Primeiramente Marcelo, parabéns pelo texto.

Parabéns também ao Eugênio.

Sei que o texto de vcs falam de perspectivas diferentes, mas acabam convergindo 
na mesma coisa: está faltando algo no samba e no futebol. Agora, estou mais 
inclinado à opinião do Eugênio quando fala que se a gente ficar num patamar de 
comparação entre aqueles que estão tentando fazer um trabalho com aqueles que 
já consagraram sua obra, é no mínimo uma desvantagem terrível. Logo, acho que 
temos uma safra de bons talentos no samba que surge, seja "relendo" antigas 
músicas seja compondo outras que só a peneira do tempo vai definir se é algo 
pra se eternizar; então, vamos esperar mais uns 30 anos pra saber se houveram 
talentos ou não...hehehehe

Mas o que falar de cantoras como Fabiana Cozza com sua voz de estremecer 
quarteirões, acho o trabalho dela primoroso; Roberta Sá com a sua doçura de 
encantar os mais exigentes ouvidos; Teresa Cristina "inventando o velho"; fora 
outras cantoras que, eu por morar em Natal, não tenho acesso; mas que tem coisa 
boa na área, ah! Isso tem.

Abraços a todos

Leonardo - Natal
From: [email protected]
To: [email protected]
Date: Mon, 12 Jul 2010 18:03:36 -0300
Subject: Re: [S-C]      Res: O BRASIL NÃO PERDEU - RUBENS LEMOS










