Domingo lá na casa do Vavá, teve um tremendo PAGODE que você nem pode imaginar 
- Paulinho da Viola.

Quitandeiro, leva cheiro e tomate, na casa ... mas não se esqueça de avisar a 
nega Estela, que o pessoal da Portela, vai cantar partido alto, vai ter PAGODE 
até o dia amanhecer...

Pagode, na verdade não é um estilo, mas a reunião das pessoas para cantar 
samba. O que se canta num verdadeiro é samba, e do bom, PARTIDO ALTO DA PESADA. 
Não creio que gente como Paulinho da Viola e Monarco, bem antes da moda do 
"pagode" pegar, tenha usado o termo de maneira equivocada.

O uso do termo para uma subespécie de música puramente comercial não nos pode 
levar a condená-lo, até porque há um certo ranço e generalização nisto. Fundo 
de quintal, Beth Carvalho, entre outros, cantam pagode do bom. E até mesmo 
alguns conjuntos do chamado "pagode" misturam boas músicas a péssimas músicas 
puramente comercial (ex. Revelação, capaz de gravar coisas horrendas e lançar 
algo tão bom quanto o Samba de Arerê).

Um abraço

Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: Isso sim é bla bla bla.
É muito simples, distinguir um do outro, se um grupo de "samba" estiver 
cantando uma musica melosa, cheia de uiuiuis e aiaiais, um deles no vocal e 
o resto dançando uma coreografia bem boba e cantando um back vocal mais bobo 
ainda, isso é pagode ........ se a musica for boa, com letra que diga alguma 
coisa, que faça agente pensar, ou seja, que não seja uma música 
descartável........ aí isso é Samba.
Abs.
Caio Pontual.




----- Original Message ----- 
From: "Eugenio Raggi" 
To: "vini correia" 
Cc: 
Sent: Thursday, February 21, 2008 6:52 PM
Subject: Re: [S-C] Pagode ou Samba?


Coragem tribuneiros, o dever parece nos chamar....

Camarada Vini,

Verdadeiramente essa história de samba e pagode é um grande engodo.
Funciona assim: existe no Brasil uma elite cultural que se apropriou
da cultura popular desse país desde os tempos de Villa-Lobos, que
prestou serviços memoráveis ao fascismo getulista. Este Maestro Heitor
tornou obrigatório o aprendizado de "Canto Orfeônico" em todas as
escolas brasileiras. O Conselho de Intelectuais que referendou o
Estado Novo (com Gustavo Capanema, Oswaldo Cruz, Villa, Niemeyer e
Portinari, entre outros). Em termos gerais, neste período, investiu-se
na formação de uma "elite capaz de comandar a nação".  Mas a estrutura
da propaganda oficial tinha planos ambiciosos para a cultura popular,
especialmente o samba, gênero preferido do emergente operariado
urbano.

Já em 1935 a Prefeitura do Distrito Federal decidiu pela estatização
do Carnaval, organizando e ditando as regras de como deveria ser a
"festa popular", regulamentando os desfiles das escolas de Samba. Em
1937 um decreto constitucional impunha o caráter didático às escolas
de Samba e aos ranchos, que deveriam abordar temas nacionais e
patrióticos.

Ações do governo procuram fazer do samba um gênero bem-comportado. Ao
invés de proibí-lo como se fazia no início do século, Vargas passou a
apoiá-lo. Claro que, com isso, incorporando-o aos interesses da elite
condutora. O samba perdia seu caráter de resistência e passava a
assumir um estilo de exaltação ao trabalho e aso valores defendidos
pelo Estado Novo. A malandragem deveria estar de fora. O outrora
malandro Wilson Batista compôs a célebre letra pelega de "O Bonde São
Januário" e ganhou uma aposentadoria em uma autarquia federal.
Pixinguinha também compôs sambas que exaltavam o Estado Novo, como
"Salve 19 de Abril", com Benedito Lacerda, cuja letra é um fenômeno de
puxa-saquismo político.

A coisa se complicou um pouco mais após a criação do MIS, em 1965, em
plena Ditadura Militar, pelo então governador da Guanabara, Carlos
Lacerda. O MIS, de fato, foi o organismo apropriativo da Cultura
Popular, um verdadeiro donatário. Pelas linhagens de pesquisa do MIS,
muito daquilo que pode ser definido como padrão para a cultura
popular, especialmente a música se definiu aqui. Para o MIS, música
popular é , principalmente, aquela ligada essencialmente à tradição e,
consequencia do encabeçamento ditado por Ricardo Cravo Albim,  à
modernidade. Entenda-se: Djavan é modernidade, é "boa arte popular".
Monsueto é "tradição", também "boa arte popular popular". Já Agepê não
se liga à estes rótulos. Faz sua arte pura e simples e - pior de tudo
- faz sucesso. Nada é mais cafona do que o sucesso. A "elite capaz de
comandar a nação" ( a mesma de 7, 8 décadas atrás) continua dona
daquilo que julga ser a verdadeira cultura popular.

