Luis Nassif:
http://www.projetobr.com.br/blog/4.html
Olivier
wally_hot escreveu:
jornalista.
Renato Silva escreveu:
Quem é Luis Nassif?
Em Ter, 2007-09-04 às 17:56 -0300, Wallace Sousa escreveu:
será q não é possível o mesmo no BrOo?
30/08/07 17:38
A SRF e o Office
Enviado por Luiz Orlando
Nassif,
Eu sou Auditor Fiscal da Receita Federal e trabalho com julgamento de
processos fiscais há 9 anos.
Até 2005, os usuários da SRF usavam o Word como 99% dos usuários: uma
máquina de escrever que permite apagar os erros, copiar e colar,
destacar em negrito e itálico, correção gramatical e recuo de
parágrafos. Até então, o Open Office poderia substituir perfeitamente
o Word e Excel .
Em janeiro de 2006 a Receita Federal implantou em todas as Delegacias
de Julgamento um software que eu desenvolvi dentro do Word que mudou
radicalmente essa situação. Vou pegar um exemplo simples, você sabe
porque escreve livros e é um usuário avançado de Word: usando apenas
uma das ferramentas do Word, os " estilos", toda a estratégia de
máquina de escrever torna-se incrivelmente obsoleta e abre-se uma
gama de novas perspectivas em documentos longos tais como formatação
instantânea e padronizada com teclas de atalho para estilos,
numeração de títulos em vários níveis, índices analíticos e
remissivos automáticos, hiperlinks para textos dentro do documento,
gerenciamento do documento em modo de estrutura, reorganizando
capítulos, alterando a ordem e mudando os níveis de tópicos. Isto
apenas por que? Basicamente porque você identificou os parágrafos.
Deu nome a eles (os estilos).
Mas tudo isto ainda é uma pequena fração do potencial do Word. Hoje
qualquer julgador da Receita Federal usa 90% do potencial do Word.
Modifiquei ferramentas avançadas do Word (estilos, autotextos, campos
de preenchimento, campos de mesclagem, controle de alterações) e
criei novas ferramentas para facilitar e automatizar o trabalho de
julgamento.
Após a análise de um processo o julgador identifica ali os temas
impugnados e, na maioria dos casos, ele ou algum outro colega já tem
autotextos prontos para boa parte dos assuntos tratados. Não precisa
reinventar a roda cada vez que alguém faz uma alegação já conhecida.
Isto é o dia a dia.
Então quando o julgador coloca o cursor na seção de ementa ele tem à
disposição um banco de ementas. Com apenas um clique ele insere cada
ementa. Para cada ementa desta ele tem longos textos de voto, com
citações legais, de jurisprudência, tabelas, figuras. Quando ele
coloca o cursor na seção de voto aparece somente o banco de textos de
voto. Assim também acontece na seção de relatório e no acórdão
propriamente dito. Este textos carregam campos automáticos de
preenchimento para os dados variáveis que estão dentro de um
autotexto (por exemplo, período inicial de decadência, fls. da
impugnação, valor do crédito tributário) que aparecem em pop up cada
vez que ele insere um autotexto. Estes campos dão flexibilidade a
estes blocos de texto, permitindo que eles se liguem a outros,
variando seus encaixes conforme a situação.
Ele tem total liberdade de fazer um acórdão da maneira que quiser.
Reaproveitando textos ele monta um acórdão em minutos, escrevendo só
aquilo que for novo e diferente.
Usando recursos de programação, cada parágrafo é identificado. Assim,
o sistema sabe separar assunto, períodos, ementas e etc. Uma rotina
de validação checa toda a consistência do documento, de datas de
fatos geradores a CNPJ, de ementa a declarações de voto e etc.
Neste Word modificado, quando ele salva o documento, ele tem muito
mais do que um documento de texto: ele criou um documento
estruturado, com dados consistentes e inteiramente validados que, no
momento em que sai para ciência do contribuinte é também inserido num
banco de dados nacional via Web (intranet). As decisões da Receita
Federal e os autotextos são compartilhados nacionalmente, com
mecanismos precisos de consulta, estruturados, permitindo que um
julgador de São Paulo enxergue decisões de Belém a Porto Alegre para
saber como os colegas se posicionaram sobre um determinado assunto.
Ele então pode aproveitar o texto com apenas um clique.
