Caio, eu não gosto de funk, não me atrai, mas eu respeito muito. Leia a
letra abaixo deste "classico" do funk. Veja como eles retratam a realidade
atual das favelas de uma forma tão particular.  Não existe lixo cultural (é
inútil insistir neste assunto), apenas uma forma diferente de se expressar.
Este clima de violência e banalidade em seus discursos muitas vezes é apenas
o reflexo do descaso do governo e da população com o excluídos da sociedade.
Não há como comparar ao samba, mas o funk é um fenomeno cultural que existe
sim, e está aí para animar e incomodar muita gente, é a voz dos excluídos
querendo apenas dançar, cantar, protestar e ser feliz.


Eu Só Quero É Ser Feliz

Composição: Julinho Rasta e Kátia

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.
Fé em Deus, DJ

Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer,
Com tanta violência eu sinto medo de viver.
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado,
A tristeza e alegria aqui caminham lado a lado.
Eu faço uma oração para uma santa protetora,
Mas sou interrompido à tiros de metralhadora.
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela,
O pobre é humilhado, esculachado na favela.
Já não aguento mais essa onda de violência,
Só peço a autoridade um pouco mais de competência.

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, han.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.

Diversão hoje em dia, não podemos nem pensar.
Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar.
Fica lá na praça que era tudo tão normal,
Agora virou moda a violência no local.
Pessoas inocentes, que não tem nada a ver,
Estão perdendo hoje o seu direito de viver.
Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela,
Só vejo paisagem muito linda e muito bela.
Quem vai pro exterior da favela sente saudade,
O gringo vem aqui e não conhece a realidade.
Vai pra zona sul, pra conhecer água de côco,
E o pobre na favela, vive passando sufoco.
Trocaram a presidência, uma nova esperança,
Sofri na tempestade, agora eu quero abonança.
O povo tem a força, precisa descobrir,
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar,

On 3/14/08, Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
>
> Eugenio, eu acho que está havendo um pouco de forsação (?) de barra nesses
> exemplos.
> Essa Madame era visivelmente uma preconceituosa, não dá pra usá-la como
> exemplo. As banalidades a que me referi desde o início foi com relação
> (pode
> parecer até conservadorismo) ao tratamento das relações inclusive quanto
> ao
> sexo. A futilidade e a ostentação que o funk apresenta não se vê no samba,
> e
> a violência não está dentro do samba (exceto brigas esporádicas) como está
> no funk onde se formam as alas para desafiar uns aos outros. Vê bem, o que
> eu quero apenas destacar é que esses elementos apesar de serem intrínsecos
> ao ser humano, eles culturalmente devem ser controlados para que haja uma
> convivência possível, coisa que no funk esses elementos são destacados e
> até
> incentivados, essas são as grandes diferenças entre um e outro.
> Pra finalizar, esses autores a que vc se referiu, eles buscaram retratar
> (mesmo que até vivenciando) o seu ambiente, como cronistas de uma
> realidade,
> o que é boa parte das vezes, um função dos poetas.
>
> Abs.
>
> Caio,
>
>
> Madame Magdala também julgava o samba um universo de banalidades (como
> as rodas na casa de Ciata), futilidades (que valor tem saber se a nega
> gastou o dinheiro da sardinha no jogo do bicho?) e violência(a polícia
> subindo o morro prendendo que portasse um violão por vadiagem ou um
> simplório crime passional).
>
> Talvez eu goste de funk muito menos que você. Apenas não o considero
> uma subcultura
> (um lixo, como prefere) e nem transformo seus adeptos num bando de
> "colonizados". Não são. Isso é subestimar - e de forma precária - o
> comportamento de um povo.
>
> Quanto às contribuições "positivas" que você evocou...Sejamos
> sinceros...Os contemplados da turma da fumaça dos ótimos partidos de
> Bezerra da Silva, os malandros navalheiros de Wilson Batista e
> anti-heróis feito Chico Brito não são propriamente um exemplo de
> música pra família. Antes de criticar a (i)moralidade alheia é preciso
> dar uma olhadinha pro próprio umbigo.
>
> Mesmo porque, Caio, eu "vou apertar, mas não vou acender agora".
>
> Abs,
>
> Eugenio
>
>
>
> Em 14/03/08, Caio Pontual<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> > Eugenio, considerar um genero de dança/música lixo cultural não está no
> >  ambito apenas do gostar ou não, mas sim no que se pode considerar
> > positivo
> >  ou não o que esse gênero traz consigo.... apenas isso. Se esse gênero
> > (funk)
> >  traz apenas banalidades, futilidades e violência, qual é o valor que
> ele
> >  tem?..... me dá
> >  um exemplo, dentro do âmbito que foi discutido por aqui....
