Nossa, como o Eugênio escreve merda! Não tem nada a ver com nada estas linhs
que ele escreveu.

sério mesmo, eugênio, não fala o que você não sabe porque assim você
confunde mais as pessoas.




On 2/22/08, Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
>
> Isso sim é bla bla bla.
> É muito simples, distinguir um do outro, se um grupo de "samba" estiver
> cantando uma musica melosa, cheia de uiuiuis e aiaiais, um deles no vocal
> e
> o resto dançando uma coreografia bem boba e cantando um back vocal mais
> bobo
> ainda, isso é pagode ........ se a musica for boa, com letra que diga
> alguma
> coisa, que faça agente pensar, ou seja, que não seja uma música
> descartável........ aí isso é Samba.
> Abs.
> Caio Pontual.
>
>
>
>
> ----- Original Message -----
> From: "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>
> To: "vini correia" <[EMAIL PROTECTED]>
> Cc: <[email protected]>
> Sent: Thursday, February 21, 2008 6:52 PM
> Subject: Re: [S-C] Pagode ou Samba?
>
>
> Coragem tribuneiros, o dever parece nos chamar....
>
> Camarada Vini,
>
> Verdadeiramente essa história de samba e pagode é um grande engodo.
> Funciona assim: existe no Brasil uma elite cultural que se apropriou
> da cultura popular desse país desde os tempos de Villa-Lobos, que
> prestou serviços memoráveis ao fascismo getulista. Este Maestro Heitor
> tornou obrigatório o aprendizado de "Canto Orfeônico" em todas as
> escolas brasileiras. O Conselho de Intelectuais que referendou o
> Estado Novo (com Gustavo Capanema, Oswaldo Cruz, Villa, Niemeyer e
> Portinari, entre outros). Em termos gerais, neste período, investiu-se
> na formação de uma "elite capaz de comandar a nação".  Mas a estrutura
> da propaganda oficial tinha planos ambiciosos para a cultura popular,
> especialmente o samba, gênero preferido do emergente operariado
> urbano.
>
> Já em 1935 a Prefeitura do Distrito Federal decidiu pela estatização
> do Carnaval, organizando e ditando as regras de como deveria ser a
> "festa popular", regulamentando os desfiles das escolas de Samba. Em
> 1937 um decreto constitucional impunha o caráter didático às escolas
> de Samba e aos ranchos, que deveriam abordar temas nacionais e
> patrióticos.
>
> Ações do governo procuram fazer do samba um gênero bem-comportado. Ao
> invés de proibí-lo como se fazia no início do século, Vargas passou a
> apoiá-lo. Claro que, com isso, incorporando-o aos interesses da elite
> condutora. O samba perdia seu caráter de resistência e passava a
> assumir um estilo de exaltação ao trabalho e aso valores defendidos
> pelo Estado Novo. A malandragem deveria estar de fora. O outrora
> malandro Wilson Batista compôs a célebre letra pelega de "O Bonde São
> Januário" e ganhou uma aposentadoria em uma autarquia federal.
> Pixinguinha também compôs sambas que exaltavam o Estado Novo, como
> "Salve 19 de Abril", com Benedito Lacerda, cuja letra é um fenômeno de
> puxa-saquismo político.
>
> A coisa se complicou um pouco mais após a criação do MIS, em 1965, em
> plena Ditadura Militar, pelo então governador da Guanabara, Carlos
> Lacerda. O MIS, de fato, foi o organismo apropriativo da Cultura
> Popular, um verdadeiro donatário. Pelas linhagens de pesquisa do MIS,
> muito daquilo que pode ser definido como padrão para a cultura
> popular, especialmente a música se definiu aqui. Para o MIS, música
> popular é , principalmente, aquela ligada essencialmente à tradição e,
> consequencia do encabeçamento ditado por Ricardo Cravo Albim,  à
> modernidade. Entenda-se: Djavan é modernidade, é "boa arte popular".
> Monsueto é "tradição", também "boa arte popular popular". Já Agepê não
> se liga à estes rótulos. Faz sua arte pura e simples e - pior de tudo
> - faz sucesso. Nada é mais cafona do que o sucesso. A "elite capaz de
> comandar a nação" ( a mesma de 7, 8 décadas atrás) continua dona
> daquilo que julga ser a verdadeira cultura popular.
