On Thu, 6 Sep 2001 19:27:36 -0300
Everardo Ferreira Ara�jo <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> Fazer chacota com pessoas que n�o est�o "escutando" e ainda mais sem
> dizer os 
> motivos do argumento pra mim soa muito pouco honesto.
> 
> Quando o Kiss diz que as id�ias de RHS sobre propriedade intelectual s�o
> "t�o 
> simpl�rias quanto uma reda��o da primeira s�rie" o mesmo deveria dizer
> que 
> ideias s�o essas e em que s�o simpl�rias (pra completar ainda tira onda
> com 
> as crian�as que est�o aprendendo a escrever).


Com prazer.

<Disclaimer>
As id�ias postadas aqui sao minha *opiniao pessoal*, e nao tem
absolutamente a ver com a opiniao de qualquer pessoa ou organizacao com a
qual eu esteja/tenha estado envolvido comercialmente. Tamb�m nao � minha
intencao evangelizar ningu�m nem por a minha palavra como expressao unica
da verdade, apesar de achar que esta � uma das conclusoes l�gicas a que se
chega depois de uma cuidadosa an�lise. Como sempre, YMMV.
</Disclaimer>

Porque as id�ias de Richard Stallman sobre propriedade intelectual sao
simpl�rias:

Lenda numero 1: Propriedade intelectual "livre" gera inovacao - O conceito
de "software livre" como fator evolutivo � falho no ponto em que
entende-se que para haver inova��o � preciso pesquisa e desenvolvimento, e
para haver estes � preciso investimento. A falta de exemplos de inova��o
surgidos em ambiente de "software livre" � evidente no sentido em q, como
nao h� investimento em P&D, a dita 'comunidade' tende a clonar iniciativas
j� exploradas por outros grupos, j� que o resultado vis�vel de um
investimento financeiro em pesquisa pode na maioria dos casos ser
reimplementado a custo zero. Exemplos cl�ssicos sao os conceitos de
usabilidade dos computadores copiados de empresas que investiram em
pesquisa nessa �rea nas atuais interfaces gr�ficas abertas, os modelos de
programa��o distribuidos/componentizados, etc. Nos casos conhecidos de
inovacao surgida em ambiente aberto (veja bem, aberto, a tal da id�ia do
"software livre" nao era aplicada aqui, nem mesmo era usada a GPL nesses
casos) como servidores HTTP, DNS, TCP/IP integrado ao sistema operacional,
linguagens de formatacao como TeX, HTML etc., o financiamento em pesquisa
e desenvolvimento e os tais softwares nao surgiram de programadores
independentes comprometidos com uma id�ia de "software livre", mas de
entidades governamentais como universidades, ex�rcito, ou centros de
pesquisas de empresas q os mantinham para este unico proposito. Exemplos
interessantes do que acontece qd a pesquisa e desenvolvimento fica a cargo
de entidades com esse ponto de vista sao a distribuicao de Linux que se
diz livre, mas que nesse ambiente nao gerou producao de software nenhuma
apesar de um sistema de atualizacao (cujo conceito, BTW, j� existia em
outros ambientes proprietarios). Outro exemplo, mas nao tao gritante pois
nao � exatamente um produto da id�ia de "software livre" pregada por
Stallman � o sistema operacional derivado daquele de Berkeley que se diz
servidor mas at� hoje, quase dez anos depois, engasga no suporte a mais de
um processador. No per�odo em q estes evoluiam em ambiente aberto,
software propriet�rio equivalente (versoes do Windows, Mac OS, Solaris,
AIX) davam largos passos nas �reas de escalabilidade, usabilidade e
criacaod e novas interfaces de intera��o com o usu�rio (reconhecimento de
voz, de gestos, etc.).  Obviamente, s� demonstraram avan�os aqueles
softwares nos quais eram investidos tempo e dinheiro em pesquisa e
desenvolvimento, os que estagnaram logo logo desapareceram tambem, aonde
eu chego � conclusao que, se o "software livre" gerado por essa
metodologia fosse fornecido em igualdade de concorrencia com as
alternativas propriet�rias, ou seja, custando uma certa soma, logo
desapareceria.