> >
> >
> >  Abs.
> >  Caio Pontual
> >
> >
> >  ----- Original Message -----
> >
> > From: "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>
> >
> > To: "Caio Pontual" <[EMAIL PROTECTED]>
> >  Sent: Thursday, March 13, 2008 4:48 PM
> >  Subject: Re: [S-C] quem engole e digere lixo, vai produzir o que ?
> >
> >
> >  Pois é, Caio,
> >
> >  Madame Mag dizia o mesmo a respeito do samba. Algumas décadas atrás.
> >
> >
> >  Será que um dia as pessoas conseguirão entender que não se identificar
> >  com este ou aquele gênero, este ou aquele artista, não significa que
> >  trata-se de um lixo cultural?
> >
> >
> >
> >
> >  Em 13/03/08, Caio Pontual<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> >  > Vini, Henrique, vamos ficar por aqui, acho que nossos lixos são
> > diferentes
> >  > e que os fenomenos culturais tambem. Mas em relação ao Funk, se
> nascer
> >  > alguma flor desse entulho, eu já me dou por satisfeito e dou minha
> mão
> > a
> >  > palmatoria. O resto são achismos e tronchuras.
> >  >
> >  >  Um abraço.
> >  >  Caio Pontual
> >  >
> >  >   ----- Original Message -----
> >  >   From: vini correia
> >  >   To: Caio Pontual
> >  >   Cc: henriqsilva ; Tribuna
> >  >   Sent: Wednesday, March 12, 2008 9:57 PM
> >  >   Subject: Re: [S-C] quem engole e digere lixo, vai produzir o que ?
> >  >
> >  >
> >  >
> >  >   Caio, eu concordo com vc em algumas coisas. Mas ainda fiquei com
> > algumas
> >  > dúvidas. Pra descontrair, deixo de forma bem-humarada algumas
> > afirmativas
> >  > abaixo. Coloque um disco de Wilson Batista ou de Noel na vitrola pra
> >  > entrar no clima, abra uma cervejinha e fique a vontade para escolher
> as
> >  > que julgar mais antropologicamente corretas:
> >  >
> >  >   a) em seus primórdios, o samba era visto como algo marginal, coisa
> de
> >  > vagabundo, de malandro. O samba não era reconhecido culturalmente
> pela
> >  > classe dominante da época.
> >  >
> >  >   b) O samba hoje é considerado cultura por todas as classes sociais
> do
> >  > país.
> >  >
> >  >   c) o funk carioca sofre o mesmo preconceito que o samba, quando em
> > seu
> >  > início.
> >  >
> >  >   d) podemos não gostar do funk carioca, mas não há como negar que é
> um
> >  > fenomeno cultural dentro da nossa sociedade.
> >  >
> >  >   e) se o funk é considerado fenomeno cultural, entao funk é cultura.
> >  >
> >  >   f) tudo que é lixo fede. Se o funk não tem odor, então funk não é
> > lixo
> >  >
> >  >   g) o mangue fede pra burro e não é lixo!!!
> >  >
> >  >   h) é tudo tão simples.
> >  >
> >  >   i) é tudo tão complicado.
> >  >
> >  >   j) sob a ótica da etnologia, o funk é uma manifestação humana que
> >  > inlfuencia o modo de vestir, falar, cantar e dançar de muitos jovens
> da
> >  > sociedade brasileira. Portanto, assim como o samba, o funk também é
> >  > cultura (mesmo que seja exclusivamente para uma parcela da
> sociedade).
> >  >
> >  >   k) Ao entrar em contato com culturas diferentes (ou fora do padrão)
> > como
> >  > é o caso do funk, a tendência natural do indivíduo é rejeitar a outra
> >  > cultura como inferior, como inatural. É o chamado etnocentrismo.
> >  >
> >  >   l) Na sociologia não existem culturas superiores, nem culturas
> >  > inferiores pois a cultura é relativa, designando-se em sociologia por
> >  > relativismo cultural. Portanto, nem Hermano Vianna e nem o Papa têm
> >  > autoridade para definir para uma sociedade o que é lixo cultural e o
> > que
> >  > não é.
