Saudações.
São indiscutíveis os elementos de proteção aos direitos autorais
descritos na Creative Commons. Quanto ao ponto que "divide" opiniões, a
questão comercial, deve realmente ser opção do autor. Minha visão
pessoal é que deve haver a proteção máxima da autoralidade,
independentemente da questão comercial, já que esta depende muito de
vários fatores, a citar alguns: a) vontade do autor; b) conteúdo; c)
aplicabilidade comercial; d) intenção do autor de auferir retorno
financeiro; e) intenção do autor de decidir pela ética da aplicação do
conteúdo; f) marketing; etc.
Por outro lado, a Bíblia é distribuída comercialmente e
não-comercialmente, seu conteúdo é usado para vários fins, e sua autoria
continua conhecida, apesar das amplas modificações executadas ao longo
dos tempos. Vejo aí o princípio da licença ao estilo GNU: infecciona
mesmo, de qualquer maneira!
At+,
hydrogen.


Gustavo Buzzatti Pacheco escreveu:
>      Prezados,
>
>      Algumas observações sobre a documentação do projeto BrOffice.org.
>
>      O texto da licença de uso, utilizada por padrão no projeto, é:
>      "Atribuição-Uso Não Comercial-Compartilhamento pela mesma licença
> 2.5 Brasil
>       Você pode:
>        - copiar, distribuir, exibir e executar a obra
>        - criar obras derivadas
>
>       Sob as seguintes condições:
>
>       Atribuição - Você deve dar crédito ao autor original, da forma
> especificada pelo autor ou licenciante.
>
>       Uso Não-Comercial - Você não pode utilizar esta obra com
> finalidades comerciais.
>
>       Compartilhamento pela mesma licença - Se você alterar,
> transformar, ou criar outra obra com base nesta, você somente poderá
> distribuir a obra resultante sob uma licença idêntica a esta.
>
>       - Para cada novo uso ou distribuição, você deve deixar claro
> para outros os termos da licença desta obra.
>
>       - Qualquer uma destas condições pode ser renunciada, desde que
> Você obtenha permissão do autor."
>
>       Notem a última frase: qualquer condição pode ser renunciada,
> desde que o autor dê a permissão para isso.
>
>      Ou seja, se sua empresa quer fazer uso comercial (um curso aberto
> ou um livro, por exemplo) de um material desenvolvido sob essa
> licença, consulte o autor. Ele é quem vais responder a você. É o autor
> quem irá definir se o uso comercial é adequado ou não ao uso que ele
> deseja do material.
>
>      O mesmo exemplo vale para o uso de trechos do documento em
> documentos que não seguirão a mesma licença de uso. Basta contatar o
> autor. Cabe ao autor autorizar ou não a utilização de um trecho do
> documento para um novo documento sob uma outra licença qualquer.
>
>      É isso que o projeto BrOffice.org deseja?
>
>      Sim, é isso. Desejamos que os autores tenham gerência ao uso
> comercial do material que é desenvolvido. Isso não significa
> absolutamente que o uso comercial será negado, pelo contrário, a
> licença dá a possibilidade ao autor de participar dessa utilização e,
> inclusive, contribuir para que um projeto de treinamento ou uma 
> publicação seja ainda melhor. Desejamos que eles autorizem ou não que
> o material seja usado num treinamento. Desejamos que os autores
> autorizem ou não que uma revista publiqueo seu material.
>
>      Um exemplo prático.
>
>      Falo como autor do projeto, que possui material licenciado sobre
> essa mesma licença: Creative Commons BY-NC-SA, descrita acima.
>
>      Dentro do projeto de documentação, temos um sub-projeto chamado
> "Material de Informática Básica com Software Livre", composto de uma
> apostila para alunos, outra apostila para instrutores e uma planilha
> de aula.
>
>      Usando os termos da licença, o material pode ser distribuído,
> copiado e modificado para fins não-comerciais, o que é, justamente, o
> fim dos projetos de Inclusão Digital que necessitam de material
> didático para as suas atividades. Basta que o resposável pelo projeto
> de ID faça o download do material, imprima-o e use-o, eventualmente,
> adaptando o conteúdo as suas necessidades.
>
>      Para isso, não foi preciso qualquer autorização minha. Tanto que,
> apenas em 2006 (os dados até 2007 ainda não foram contabilizados), o
> projeto permitiu que mais de 5.000 pessoas fossem formadas em cursos
> de informática básica com esse material. Tenho certeza que são muitas
> pessoas mais e, também, que a licença Creative Commons BY-NC-SA foi
> uma ferramenta muito útil para atingirmos esse número.
>
>      Três projetos fizeram modificações no conteúdo: os projetos de ID
> da Prefeitura de Arapiraca/AL, da Eletrosul/PR e da CETEAM/AM. Para
> essas modificações, também não foi necessária qualquer autorização da
> minha parte, pois o resultado foi distribuído sob a mesma licença e os
> projetos não têm uso comercial.
>
>      O mesmo vale para a tradução do material que está sendo feita
> para o espanhol. Embora eu esteja envolvido diretamente com esse
> projeto, não seria necessária a minha autorização para isso, pois a
> licença já garante essa possibilidade.