Lenda numero 2: Suporte em propriedade intelectual "livre" � lucrativo
para todos - Errado, � lucrativo para grandes grupos. A distribuicao de
software como chamariz para a presta��o de servi�os � economicamente
invi�vel para o desenvolvedor, pois para conquistar mercado ele
necessitaria al�m de distribuir o software, prestar servi�os diferenciados
em relacao aos N concorrentes que j� conhecem o funcionamento interno do
software e por isso mesmo podem ter qualidade de servico igual � do
proprio desenvolvedor. No meio desse mar de possibilidades, h;a sempre os
tubar�es, como as IBMs da vida que, tendo hordas de programadores
contratados para estudar o programa, e tendo uma rede de suporte ampla e
nome conhecido, podem assim que perceberem um software lucrativo, sufocar
o desenvolvedor principal justamente onde ele precisa obter capital, i.e.,
na prestacao de servicos, oferecendo precos menores e "marca", e assim que
este for eliminado, manter uma virtual exclusividade do suporte em cima
deste software. Nao que nao possam surgir outros prestadores de servicos,
mas que podem ser eliminados da mesmissima forma usando das mesmas
tecnicas de eliminacao do anterior. 

Mesmo assim,  a atual queda da demanda do 'outsourcing' (eu j� atuei e
conheco pessoas q atuam nessa �rea e sei como caiu), e o medo das pessoas
de se ater a uma solucao tecnologica, livre ou n�o, e depender de suporte
t�cnico, vem gerando uma imensa sucessao de quebradeira e anuncios de
demissoes das ditas empresas de "servicos" em Linux, como os recentes
anuncios da SuSE, Conectiva, RH, Linuxcare... Nao s� as de Linux, mas
tamb�m a maioria das empresas que prestam servi�os em tecnologia. Exceto
as que tem outros meios de renda, como a venda de software + servicos ou
venda de hardware + servicos. Ou seja, a democratizacao do software tendo
como base de sustentacao financeira unica a prestacao de servicos como
est� atualmente formulada s� pode ser aplicada por grupos economicos j�
fundamentados que podem perfeitamente manter pesquisa e desenvolvimento
com a renda surgida da venda de produtos que nao tenham a ver com software
livre, e que j� tenham uma rede de suporte s�lida nesses produtos, i.e.
empresas de hardware e telecomunica��es, que tem um hist�rico conhecido de
sufocamento de concorrentes. 

E isso pq eu nao citei o fato de q vc TAMB�M pode cobrar suporte por seu
software propriet�rio cobrando tamb�m licen�as de uso do mesmo, sem sofrer
concorrencia desleal de elementos que nao escreveram sequer uma unica
linha do programa, pois eles nao saberao o funcionamento interno do
programa no mesmo n�vel que vc. 

Lenda n�mero 3: Propriedade intelectual "livre" estimula a concorrencia -
Essa n�o precisa nem de muitas explicacoes: propriedade intelectual
"livre" s� tem concorr�ncia justa com outra propriedade intelectual
"livre", pois como est� sendo oferecido de gra�a, se competindo por
mercado com software propriet�rio que nao possa tamb�m fazer o mesmo, isso
nao � concorrencia, � dumping. Mesmissimo caso q ocorreu com o IE vs
Netscape, que, olha a coincidencia, caiu para 2% dos usu�rios com a nova
vers�o do seu produto "livre". 

H� tamb�m minha comparacao de algumas semanas atr�s de software com livros
e cds, q nao vale a pena repetir aqui.

Embora eu ache que software aberto tem um belo futuro com determinada
categoria de usu�rios ou como fator de manutencao das divisas de um pa�s
(e.g., caso atual do FUST), as id�ias de Richard Stallman em relacao �
livre categorizacao de todos os aspectos da producao intelectual e a
substituicao do modelo de venda de software fechado atual pela sua id�ia
de "software livre" sao para mim um enorme amontoado de baboseiras que nao
tem lugar numa sociedade onde existe concorrencia e contas a pagar. Sobre
o seu coment�rio insinuando q sou desonesto por dizer coisas sobre pessoas
q nao podem ver, nao se preocupe. Se eu falo isso assinado com meu nome
numa lista p�blica com 2300 pessoas, posso falar para qualquer um, a
qualquer hora, em qualquer lugar. O que nao impede que amanha ou depois eu
reformule minhas conclusoes. Nao tenho vergonha de mudar de id�ia. Tenho
vergonha de nao ter id�ia pra mudar.

PS: nao esperem tr�plicas minhas a r�plicas dessa mensagem. Nao tenho
tempo nem estou a fim de escrever tanto, pois sei q se o fizer, vou gerar
mais uma thread enorme que no final nao vai levar a lugar nenhum, pois s�
vao trazer opinioes estritamente pessoais, como esta.   
Thiago

-- 
Eu penso, logo existo. (Racionalismo filos�fico)
Batata n�o pensa, logo n�o existe. (Conclus�o l�gica)

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