> >  >
> >  >   m) Supõe-se que numa tentativa frustada de se isolar do lixo, e
> para
> > não
> >  > ser influenciado pelo sertanejo, axé, brega e pop americano que
> muitas
> >  > vezes dominavam as festas, bares, bordéis e programacoes radiofonicas
> > 'da
> >  > época, Chico Science se enfiou na lama do mangue na beira do
> > Capibaribe.
> >  >
> >  >   n) o lixo também pode ser uma forma de expressao do ser humano,
> > portanto
> >  > lixo é cultura
> >  >
> >  >   z) não leve a sério o que eu escrevo, tudo não passa de lixo... : )
> >  >
> >  >   abs
> >  >
> >  >
> >  >
> >  >
> >  >
> >  >
> >  >
> >  >   On 3/12/08, Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> >  >     Vini, para mim "LIXO" é algo que foi descartado que não serve
> para
> >  > nada. Existe algum tipo de lixo que não é propriamente lixo, mas sim
> >  > material reciclável. Em termos de CULTURA o lixo é algo que não
> > acrescenta
> >  > nada a aquele que recebe, embora esse receptor possa usá-lo de alguma
> >  > maneira, mas que CULTURALMENTE não acrescenta nada, essa é a minha
> > visão
> >  > da coisa. Pergunta: O Funk acrescenta algum benefício ao povo carioca
> >  > (culturalmente falando)?????
> >  >     Abs.
> >  >     Caio Pontual
> >  >
> >  >     PS1.
> >  >     Alguem disse em algum momento que os mangues eram depósitos de
> lixo
> >  > (mesmo que orgânico), no que discordei pois eles são recicladores de
> >  > material orgânico (não lixo), quando não poluídos é claro.
> >  >     PS2
> >  >     Chico Science não transformou LIXO em Perolas, já que sua materia
> >  > prima não era e nunca foi LIXO.
> >  >
> >  >     PS3
> >  >
> >  >     Resíduo ou lixo, é qualquer material considerado inútil,
> supérfluo,
> >  > e/ou sem valor, gerado pela atividade humana, e a qual precisa ser
> >  > eliminada. É qualquer material cujo proprietário elimina, deseja
> > eliminar,
> >  > ou necessita eliminar.
> >  >
> >  >     O conceito de lixo pode ser considerado uma concepção humana,
> > porque
> >  > em processos naturais não há lixo, apenas produtos inertes.
> >  >
> >  >
> >  >     Fonte: WIKIPEDIA
> >  >
> >  >
> >  >
> >  >     ----- Original Message -----
> >  >       From: vini correia
> >  >
> >  >       To: André Carvalho
> >  >       Cc: henriqsilva ; tribuna ; caioapf
> >  >
> >  >       Sent: Monday, March 10, 2008 4:33 PM
> >  >       Subject: Re: [S-C] quem engole e digere lixo, vai produzir o
> que
> > ?
> >  >
> >  >
> >  >       Caio,
> >  >       desculpe, acho que fui mal-interpretado por você novamente. Em
> >  > nenhum momento deixei de enfatizar a importancia dos manguezais.
> Lembra
> >  > quando eu citei "O mangue é tido como símbolo de fertilidade,
> > diversidade
> >  > e riqueza"??. Enfim, como já foi falado diversas vezes aqui, o Mangue
> >  > desempenha importante papel como exportador de MATÉRIA ORGÂNICA para
> o
> >  > estuário, contribuindo para produtividade primária na zona costeira,
> >  > servindo muitas vezes como adubo e berçário para diversas espécies de
> >  > animais, etc, etc, etc....
> >  >
> >  >       Mas o que é matéria orgânica?
> >  >       Na concepção técnica, matéria orgânica é todo LIXO que tem
> origem
> >  > animal ou vegetal, ou seja, que recentemente fez parte de um ser
> vivo.
> >  > Numa linguagem mais técnica e moderna, abordaríamos os resíduos
> > sólidos,
> >  > sendo seu componente biológico a matéria orgânica, mas da mesma forma
> >  > oriundos dos seres vivos, animais e vegetais.
> >  >
> >  >       Vale lembrar que, infelizmente, além do esgoto em larga escala,
> o
> >  > ser-humano ainda tem a capacidade de jogar  outros matériais
> > inorgânicos
> >  > (lixo) em nossos manguezais, tais como: garrafas pet, pneus, restos
> de
> >  > material de obra, etc que demoram uma eternidade para se decompor.
> > Desta
> >  > forma, deixando nossos manguezais cada vez mais improdutivos.
> >  >
> >  >       Mas, afinal, e o lixo cultural?
