Isso sim é bla bla bla.
É muito simples, distinguir um do outro, se um grupo de "samba" estiver cantando uma musica melosa, cheia de uiuiuis e aiaiais, um deles no vocal e o resto dançando uma coreografia bem boba e cantando um back vocal mais bobo ainda, isso é pagode ........ se a musica for boa, com letra que diga alguma coisa, que faça agente pensar, ou seja, que não seja uma música descartável........ aí isso é Samba.
Abs.
Caio Pontual.




----- Original Message ----- From: "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>
To: "vini correia" <[EMAIL PROTECTED]>
Cc: <[email protected]>
Sent: Thursday, February 21, 2008 6:52 PM
Subject: Re: [S-C] Pagode ou Samba?


Coragem tribuneiros, o dever parece nos chamar....

Camarada Vini,

Verdadeiramente essa história de samba e pagode é um grande engodo.
Funciona assim: existe no Brasil uma elite cultural que se apropriou
da cultura popular desse país desde os tempos de Villa-Lobos, que
prestou serviços memoráveis ao fascismo getulista. Este Maestro Heitor
tornou obrigatório o aprendizado de "Canto Orfeônico" em todas as
escolas brasileiras. O Conselho de Intelectuais que referendou o
Estado Novo (com Gustavo Capanema, Oswaldo Cruz, Villa, Niemeyer e
Portinari, entre outros). Em termos gerais, neste período, investiu-se
na formação de uma "elite capaz de comandar a nação".  Mas a estrutura
da propaganda oficial tinha planos ambiciosos para a cultura popular,
especialmente o samba, gênero preferido do emergente operariado
urbano.

Já em 1935 a Prefeitura do Distrito Federal decidiu pela estatização
do Carnaval, organizando e ditando as regras de como deveria ser a
"festa popular", regulamentando os desfiles das escolas de Samba. Em
1937 um decreto constitucional impunha o caráter didático às escolas
de Samba e aos ranchos, que deveriam abordar temas nacionais e
patrióticos.

Ações do governo procuram fazer do samba um gênero bem-comportado. Ao
invés de proibí-lo como se fazia no início do século, Vargas passou a
apoiá-lo. Claro que, com isso, incorporando-o aos interesses da elite
condutora. O samba perdia seu caráter de resistência e passava a
assumir um estilo de exaltação ao trabalho e aso valores defendidos
pelo Estado Novo. A malandragem deveria estar de fora. O outrora
malandro Wilson Batista compôs a célebre letra pelega de "O Bonde São
Januário" e ganhou uma aposentadoria em uma autarquia federal.
Pixinguinha também compôs sambas que exaltavam o Estado Novo, como
"Salve 19 de Abril", com Benedito Lacerda, cuja letra é um fenômeno de
puxa-saquismo político.

A coisa se complicou um pouco mais após a criação do MIS, em 1965, em
plena Ditadura Militar, pelo então governador da Guanabara, Carlos
Lacerda. O MIS, de fato, foi o organismo apropriativo da Cultura
Popular, um verdadeiro donatário. Pelas linhagens de pesquisa do MIS,
muito daquilo que pode ser definido como padrão para a cultura
popular, especialmente a música se definiu aqui. Para o MIS, música
popular é , principalmente, aquela ligada essencialmente à tradição e,
consequencia do encabeçamento ditado por Ricardo Cravo Albim,  à
modernidade. Entenda-se: Djavan é modernidade, é "boa arte popular".
Monsueto é "tradição", também "boa arte popular popular". Já Agepê não
se liga à estes rótulos. Faz sua arte pura e simples e - pior de tudo
- faz sucesso. Nada é mais cafona do que o sucesso. A "elite capaz de
comandar a nação" ( a mesma de 7, 8 décadas atrás) continua dona
daquilo que julga ser a verdadeira cultura popular.

