Pelo que li das respostas e o que deu para refletir. Tive a impressao que a visão do Roberto sobre a diferença entre samba x pagode seja a mais coerente. Pagode nao é ritmo, e sim, a reuniao de pessoas pra cantar samba. Podemos comprovar, de certa forma, com a letra do mestre Paulinho da Viola. Existe um certo ranço-preconceito contra a palavra pagode. O que Paulinho, Monarco, ou até mesmo o saudoso Bezerra da Silva falaria sobre isso? Não sei. Imagino que a etimologia da palavra acabou se perdendo com o tempo, ou seja, hoje pagode tem um significado pejorativo, negativo, ao contrario de antigamente, seguinifica "samba" de baixa qualidade. Algumas pessoas confudem partido-alto com pagode também, etc. Mas isso é normal, não é novidade, acontece com todos os seguimentos da musica. Imaginem se tivermos discutindo o que é rock? Existe uma gama de estilos dentro do rock: indie, trash, beatnik, rockabilly, metal, meloso, gotico, etc...o samba é generico, pois tem diferença de estilos como o partido alto, samba enredo, samba de roda, choro, samba-cançao, etc... no rock tem o underground de um lado, tem o comercial do outro. E isto acontece também com o samba.
Conclusão, o que Beth Carvalho, Zeca, Bezerra, FDQ,Jorge Aragao, Arlindo Cruz & Cia, cantam é samba....pode ser um samba popular, diferente de jamelao, nelson cavaquinho, paulinho, cartola, noel & Cia, mas é samba também!! Aquele samba cantado com uiuiui aiaiai meloso de doer, não é samba, e pelo visto, nem pagode.... On 2/23/08, Roberto Ponciano <[EMAIL PROTECTED]> wrote: > > Domingo lá na casa do Vavá, teve um tremendo PAGODE que você nem pode > imaginar - Paulinho da Viola. > > Quitandeiro, leva cheiro e tomate, na casa ... mas não se esqueça de > avisar a nega Estela, que o pessoal da Portela, vai cantar partido alto, vai > ter PAGODE até o dia amanhecer... > > Pagode, na verdade não é um estilo, mas a reunião das pessoas para cantar > samba. O que se canta num verdadeiro é samba, e do bom, PARTIDO ALTO DA > PESADA. Não creio que gente como Paulinho da Viola e Monarco, bem antes da > moda do "pagode" pegar, tenha usado o termo de maneira equivocada. > > O uso do termo para uma subespécie de música puramente comercial não nos > pode levar a condená-lo, até porque há um certo ranço e generalização nisto. > Fundo de quintal, Beth Carvalho, entre outros, cantam pagode do bom. E até > mesmo alguns conjuntos do chamado "pagode" misturam boas músicas a péssimas > músicas puramente comercial (ex. Revelação, capaz de gravar coisas horrendas > e lançar algo tão bom quanto o Samba de Arerê). > > Um abraço > > Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: Isso sim é bla bla bla. > É muito simples, distinguir um do outro, se um grupo de "samba" estiver > cantando uma musica melosa, cheia de uiuiuis e aiaiais, um deles no vocal > e > o resto dançando uma coreografia bem boba e cantando um back vocal mais > bobo > ainda, isso é pagode ........ se a musica for boa, com letra que diga > alguma > coisa, que faça agente pensar, ou seja, que não seja uma música > descartável........ aí isso é Samba. > Abs. > Caio Pontual. > > > > > ----- Original Message ----- > From: "Eugenio Raggi" > To: "vini correia" > Cc: > Sent: Thursday, February 21, 2008 6:52 PM > Subject: Re: [S-C] Pagode ou Samba? > > > Coragem tribuneiros, o dever parece nos chamar.... > > Camarada Vini, > > Verdadeiramente essa história de samba e pagode é um grande engodo. > Funciona assim: existe no Brasil uma elite cultural que se apropriou > da cultura popular desse país desde os tempos de Villa-Lobos, que > prestou serviços memoráveis ao fascismo getulista. Este Maestro Heitor > tornou obrigatório o aprendizado de "Canto