. O objetivo era um treinamento comercial fornecido pela empresa.

Considerando o histórico da empresa, seu distanciamento do projeto, seu interesse pontual em utilizar o material e, acima de tudo, a distorção dos objetivos iniciais do material (de ensinar o uso de informática com Software Livre), não autorizei o uso do material.

Poderia tê-lo autorizado, no entanto, não vi vantagem alguma em subsidiar um projeto lucrativo de uma empresa que não está interessada em apoiar o projeto de outra forma que não seja a "divulgação" do BrOffice.org através dos seus cursos.

Obviamente, sugeri várias proposições de apoio ao projeto. Vale o aparte que esse apoio corporativo é fundamental e desejado pelo projeto. Hoje, o projeto BrOffice.org possui uma pessoa jurídica que garante a formalidade e a legalidade do projeto no Brasil. Aos poucos, a ONG está se estruturando, com o trabalho dedicado de pessoas como o Claudio, o Olivier, o Salomon, o Marcus, etc... O resultado, infelizmente, foi que a referida empresa simplesmente agradeceu a atenção e disse que não usaria o material.

Enfim, essa decisão foi exclusivamente minha, como autor do material. E, para o futuro, desejo manter essa possibilidade de regular determinados usos do material que desenvolvi. Talvez um dia pretenda utilizá-lo com fins comerciais. Posso, por exemplo, resolver transformar o material em um livro para possibilitar a continuidade do projeto. Até la, pretendo ter controle sobre isso, aceitando e fomentando boas parcerias e descartando projetos fora de propósito.

Outra situação interessante que tivemos dentro do projeto foi a do autor que gostaria de publicar o seu material didático no portal. No entanto, gostaria de fazê-lo somente no formato PDF, para evitar a modificação por terceiros.

Segundo o autor, isso seria importante para ele. Ele havia usado o material em um treinamento da sua empresa de TI e gostaria de contribuir com o material para o projeto, mas estava receoso de modificações no seu material ou do uso do mesmo por outras empresas.

O atributo Não-Comercial da licença resolveu o problema e esse foi o argumento definitivo para convencê-lo a autorizar a publicação em ODT. O documento foi publicado em formato ODT e a utilização pelo usuário final, objetivo do projeto, foi garantida. Enquanto isso, eventuais oportunidades de negócios futuras foram garantidas para o autor e sua empresa.

Sobre revistas e publicações, o que tenho a dizer também faz parte da minha experiência no projeto. Revistas sérias sempre preferem publicar conteúdo inédito, preferencialmente, produzido dentro da sua própria estrutura. Caso o interesse da revista seja um material já publicado, invariavelmente a editora irá atrás do autor ou de seus representantes legais para uma autorização específica.

Por exemplo, fomos consultados sobre informações do projeto para duas publicações de grande circulação voltadas para o OpenOffice.org/BrOffice.org. Fornecemos todos os dados do projeto, o Claudio foi entrevistado, listamos casos de uso de sucesso, etc, etc... Sugerimos, inclusive, a utilização da documentação do projeto, mediante a autorização dos autores.

Questionada sobre isso, a editora-chefe explicou o seguinte: tutoriais explicando o uso de aplicações são feitos pela equipe da editora. Os autores cedem os direitos sobre a obra final para a mesma, além de seguirem a linguagem do material para a publicação conforme definido pela editora. Isso é contratado entre as partes e deixa clara as responsabilidades e direitos de autores e editores. Eventualmente, a editora trabalha com autores externos, no entanto, ainda assim é feito um contrato específico. Ou seja, o que eles querem é novidade, com procedimentos que os deixem plenamente seguros da legalidade da publicação. O mesmo vale para traduções e revisões.

Enfim, o uso de uma licença Creative Commons tem auxiliado o projeto e os autores a gerir o seu trabalho. Nada demais.

    Isso significa que o projeto BrOffice.org não aceita outras licenças?

Não, se o autor quiser publicar o seu documento em outro licenciamento como FDL ou ODL, não há problema. Isso, inclusive, foi o que coloquei no meu último e-mail desta lista. Basta que nos envie, também, o arquivo ODT. A licença Creative Commons BY-NC-SA é apenas o licenciamento padrão sugerido, com base em argumentos claros que beneficiam o autor do documento e o estimulam a colaborar ainda mais.

    Sds,
    Gustavo Pacheco

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