Criei um gerenciador de autotextos em que o usuário cria, modifica,
importa e exporta seus autotextos e compartilha com outros usuários
de uma forma tão simples que nem a Microsoft imaginou. A formatação
de estilos é instantânea, feita com teclas de atalho ou botões na
barra de ferramentas.
Mas o mais interessante acontece quando temos, digamos, 500 processos
semelhantes, originados do mesmo advogado ou com alegações parecidas.
Ai então o sistema mostra todo o seu potencial: modifiquei o
mecanismo de mala direta para criar documentos estruturados e
validados para cada processo julgado. É julgamento real em lote.
Ligando-se em uma planilha Excel fornecida por um extrator de dados
do sistema da Receita, já preenchida com todos os dados de cada
processo (Nome do Contribuinte, CNPJ, valor do crédito e etc.) e mais
as variáveis criadas pelo julgador, o aplicativo gera no Word, a
partir do modelo criado pelo julgador, centenas de decisões em
processos tributários em alguns poucos segundos. O que demoraria
meses em tarefas repetitivas são comprimidos em alguns segundos. Ele
não gera documentos idênticos. Ele gera documentos que variam textos
de ementa, relatório e voto, porque na planilha o julgador coloca
variáveis de autotexto, adequando-se a cada processo (por exemplo,
uns alegam uma preliminar e outros não).
O impacto de produtividade foi tão grande que na semana seguinte ao
treinamento um julgador produziu sozinho, em uma semana, mais do que
a turma de julgamento dele inteira havia produzido no ano anterior.
Imagine o que essa celeridade no julgamento significa em bilhões de
reais de crédito tributário para a União que demoraria décadas até
chegar em dívida ativa e, quando chegasse, não seria mais cobrável,
porque a empresa não existe mais ou porque seus sócios já dilapidaram
o patrimônio da empresa.
A acolhida pelos julgadores foi tão expressiva que o sistema foi
estendido e implantado para todas as decisões da SRF, em todas as
instâncias, desde os despachos decisórios de DRF até as Soluções de
Consulta e já está em fase final de implantação no Conselho de
Contribuintes.
Tudo é transparente para o usuário e feito sem procedimentos rígidos
ou seqüenciais. Com este aplicativo, qualquer usuário com
conhecimentos básicos de computador usa 90% do potencial do Word.
Foi como sair de uma carroça e entrar em um avião a jato.
Eu tentei criar isto no brOffice, mas era impossível na época. O
brOffice tinha boas ferramentas, mas ainda muito rudimentares.
Trata-se de trabalho intelectual acumulado. Eu teria que reinventar a
roda e fazer sozinho o trabalho que centenas de programadores
ultra-especializados da Microsoft fizeram em mais de uma década.
As licenças já existiam; o Word e o Excel são muito bem construídos.
Então bastava eu modificar as ferramentas existentes e criar algumas
novas. Em 5 meses eu criei o programa e ele foi instalado no Brasil
inteiro no início de 2006. A outra alternativa, trabalhar com o
software livre demandaria sabe-se lá quantos anos. Eu teria que
partir do zero para criar boa parte dessas ferramentas.
Eu pretendo desenvolver isso no brOffice, que já deve estar
consideravelmente mais aprimorado, mas isto levará tempo e treinamento.
Então, o caso da substituição do MS Office pelo software livre não é
tão simples como se supõe. O presidente da Associação de Software
Livre disse: " ... a questão dos aplicativos legados é de fácil
solução. Basta o Serpro fazer alterações nos sistemas que a solução
está resolvida." Então tá!
O porquê daquela quantidade de licenças e o valor em discussão eu não
tenho elementos para opinar. A fusão com a previdência trouxe uns 4
mil novos fiscais para a Receita, fora os milhares de técnicos. Não
sei sinceramente quantos computadores tem a Receita. De qualquer
forma, as licenças existentes estão funcionando bem. Se fosse apenas
complementá-las e realocar as existentes seria uma alternativa bem
menos onerosa e talvez uma boa solução. Também não são todos os
computadores que precisam do Office.
Abraços,
Luis Orlando
P.S. Sabe o que eu ganhei com esse aplicativo? Nada mais do que meu
salário normal e uma satisfação profissional de ter feito um bom
trabalho. Para dar treinamentos tive que ir para Brasília algumas
vezes, ganhando diárias de 120 reais para pagar hotel, almoço, janta
e táxi. O moquifo mais barato em Brasília custa R$90 por dia. A
Receita não paga hora/aula para seus funcionários.
enviada por Luis Nassif
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Olivier Hallot
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