> >  >
> >  >       bom, cheguei a conclusão que discutir sobre lixo cultural não
> vai
> >  > nos levar a lugar nenhum. O que você considera lixo cultural, para
> > outros,
> >  > pode ser algo que tenha fertilidade, diversidade e riqueza, ou seja,
> > tenha
> >  > um certo valor cultural. Acho que nem eu nem você temos AUTORIDADE
> para
> >  > definir o que é LIXO CULTURAL para o povo e o que não é, certo?
> >  >
> >  >       é tudo tão simples.
> >  >
> >  >       abs
> >  >
> >  >
> >  >
> >  >
> >  >
> >  >
> >  >       On 3/10/08, André Carvalho <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> >  >         Lendo isso me lembrei daquele samba do Ederaldo Gentil em que
> > ele
> >  > diz o
> >  >         seguinte:
> >  >
> >  >         "O ouro afunda no mar
> >  >         Madeira fica por cima
> >  >         Ostra nasce no lodo
> >  >         Gerando pérolas finas"
> >  >
> >  >         abraço a todos
> >  >
> >  >         André
> >  >
> >  >
> >  >         On 3/10/08, henriqsilva <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> >  >         >
> >  >         > Caio, meu irmão, até agora falamos exclusivamente de
> música.
> >  > Ninguém aqui
> >  >         > disse, ou sugeriu, que o mangue fosse lixo ou que não fosse
> > um
> >  > ecossistema
> >  >         > complexo e muito importante na cadeia ecológica do nosso
> >  > litoral. Mas junto
> >  >         > ao Maracatu (pérola), ao rock e ao rap (quanto a estes,
> > depende.
> >  > Assim como
> >  >         > o "Miami bass" que inspirou inicialmente o funk, rock e rap
> >  > poderão ser lixo
> >  >         > também, depende da fonte.). Voltando ao raciocínio, junto
> ao
> >  > maracatu,
> >  >         > ao  rock e ao rap, Chico Science também misturou junto no
> seu
> >  > liquidificador
> >  >         > musical o som que se ouvia nas zonas e os sons que tocavam
> > nos
> >  > autofalantes
> >  >         > e radiolas da população local.
> >  >         > E todos nós conhecemos o que ouvem as periferias, seja do
> > Rio,
> >  > seja de
> >  >         > Recife ou de qualquer parte do Brasil e do mundo, guardadas
> > as
> >  > devidas
> >  >         > diferenças.
> >  >         > Então, o lixo que ele engoliu para deglutir as pérolas que
> >  > vomitou foi
> >  >         > este: Um lixo imaterial.
> >  >         >
> >  >         > Henrique Silva
> >  >         >
> >  >         > Onde está comprovado que o Chico "engolia lixo"? Todo o
> > trabalho
> >  > do Chico
> >  >         > Science era baseado em influências do Maracatu com umas
> > pitadas
> >  > de rock, rap
> >  >         > e etc. como embalagem das suas músicas, que foram feitas
> para
> >  > mostrar uma
> >  >         > realidade da vida que as periferias vivem.
> >  >         > > Ele não buscou influências em nada que não fosse
> >  > representativo nas
> >  >         > experiências que viveu....., nada de lixo.... se o
> movimento
> > se
> >  > inspirou no
> >  >         > ambiente do mangue, era simplesmente para mostrar a
> condição
> > de
> >  > vida de uma
> >  >         > população marginal, não que o mangue seja lixo, mas sim um
> >  > ecossistema
> >  >         > complexo e muito importante na cadeia ecológica do nosso
> >  > litoral, e onde
> >  >         > essa população busca seu sustento, tanto como alimento,
> > quanto
> >  > como sustento
> >  >         > financeiro.`É preciso que vcs. entendam melhor esses
> > conceitos.
> >  >         > > Abs.
> >  >         > > Caio Pontual
> >  >         > >
> >  >         > > ----- Original Message -----
> >  >         > > From: henriqsilva
> >  >         > > To: carvalhoandre
> >  >         > > Cc: vini.correia ; caioapf ; tribuna
> >  >         > > Sent: Friday, March 07, 2008 10:43 AM
> >  >         > > Subject: Re: [S-C] quem engole e digere lixo, vai
> produzir
> > o
> >  > que ?
> >  >         > >
> >  >         > >
> >  >         > > Chico Science!!!... Muito bem lembrado!!!... Esse é um
> belo
> >  > exemplo do
> >  >         > que eu disse quando escrevi que entre os "engolidores de
> > lixo"
> >  > sempre hão de
> >  >         > existir artistas geniais que engolirão o tal lixo e
> vomitarão
> >  > pérolas.