>
> Diante disso, nos anos 80, com uma nova geração de sambistas ganhando
> razoável espaço e conquistando setores do zé-povinho foi necessário
> que se criasse um rótulo mais simples pra definir aquilo que era a
> arte popular cuja obra é propriedade exclusiva de uma elite
> intelectual e aquela outra que o povão insiste em escutar pedir nas
> rádios.
>
> Vejam o diálogo:
>
> "Vamos chamar a música do Fundo de Quintal, do Agepê, do Benito, do
> Jorge Aragão, do Agepê de um nome diferente. Não quero falar para os
> meus amigos que escuto o mesmo gênero musical que minha cozinheira e
> meu motorista. Eu sou diferente. Tenho estirpe. Eu fico com o Brancura
> e o Alvaiade. Eles com Benito di Paula e Luiz Ayrão."
>
> "Mas, Dr. Fernandes, é tudo samba!!"
>
> "Não...Tudo samba não. Eu escuto samba. Eles escutam outra coisa.
> Depois a gente pensa no nome".
>
> "Dr. Fernandes, que tal chamar o samba que tocar no rádio da Marinalva
> de pagode?"
>
> "Pagode?? Bom nome. Passa uma impressão ruim, de pobreza..."
>
> "Ok, fechado. Amanhã coloco na minha coluna no jornal."
>
> E foi assim que ficou.
>
> Abs,
>
> Eugenio
>
> "Que me perdoe se eu insisto nesse tema. Mas não sei fazer poema ou
> canção que fale de outra coisa que não seja o amor. Se o quadradismo
> dos meus versos vai de encontro aos intelectos que não usam o coração
> como expressão"
>
>
>
>
>
> Em 21/02/08, vini correia<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> > Olá pessoal da tribuna, desculpe minha ignorancia sambistica, mas tenho
> > uma
> >  dúvida e gostaria de saber qual a diferença entre samba e pagode!!
> Alguém
> >  pode me ajudar?
> >
> >  segue abaixo alguns comentários que ouvi pelas ruas e bares, mas ainda
> > não
> >  foram suficientes para se chegar a uma conclusão:
> >
> >  - "Samba é raiz. Pagode é praga."
> >
> >  - "a grafia e a pronúncia, mas tem que prestar bastante atenção"
> >
> >  - "É o mesmo que comparar Funk Carioca com Funk de verdade"
> >
> >  - "antes de tudo, é necessário convivência com o samba. Escute vários
> >  autores, mergulhe em rodas de samba, ouça muitas gravações, entre no
> >  universo de Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Candeia,
> > Donga,
> >  Ismael, Noel, Ary Barroso, Geraldo Pereira, Ataulfo, Chico Buarque,
> Ivone
> >  Lara, Monarco, João Nogueira, Martinho, Adoniran, Vanzolini, Wilson
> > Batista,
> >  Caymmi, Elton Medeiros, Baden Powell, Wilson Moreira, Nelson Sargento,
> > Paulo
> >  Cesar Pinheiro e mais um enorme etc. > Mais do que diferenças técnicas,
> >  formais ou estilísticas, você vai sentir diferenças culturais. Isso não
> >  acontece à primeira audição, para quem está "começando a ouvir". Estes
> > nomes
> >  criaram, estilizaram ou desenvolveram formas de expressão que
> entrelaçam
> > uma
> >  profunda identificação com os elementos fundamentais do samba (ritmo,
> >  harmonia, melodia, letra, instrumentação) com a criação individual, a
> > visão
> >  do artista. Os resultados são muito diversos, há muita riqueza de
> > detalhes a
> >  conhecer. > O chamado pagode efetua uma diluição destes elementos,
> >  banalizando letras e procedimentos musicais, visando muito mais um
> > resultado
> >  comercial imediato do que uma necessidade íntima de expressão (ou
> > coletiva,
> >  de identidade cultural). Não há grandes autores no pagode, poetas
> > notáveis
> >  ou compositores inspirados. As letras parecem com as de duplas
> > breganejas.
> >  Não há inovações sonoras, mas descaracterizações, misturas aleatórias.
> >  Busca-se a imitação de modelos midiaticamente bem sucedidos, e não um
> >  reconhecimento da comunidade de onde vieram. Por isso diz-se também que
> > são
> >  diferentes do samba "de raiz", são desenraizados, aculturados.
> > Repetem-se,
> >  musical e poeticamente, até a exaustão. Tendem ao desaparecimento, em
> > pouco
> >  tempo. "" Daniel Brazil (site samba choro)
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