>
>      Apesar da ótima evolução do projeto, tivemos situações peculiares
> em relação ao uso comercial. Fui contatado, por diversas vezes, sobre
> o uso do material em treinamentos comerciais. Na grande maioria delas,
> autorizei tranquilamente o uso total ou parcial, pois a caracterização
> comercial ou não estava propriamente caracterizada ou estava de acordo
> com a linha de desenvolvimento pretendida para o material.
>
>      No entanto, um contato solicitava a liberação do uso apenas do
> conteúdo relacionado ao BrOffice.org para integrá-lo a um material já
> existente, cujo conteúdo baseava-se todo no ensino do Windows. O
> objetivo era um treinamento comercial fornecido pela empresa.
>
>      Considerando o histórico da empresa, seu distanciamento do
> projeto, seu interesse pontual em utilizar o material e, acima de
> tudo, a distorção dos objetivos iniciais do material (de ensinar o uso
> de informática com Software Livre), não autorizei o uso do material.
>
>      Poderia tê-lo autorizado, no entanto, não vi vantagem alguma em
> subsidiar um projeto lucrativo de uma empresa que não está interessada
> em apoiar o projeto de outra forma que não seja a "divulgação" do
> BrOffice.org através dos seus cursos.
>
>      Obviamente, sugeri várias proposições de apoio ao projeto. Vale o
> aparte que esse apoio corporativo é fundamental e desejado pelo
> projeto. Hoje, o projeto BrOffice.org possui uma pessoa jurídica que
> garante a formalidade e a legalidade do projeto no Brasil. Aos poucos,
> a ONG está se estruturando, com o trabalho dedicado de pessoas como o
> Claudio, o Olivier, o Salomon, o  Marcus, etc... O resultado,
> infelizmente, foi que a referida empresa simplesmente agradeceu a
> atenção e disse que não usaria o material.
>
>     Enfim, essa decisão foi exclusivamente minha, como autor do
> material. E, para o futuro, desejo manter essa possibilidade de
> regular determinados usos do material que desenvolvi. Talvez um dia
> pretenda utilizá-lo com  fins comerciais. Posso, por exemplo, resolver
> transformar o material em um livro para possibilitar a continuidade do
> projeto. Até la, pretendo ter controle sobre isso, aceitando e
> fomentando boas parcerias e descartando projetos fora de propósito.
>
>      Outra situação interessante que tivemos dentro do projeto foi a
> do autor que gostaria de publicar o seu material didático no portal.
> No entanto, gostaria de fazê-lo somente no formato PDF, para evitar a
> modificação por terceiros.
>
>     Segundo o autor, isso seria importante para ele. Ele havia usado o
> material em um treinamento da sua empresa de TI e gostaria de
> contribuir com o material para o projeto, mas estava receoso de
> modificações no seu material ou do uso do mesmo por outras empresas.
>
>     O atributo Não-Comercial da licença resolveu o problema e esse foi
> o argumento definitivo para convencê-lo a autorizar a publicação em
> ODT. O documento foi publicado em formato ODT e a utilização pelo
> usuário final, objetivo do projeto, foi garantida. Enquanto isso,
> eventuais oportunidades de negócios futuras foram garantidas para o
> autor e sua empresa.
>
>     Sobre revistas e publicações, o que tenho a dizer também faz parte
> da minha experiência no projeto. Revistas sérias sempre preferem
> publicar conteúdo inédito, preferencialmente, produzido dentro da sua
> própria estrutura. Caso o interesse da revista seja um material já
> publicado, invariavelmente a editora irá atrás do autor ou de seus
> representantes legais para uma autorização específica.
>
>     Por exemplo, fomos consultados sobre informações do projeto para
> duas publicações de grande circulação voltadas para o
> OpenOffice.org/BrOffice.org. Fornecemos todos os dados do projeto, o
> Claudio foi entrevistado, listamos casos de uso de sucesso, etc,
> etc... Sugerimos, inclusive, a utilização da documentação do projeto,
> mediante a autorização dos autores.
>
>   Questionada sobre isso, a editora-chefe explicou o seguinte:
> tutoriais explicando o uso de aplicações são feitos pela equipe da
> editora. Os autores cedem os direitos sobre a obra final para a mesma,
> além de seguirem a linguagem do material para a publicação conforme
> definido pela editora. Isso é contratado entre as partes e deixa clara
> as responsabilidades e direitos de autores e editores. Eventualmente,
> a editora trabalha com  autores externos, no entanto, ainda assim é
> feito um contrato específico. Ou seja, o que eles querem é novidade,
> com procedimentos que os deixem plenamente seguros da legalidade da
> publicação. O mesmo vale para traduções e revisões.
>
>   Enfim, o uso de uma licença Creative Commons tem auxiliado o projeto
> e os autores a gerir o seu trabalho. Nada demais.
>
>     Isso significa que o projeto BrOffice.org não aceita outras licenças?
>
>     Não, se o autor quiser publicar o seu documento em outro
> licenciamento como FDL ou ODL, não há problema. Isso, inclusive, foi o
> que coloquei no meu último e-mail desta lista. Basta que nos envie,
> também, o arquivo ODT. A licença Creative Commons BY-NC-SA é apenas o
> licenciamento padrão sugerido, com base em argumentos claros que
> beneficiam o autor do documento e o estimulam a colaborar ainda mais.
>
>     Sds,
>     Gustavo Pacheco
>
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> Associacao Software Livre.Org - http://www.softwarelivre.org/
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