> >  >         > >
> >  >         > > Chico S. é exemplo indiscutível da afirmação da
> > antropofagia
> >  > criativa e
> >  >         > transformadora do povo brasileiro que pratica uma musica
> > urbana
> >  > das mais
> >  >         > abertas e misturadas as influências estrangeiras do
> planeta,
> > e
> >  > ainda assim,
> >  >         > marcadamente brasileira.
> >  >         > >
> >  >         > > Valeu Vini! Aprendi muito com o teu texto.
> >  >         > >
> >  >         > > Henrique Silva
> >  >         > >
> >  >         > >
> >  >         > >
> >  >         > >
> >  >         > > > Que falta para a MPB o chico faz...
> >  >         > > >
> >  >         > > >
> >  >         > > >
> >  >         > > >
> >  >         > > > On 3/6/08, vini correia wrote:
> >  >         > > > >
> >  >         > > > > A Ciência de Chico
> >  >         > > > >
> >  >         > > > > *Por Vini Correia*
> >  >         > > > >
> >  >         > > > >
> >  >         > > > > [image: mangue beat ou mangue bit, eis a questão]
> > Fundador
> >  > da Nação
> >  >         > Zumbi
> >  >         > > > > e
> >  >         > > > > do movimento Mangue Beat, Chico Science contribuiu
> > muito
> >  > para a
> >  >         > > > > valorização
> >  >         > > > > das raízes afro-brasileiras, especialmente ao
> resgatar
> >  > tradições
> >  >         > > > > folclóricas
> >  >         > > > > do nordeste do país. Sintonizado entre a modernidade
> >  > urbana e o
> >  >         > arcaismo
> >  >         > > > > regional, seu estilo único de cantar se fez através
> de
> >  > mensagens
> >  >         > regadas
> >  >         > > > > por
> >  >         > > > > temas sociais: uma soma de cordéis, rap, e repentes
> > (por
> >  > que não
> >  >         > > > > rappentista?) em ritmo de um certo maracatu
> envenenado.
> >  >         > > > >
> >  >         > > > > Caranguejos com Cérebros
> >  >         > > > >
> >  >         > > > > Ao lado de seu companheiro de verbo e cachaça Fred 04
> > (da
> >  > banda
> >  >         > Mundo
> >  >         > > > > Livre
> >  >         > > > > S/A), Chico Science escreveu o manifesto Mangue Beat
> > onde
> >  > defendeu
> >  >         > teorias
> >  >         > > > > sustentadas por cientistas sobre a importância dos
> >  > estuários
> >  >         > (manguezais),
> >  >         > > > > cujo ecossistema é considerado o mais produtivo do
> > mundo.
> >  > O mangue,
> >  >         > > > > segundo
> >  >         > > > > Fred: "É tido como símbolo de fertilidade,
> diversidade
> > e
> >  > riqueza".
> >  >         > > > >
> >  >         > > > > Com base neste conceito, o movimento MB desenvolveu
> seu
> >  > próprio
> >  >         > estilo
> >  >         > > > > fazendo arte e alertando o mundo sobre o caos onde
> > Recife
> >  > (a quarta
> >  >         > pior
> >  >         > > > > cidade do mundo na época) se encontra atualmente. Foi
> >  > quando a
> >  >         > estética da
> >  >         > > > > lama conquistou seu merecido espaço. Muitas bandas
> > locais,
> >  > cada uma
> >  >         > com
> >  >         > > > > sua
> >  >         > > > > autênticidade, também contribuiram para o
> > fortalecimento
> >  > deste novo
> >  >         > > > > cenário
> >  >         > > > > manguetown: Mestre Ambrósio, Otto, Cordel do Fogo
> >  > Encantado,
> >  >         > Mombojó,
> >  >         > > > > Mundo
> >  >         > > > > Livre S/A, além de diversas outras que aproveitaram a
> >  > oportunidade
> >  >         > para se
> >  >         > > > > agarrar às patas destes homens-caranguejos e arrumar
> um
> >  > cantinho no
> >  >         > > > > concorrido caçuá da mídia.
> >  >         > > > >
> >  >         > > > > Chico Science, com muita criatividade, conseguiu
> aliar
> >  > suas idéias
> >  >         > ao som
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> >  > Chico fincou
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> um
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> >  >         > missão
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> um
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