Diante disso, nos anos 80, com uma nova geração de sambistas ganhando
razoável espaço e conquistando setores do zé-povinho foi necessário
que se criasse um rótulo mais simples pra definir aquilo que era a
arte popular cuja obra é propriedade exclusiva de uma elite
intelectual e aquela outra que o povão insiste em escutar pedir nas
rádios.

Vejam o diálogo:

"Vamos chamar a música do Fundo de Quintal, do Agepê, do Benito, do
Jorge Aragão, do Agepê de um nome diferente. Não quero falar para os
meus amigos que escuto o mesmo gênero musical que minha cozinheira e
meu motorista. Eu sou diferente. Tenho estirpe. Eu fico com o Brancura
e o Alvaiade. Eles com Benito di Paula e Luiz Ayrão."

"Mas, Dr. Fernandes, é tudo samba!!"

"Não...Tudo samba não. Eu escuto samba. Eles escutam outra coisa.
Depois a gente pensa no nome".

"Dr. Fernandes, que tal chamar o samba que tocar no rádio da Marinalva
de pagode?"

"Pagode?? Bom nome. Passa uma impressão ruim, de pobreza..."

"Ok, fechado. Amanhã coloco na minha coluna no jornal."

E foi assim que ficou.

Abs,

Eugenio

"Que me perdoe se eu insisto nesse tema. Mas não sei fazer poema ou
canção que fale de outra coisa que não seja o amor. Se o quadradismo
dos meus versos vai de encontro aos intelectos que não usam o coração
como expressão"





Em 21/02/08, vini correia escreveu:
> Olá pessoal da tribuna, desculpe minha ignorancia sambistica, mas tenho 
> uma
>  dúvida e gostaria de saber qual a diferença entre samba e pagode!! Alguém
>  pode me ajudar?
>
>  segue abaixo alguns comentários que ouvi pelas ruas e bares, mas ainda 
> não
>  foram suficientes para se chegar a uma conclusão:
>
>  - "Samba é raiz. Pagode é praga."
>
>  - "a grafia e a pronúncia, mas tem que prestar bastante atenção"
>
>  - "É o mesmo que comparar Funk Carioca com Funk de verdade"
>
>  - "antes de tudo, é necessário convivência com o samba. Escute vários
>  autores, mergulhe em rodas de samba, ouça muitas gravações, entre no
>  universo de Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Candeia, 
> Donga,
>  Ismael, Noel, Ary Barroso, Geraldo Pereira, Ataulfo, Chico Buarque, Ivone
>  Lara, Monarco, João Nogueira, Martinho, Adoniran, Vanzolini, Wilson 
> Batista,
>  Caymmi, Elton Medeiros, Baden Powell, Wilson Moreira, Nelson Sargento, 
> Paulo
>  Cesar Pinheiro e mais um enorme etc. > Mais do que diferenças técnicas,
>  formais ou estilísticas, você vai sentir diferenças culturais. Isso não
>  acontece à primeira audição, para quem está "começando a ouvir". Estes 
> nomes
>  criaram, estilizaram ou desenvolveram formas de expressão que entrelaçam 
> uma
>  profunda identificação com os elementos fundamentais do samba (ritmo,
>  harmonia, melodia, letra, instrumentação) com a criação individual, a 
> visão
>  do artista. Os resultados são muito diversos, há muita riqueza de 
> detalhes a
>  conhecer. > O chamado pagode efetua uma diluição destes elementos,
>  banalizando letras e procedimentos musicais, visando muito mais um 
> resultado
>  comercial imediato do que uma necessidade íntima de expressão (ou 
> coletiva,
>  de identidade cultural). Não há grandes autores no pagode, poetas 
> notáveis
>  ou compositores inspirados. As letras parecem com as de duplas 
> breganejas.
>  Não há inovações sonoras, mas descaracterizações, misturas aleatórias.
>  Busca-se a imitação de modelos midiaticamente bem sucedidos, e não um
>  reconhecimento da comunidade de onde vieram. Por isso diz-se também que 
> são
>  diferentes do samba "de raiz", são desenraizados, aculturados. 
> Repetem-se,
>  musical e poeticamente, até a exaustão. Tendem ao desaparecimento, em 
> pouco
>  tempo. "" Daniel Brazil (site samba choro)
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