Diante disso, nos anos 80, com uma nova geração de sambistas ganhando
razoável espaço e conquistando setores do zé-povinho foi necessário
que se criasse um rótulo mais simples pra definir aquilo que era a
arte popular cuja obra é propriedade exclusiva de uma elite
intelectual e aquela outra que o povão insiste em escutar pedir nas
rádios.

Vejam o diálogo:

"Vamos chamar a música do Fundo de Quintal, do Agepê, do Benito, do
Jorge Aragão, do Agepê de um nome diferente. Não quero falar para os
meus amigos que escuto o mesmo gênero musical que minha cozinheira e
meu motorista. Eu sou diferente. Tenho estirpe. Eu fico com o Brancura
e o Alvaiade. Eles com Benito di Paula e Luiz Ayrão."

"Mas, Dr. Fernandes, é tudo samba!!"

"Não...Tudo samba não. Eu escuto samba. Eles escutam outra coisa.
Depois a gente pensa no nome".

"Dr. Fernandes, que tal chamar o samba que tocar no rádio da Marinalva
de pagode?"

"Pagode?? Bom nome. Passa uma impressão ruim, de pobreza..."

"Ok, fechado. Amanhã coloco na minha coluna no jornal."

E foi assim que ficou.

Abs,

Eugenio

"Que me perdoe se eu insisto nesse tema. Mas não sei fazer poema ou
canção que fale de outra coisa que não seja o amor. Se o quadradismo
dos meus versos vai de encontro aos intelectos que não usam o coração
como expressão"





Em 21/02/08, vini correia<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
Olá pessoal da tribuna, desculpe minha ignorancia sambistica, mas tenho uma
 dúvida e gostaria de saber qual a diferença entre samba e pagode!! Alguém
 pode me ajudar?

segue abaixo alguns comentários que ouvi pelas ruas e bares, mas ainda não
 foram suficientes para se chegar a uma conclusão:

 - "Samba é raiz. Pagode é praga."

 - "a grafia e a pronúncia, mas tem que prestar bastante atenção"

 - "É o mesmo que comparar Funk Carioca com Funk de verdade"

 - "antes de tudo, é necessário convivência com o samba. Escute vários
 autores, mergulhe em rodas de samba, ouça muitas gravações, entre no
universo de Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Candeia, Donga,
 Ismael, Noel, Ary Barroso, Geraldo Pereira, Ataulfo, Chico Buarque, Ivone
Lara, Monarco, João Nogueira, Martinho, Adoniran, Vanzolini, Wilson Batista, Caymmi, Elton Medeiros, Baden Powell, Wilson Moreira, Nelson Sargento, Paulo
 Cesar Pinheiro e mais um enorme etc. > Mais do que diferenças técnicas,
 formais ou estilísticas, você vai sentir diferenças culturais. Isso não
acontece à primeira audição, para quem está "começando a ouvir". Estes nomes criaram, estilizaram ou desenvolveram formas de expressão que entrelaçam uma
 profunda identificação com os elementos fundamentais do samba (ritmo,
harmonia, melodia, letra, instrumentação) com a criação individual, a visão do artista. Os resultados são muito diversos, há muita riqueza de detalhes a
 conhecer. > O chamado pagode efetua uma diluição destes elementos,
banalizando letras e procedimentos musicais, visando muito mais um resultado comercial imediato do que uma necessidade íntima de expressão (ou coletiva, de identidade cultural). Não há grandes autores no pagode, poetas notáveis ou compositores inspirados. As letras parecem com as de duplas breganejas.
 Não há inovações sonoras, mas descaracterizações, misturas aleatórias.
 Busca-se a imitação de modelos midiaticamente bem sucedidos, e não um
reconhecimento da comunidade de onde vieram. Por isso diz-se também que são diferentes do samba "de raiz", são desenraizados, aculturados. Repetem-se, musical e poeticamente, até a exaustão. Tendem ao desaparecimento, em pouco
 tempo. "" Daniel Brazil (site samba choro)
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