Alexandre,

Prepara-te. O professor vem aí...

Abraçss

Alexandre Figueiredo Pereira <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: Pessoal,
   
  Acho muito perigoso esse papo de "verdadeira música popular" como um recurso 
apenas para se contrapor ao que a intelectualidade e as elites nacionalistas 
apoiam. 
   
  É verdade que a Música Popular Brasileira, como ela se concebeu a partir da 
fusão dos grupos ideológicos da Bossa Nova e dos Centros Populares de Cultura 
nos festivais da canção em 1965, se tornou predominantemente de classe média, 
universitária etc..
   
  Mas vejo muita demagogia e muita hipocrisia quando as pessoas chamam de 
"verdadeira música popular" essas coisas grosseiras como Exaltasamba, Bruno¨& 
Marrone, Daniel, Tati Quebra-Barraco, Asa de Águia, Banda Calypso, só porque 
seus membros tiveram, em tese, origem pobre, ou porque caem mais facilmente na 
"boca do povo".
   
  Primeiro, isso é uma visão elitista, que ganha facilmente o apoio dos 
veículos da grande mídia, que é associar a idéia de "cultura popular" ao 
grosseiro, ao pitoresco, ao aberrante. A história de nossa cultura comprova, em 
dados concretos, que a cultura popular nunca esteve associada ao grotesco. O 
sambe de roda que os escravos faziam tinha inteligência, espontaneidade, arte, 
dignidade, mesmo quando fazia brincadeiras maliciosas. Já o "pagodão" 
pós-Tchan, que tenta se vincular à falsa idéia de um "novo samba de roda", é 
milimetricamente calculado pelos seus empresários.
   
  Muito dessa música brega-popularesca que está aí, associada à "verdadeira 
cultura popular" de que falam Hermano Vianna, Paulo César Araújo, Milton Moura 
(UFBA), Regina Casé, Patrícia Pillar e outros entre ingênuos ou oportunistas, 
na verdade pouco têm a ver com a verdadeira cultura popular. Sejam os bregas 
"de raiz" tipo Waldick Soriano e Odair José, sejam os grotescos explícitos tipo 
Banda Calypso e Tati Quebra-Barraco, sejam os pedantes pseudo-MPB e altamente 
canastrões tipo Chitãozinho & Xororó, Alexandre Pires, Zezé Di Camargo & 
Luciano e Grupo Revelação, todos eles não passam de pupilos dos executivos da 
grande mídia, símbolos desse populismo televisivo e radiofônico que contou com 
o apoio mais do que explícito dos mais reacionários políticos de direita, como 
Fernando Collor, Renan Calheiros, Antônio Carlos Magalhães, etc..
   
  Isso sem falar que o sucesso "espontâneo" dessa "verdadeira música popular" 
se deveu, e muito, pela decisiva farra de concessões de rádio e TV de ACM e 
Sarney para políticos e empresários aliados aos dois, nos anos 80. Se não fosse 
essa falcatrua toda, ao invés de termos Alexandre Pires e Belo como grandes 
ídolos, teríamos Wilson Simoninha e Pedro Luís. Ao invés de termos Ivete 
Sangalo ou Cláudia Leitte, teríamos, por exemplo, Roberta Sá como nossa diva 
maior.
   
  Bom, é isso. Abraços a todos.
   
  Alexandre Figueiredo
   
  ENSAIOS PATRIMONIAIS
  http://br.geocities.com/alexfig1971

       
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