Rubens, o conceito de nacionalismo que temos atualmente é anacrônico. Pensamos assim: "nacionalista é aquele que defende os interesses do próprio país e não liga pro estrangeiro - quem quer q seja". O nacionalismo estava, naqueles idos, desprovido de qualquer referencia ideológica, por exemplo. Somente a direita, ultra-conservadora, atrelava ideologia ao nacionalismo. Imagine para um grupo de empresarios, ver o governo recebendo "Che" em Brasília (mesmo que por trás, estivessem acordos, como por exemplo, exportação de açúcar para o Brasil)... imagine os EUA, grande parceiro do Brasil até então, ver Jango visitando a China ou a URSS?
Nas decadas de 50/60, como falei, ser nacionalista era defender os interesses da industria nacional, entender o Estado como árbitro da economia, defesa da soberania nacional etc etc etc, MAS também agir como antípoda dos interesses imperialistas (imperialistas, nesse caso, estritamente atrelado à órbita estadunidense - que era, de fato, dominante na época). Jânio. nãoo queria ficar somente alinhado aos EUA. Por isso, promoveu a Política Externa Independente (PEI). Veja texto abaixo, que achei no Wikipedia: A *Política Externa Independente* (PEI) foi posta em prática entre 1961<http://pt.wikipedia.org/wiki/1961>e 1964 <http://pt.wikipedia.org/wiki/1964>, durante os governos de Jânio Quadros <http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%A2nio_Quadros> e João Goulart<http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Goulart>. Nesse período, a política externa é marcada pelo caráter pragmático e nacionalista. O nacionalismo <http://pt.wikipedia.org/wiki/Nacionalismo>foi, inclusive, um elemento importante na campanha presidencial de Jânio, em 1960 <http://pt.wikipedia.org/wiki/1960>. O termo foi cunhado por Clodoaldo Bueno e Amado Cervo <http://pt.wikipedia.org/wiki/Amado_Cervo> no livro "História da Política Exterior do Brasil". No contexto mundial predominavam a descolonização, a Revolução Cubana<http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_Cubana>e a crise nas relações entre URSS <http://pt.wikipedia.org/wiki/URSS> e Estados Unidos<http://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_Unidos>. Nesse cenário, o Brasil optou pelo não-alinhamento aos EUA, pois procurava obter vantagens para o País. Os EUA tinham receio de que a América Latina escapasse de sua órbita de influência com a crise no sistema interamericano propiciada pelo regime cubano. A PEI procurou também promover a abertura para a África<http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81frica>, ao mesmo tempo que tentava se afastar das posições de Portugal<http://pt.wikipedia.org/wiki/Portugal>, na medida em que esse país, sob o regime de Salazar<http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_de_Oliveira_Salazar>, praticava o colonialismo <http://pt.wikipedia.org/wiki/Colonialismo>. Outros fundamentos dessa política eram a mundialização das relações internacionais do Brasil; atuação sem compromissos ideológicos; ênfase na bissegmentação do mundo entre Norte e Sul, e não Leste-Oeste; expansão do comércio internacional; desejo de participação nas decisões internacionais; luta pelo desenvolvimento, pela paz e pelo desarmamento; e defesa da autodeterminação dos povos<http://pt.wikipedia.org/wiki/Autodetermina%C3%A7%C3%A3o_dos_povos>e do princípio de não-intervenção. Esses princípios estavam relacionados à luta em prol do desenvolvimento e da ampliação da produção, que impunham a necessidade de expansão dos mercados, independentemente de preocupações ideológicas. FG Em 21 de julho de 2010 08:17, Rubens <[email protected]> escreveu: > > > ... > FA| Nas decadas de 1950/1960, ou vc era uma coisa, ou outra. > | Como falei, época de Guerra Fria, bipolaridade (URSS x EUA). > | Se vc acreditava numa Política Externa Independente dos EUA, > | então, vc era acusado de ser "vermelho". > | Veja o Jânio... contatos com a URSS, China... recebeu (e > | condecorou) "Che" em Brasília... Aí eu pergunto: Jânio era > | comunista? Não! Era simpatizante de Moscou? Não! Apenas > | fazia uma política de terceira via. > > Bom, ate hoje eu nao vejo com bons olhos quem fica > de chamêgos com Fidel Castro e Hugo Chavez, nao vejo > porque nao ficar possesso com quem condecora Che em > plenos anos 50/60... :-) > > Mas voce disse que quem era nacionalista era visto > como comunista. Contatos com URSS e China e conde- > corar Che sao exemplos de nacionalismo? Isso aí, > pra mim, num mundo de guerra fria, está mais para > ser reddie mesmo... Aonde está o nacionalismo nessa > atitude? > > [ ] Rubens > > . > > > -- ---- Fabrício Augusto Souza Gomes [email protected] MSN: [email protected] Blog: http://fabriciosgomes.livejournal.com/