Orfeônico" em todas as > escolas brasileiras. O Conselho de Intelectuais que referendou o > Estado Novo (com Gustavo Capanema, Oswaldo Cruz, Villa, Niemeyer e > Portinari, entre outros). Em termos gerais, neste período, investiu-se > na formação de uma "elite capaz de comandar a nação". Mas a estrutura > da propaganda oficial tinha planos ambiciosos para a cultura popular, > especialmente o samba, gênero preferido do emergente operariado > urbano. > > Já em 1935 a Prefeitura do Distrito Federal decidiu pela estatização > do Carnaval, organizando e ditando as regras de como deveria ser a > "festa popular", regulamentando os desfiles das escolas de Samba. Em > 1937 um decreto constitucional impunha o caráter didático às escolas > de Samba e aos ranchos, que deveriam abordar temas nacionais e > patrióticos. > > Ações do governo procuram fazer do samba um gênero bem-comportado. Ao > invés de proibí-lo como se fazia no início do século, Vargas passou a > apoiá-lo. Claro que, com isso, incorporando-o aos interesses da elite > condutora. O samba perdia seu caráter de resistência e passava a > assumir um estilo de exaltação ao trabalho e aso valores defendidos > pelo Estado Novo. A malandragem deveria estar de fora. O outrora > malandro Wilson Batista compôs a célebre letra pelega de "O Bonde São > Januário" e ganhou uma aposentadoria em uma autarquia federal. > Pixinguinha também compôs sambas que exaltavam o Estado Novo, como > "Salve 19 de Abril", com Benedito Lacerda, cuja letra é um fenômeno de > puxa-saquismo político. > > A coisa se complicou um pouco mais após a criação do MIS, em 1965, em > plena Ditadura Militar, pelo então governador da Guanabara, Carlos > Lacerda. O MIS, de fato, foi o organismo apropriativo da Cultura > Popular, um verdadeiro donatário. Pelas linhagens de pesquisa do MIS, > muito daquilo que pode ser definido como padrão para a cultura > popular, especialmente a música se definiu aqui. Para o MIS, música > popular é , principalmente, aquela ligada essencialmente à tradição e, > consequencia do encabeçamento ditado por Ricardo Cravo Albim, à > modernidade. Entenda-se: Djavan é modernidade, é "boa arte popular". > Monsueto é "tradição", também "boa arte popular popular". Já Agepê não > se liga à estes rótulos. Faz sua arte pura e simples e - pior de tudo > - faz sucesso. Nada é mais cafona do que o sucesso. A "elite capaz de > comandar a nação" ( a mesma de 7, 8 décadas atrás) continua dona > daquilo que julga ser a verdadeira cultura popular. > > Diante disso, nos anos 80, com uma nova geração de sambistas ganhando > razoável espaço e conquistando setores do zé-povinho foi necessário > que se criasse um rótulo mais simples pra definir aquilo que era a > arte popular cuja obra é propriedade exclusiva de uma elite > intelectual e aquela outra que o povão insiste em escutar pedir nas > rádios. > > Vejam o diálogo: > > "Vamos chamar a música do Fundo de Quintal, do Agepê, do Benito, do > Jorge Aragão, do Agepê de um nome diferente. Não quero falar para os > meus amigos que escuto o mesmo gênero musical que minha cozinheira e > meu motorista. Eu sou diferente. Tenho estirpe. Eu fico com o Brancura > e o Alvaiade. Eles com Benito di Paula e Luiz Ayrão." > > "Mas, Dr. Fernandes, é tudo samba!!" > > "Não...Tudo samba não. Eu escuto samba. Eles escutam outra coisa. > Depois a gente pensa no nome". > > "Dr. Fernandes, que tal chamar o samba que tocar no rádio da Marinalva > de pagode?" > > "Pagode?? Bom nome. Passa uma impressão ruim, de pobreza..." > > "Ok, fechado. Amanhã coloco na minha coluna no jornal." > > E foi assim que ficou. > > Abs, > > Eugenio > > "Que me perdoe se eu insisto nesse tema. Mas não sei fazer poema ou > canção que fale de outra coisa que não seja o amor. Se o quadradismo > dos meus versos vai de encontro aos intelectos que não usam o coração > como expressão" > > > > > > Em 21/02/08, vini correia escreveu: > > Olá pessoal da tribuna, desculpe minha ignorancia sambistica, mas tenho > > uma > > dúvida e gostaria de saber qual a diferença entre samba e pagode!! > Alguém > > pode me ajudar? > > > > segue abaixo alguns comentários que ouvi pelas ruas e bares, mas ainda > > não > > foram suficientes para se chegar a uma conclusão: > > > > - "Samba é raiz. Pagode é praga." > > > > - "a grafia e a pronúncia, mas tem que prestar bastante atenção" > > > > - "É o mesmo que comparar Funk Carioca com Funk de verdade" > > > > - "antes de tudo, é necessário convivência com o samba. Escute vários > > autores, mergulhe em rodas de samba, ouça muitas gravações, entre no > > universo de Cartola, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, Candeia, > > Donga, > > Ismael, Noel, Ary Barroso, Geraldo Pereira, Ataulfo, Chico Buarque, > Ivone > > Lara, Monarco, João Nogueira, Martinho, Adoniran, Vanzolini, Wilson > > Batista, > > Caymmi, Elton Medeiros, Baden Powell, Wilson Moreira, Nelson Sargento, > > Paulo > > Cesar Pinheiro e mais um enorme etc. > Mais do que diferenças técnicas, > > formais ou estilísticas, você vai sentir diferenças culturais. Isso não > > acontece à primeira audição, para quem está "começando a ouvir". Estes > > nomes > > criaram, estilizaram ou desenvolveram formas de expressão que > entrelaçam > > uma > > profunda identificação com os elementos fundamentais do samba (ritmo, > > harmonia, melodia, letra, instrumentação) com a criação individual, a > > visão > > do artista. Os resultados são muito diversos, há muita riqueza de > > detalhes a > > conhecer. > O chamado pagode efetua uma diluição destes elementos, > > banalizando letras e procedimentos musicais, visando muito mais um > > resultado > > comercial imediato do que uma necessidade íntima de expressão (ou > > coletiva, > > de identidade cultural). Não há grandes autores no pagode, poetas > > notáveis > > ou compositores inspirados. As letras parecem com as de duplas > > breganejas. > > Não há inovações sonoras, mas descaracterizações, misturas aleatórias. > > Busca-se a imitação de modelos midiaticamente bem sucedidos, e não um > > reconhecimento da comunidade de onde vieram. Por isso diz-se também que > > são > > diferentes do samba "de raiz", são desenraizados, aculturados. > > Repetem-se, > > musical e poeticamente, até a exaustão. Tendem ao desaparecimento, em > > pouco > > tempo. "" Daniel Brazil (site samba choro) > > _______________________________________________ > > Para CANCELAR sua assinatura: > > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > > Para ASSINAR esta lista: > > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > > > _______________________________________________ > Para CANCELAR sua assinatura: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > Para ASSINAR esta lista: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > > Esta mensagem foi verificada pelo E-mail Protegido Terra. > Scan engine: McAfee VirusScan / Atualizado em 21/02/2008 / Versão: > 5.2.00/5235 > Proteja o seu e-mail Terra: http://mail.terra.com.br/ > > > _______________________________________________ > Para CANCELAR sua assinatura: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > Para ASSINAR esta lista: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > > > > Abraços, Visite minha página pessoal: > http://geocities.yahoo.com.br/cariocabeto > > --------------------------------- > Abra sua conta no Yahoo! 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