Bem, primeiro, obrigado pelo menino, rs. Chegar 
quase a meio século se imaginando um menino é bem estimulante.
Mas não se trata de amaciar, não tava endurecido, 
rs.
Mas a gente acaba uma hora concordando aqui, 
discordando ali... porém sempre respeitando muito. No fundo a questão era a 
comparação entre música/cultura/futebol. A gente acabou saindo um pouco do 
foco, 
mudando de assunto, falando mais de paixão do que de razão. Mas acho que o 
ponto 
principal, sem ser saudosista é: uns estão indo, poucos estão chegando. Porém 
qualidade sempre existe. Hoje globalização e efeitos mercantilistas deturpam 
muito a solidez da nossa cultura, do nosso esporte e de outras 
frentes.
Dizem que pra se conhecer bem um povo, basta ouvir 
a música que eles ouvem e assistir o esporte que eles praticam.
Enfim, estamos chegando numa era sem fronteiras em 
que, nosso esporte está sendo mais praticado na europa do que em casa. Esportes 
diferentes, eletrônicos estão entrando. Hoje se escuta aqui dentro menos samba, 
menos choro, menos bossa, menos xaxado, menos maxixe, menos de tudo que seja de 
raiz. E se escuta mais RAP, maneirismos americanos, música americana, funk, 
breganejos, axés, calipsos e música eletrônica. Jovens estão 
perdendo a virgindade cada vez mais cedo, indo a baladas cada vez mais 
americanizadas e aprendendo a difundir e escutar culturas de outros povos, 
enquanto que aprendem cada vez menos sobre a nossa.
O amigo arquiteto citou Niemeyer e eu que sou 
professor de música cito que, hoje, perguntar a nossos jovens alunos se eles 
sabem quem é Toquinho ou até Lenine, pra não ir tão longe. Rita Lee, Guilherme 
Arantes ou Raul Seixas que são mais póximos da cultura que eles ouvem 
inclusive e ouvir um "ah, esses eu conheço" é muito raro. 1 em cada 200 ou 300 
jovens tem alguma noçao do que esses artistas históricos 
representam.
Sobre carioquismo... discordo. Não sou carioca, 
acho o futebol carioca o pior praticado no Brasil hoje e se fosse bairrismo, 
iria falar de Nilmar ou Pato que são jovens valores do meu estado. Ou Dirceu, 
Aladim, Alex, Rogério Ceni,  Sicupira, Kléberson, Ricardinho ou outros 
nomes já consagrados do meu estado.
Estava apenas tentando ser realista, afinal todos 
devemos saber como o futebol jogado hoje é feio. Iniesta se consagrou ontem? 
Sim, com méritos. É um grande jogador. Mas antes perdeu 3 ou 4 gols impossíveis 
de perder e por preciosismo, falta de visão e falta de habilidade mesmo. 
Lembrar 
da passada de pé na Bola que Ronaldo deu no goleiro Kingston em 2006 e ver que 
o 
tão afamado Robben não sabe fazer isso, pois teve duas chances de 
entortar o Casillas e meter pro gol vazio, mas certificar-se que ee não tem 
a mínima noção de como fazer isso, torna o feliz hábito de assistir futebol 
muito irritante hoje em dia. E esse dois pseudo-gênios, são campeão e vice 
mundiais hoje. Duas seleções que nunca foram além, chegaram, uma ganhou. 
Porquê? 
O futebol espanhol e holandês hoje estõ melhores do que na época de Raúl, 
Michel, Butragueño, Hierro, Guardiola, Cruyff, Resembrick, Blind, Neskeens, 
Gullit, Van Basten, Rijkaard, Koeman, De Boer e outros? Claro que não. Ambas as 
seleções finalistas são medíocres. Vangloriar Puyol como grande Zagueiro e Vam 
Bommel ou Kuyt como os jogadores mais versáteis da Holanda é no mínimo 
deprimente. O que aconteceu é que as grandes seleções que antes tinham grandes 
craques caíram. Não foi Holanda que melhorou, nem a Espanha que aprendeu a 
jogar 
melhor. Foi o resto que decaiu  e hoje, é notório: O futebol está nivelado 
por baixo e o mesmo vem acontecendo com nossa música, nosso cinema, nossa 
literatura, nosso teatro (que hoje só copia musicais americanos), nossa 
teledramaturgia, nossos programas de auditório, nossos eventos culturais, nossa 
arquitetura, nossa medicina, nossa EDUCAÇÃO, sobretudo.
Quanto a jogador não ser inteligente. Acaba sendo 
um pouco preconceituoso. Hoje existem linhas educacionais que comprovam 
diversos 
tipos de eixos de inteligência (linguìstico, raciocínio-lógico, 
corporal-cinestésico, espacial, interpessoal, intrapessoal, musical, pictórico, 
naturalista e emocional) é a Teoria das Inteligências Múltiplas, desenvolvida 
pelo professor Howard Gardner, grande educador que, assim como Niemeyer ou 
Jobim, quando se for, poucos chegarão para ocupar o lugar dele 
também.
Portanto a inteligência espacial e cinestésica, 
pode sim ser importante para um atleta e deve ser tratada como inteligência 
real. Se ela não for suficiente para ele ser um atleta profissional, será 
importante na sua formação para exercer outras inteligências, como ser 
motorista, professor de educação física, militar, ator, dançarino, diversas 
outras atividades onde essas habilidades são essenssiais. O que acontece 
com a maioria no Brasil e em muitos outros países é que eles vêem de baixo, não 
tem muita oportunidade de estudar com qualidade, e o esporte e a música são 
talvez a melhor forma deles mudarem de vida. Não confundir 
cultura/inteligência/raciocínio. São 3 coisas muito diferentes, mas que se 
interdependem.
Antigamente a gente dizia que o homem é um animal, 
como todos os outros, porém o que o diferenciava de outros animais era a 
inteligência. "HOMEM, ANIMAL INTELIGENTE". Os mais antigos vão se lembrar. Hoje 
isto está ultrapassado. Sabe-se que uma formiga tem inteligência. A diferença é 
que o homem pode buscar, com sua inteligência, seja ele uma assumidade ou um 
analfabeto, ampliar sua cultura e para tanto ele usa uma atividade que outros 
animais não têm. O raciocínio. "HOMAM, ANIMAL QUE RACIOCINA".
E digamos, raciocinar com a bola no pé, tendo de 
aprender outros idiomas pra poder jogar em outros países e ter inteligência pra 
não matar prostitutas, ex-amantes e outras afins, não é tarefa para qualquer 
mortal comum. E se uma formiga pode ser inteligente. Um atleta que acaba 
estudando medicina, jornalismo, geografia, educação física, tornando-se 
profissionais em outras áreas após o fim da curta carreira ou mesmo técnicos 
profissionais, também podem ter inteligência. 
 

  ----- Original Message ----- 
  From: 
  CIDAO 
  
  To: Marcello Pereira Borghí ; [email protected] 
  Sent: Monday, July 12, 2010 10:13 
AM
  Subject: Re: [S-C]Res: O BRASIL NÃO 
  PERDEU - RUBENS LEMOS
  

  Ta começando a amacia né menino 
rsrss
  CIDÃO
  
    ----- Original Message ----- 
    From: 
    Marcello Pereira Borghí 
    To: [email protected] 
    
    Sent: Monday, July 12, 2010 5:54 
    AM
    Subject: Re: [S-C]Res: O BRASIL NÃO 
    PERDEU - RUBENS LEMOS
    

    Maravilha de texto Marcos. De babar e ler de 
    joelhos! Parabéns. Assino embaixo!
    
      ----- Original Message ----- 
      From: 
      Marcos 
      Virgílio 
      To: [email protected] 
      
      Sent: Sunday, July 11, 2010 1:18 
      PM
      Subject: Re: [S-C]Res: O BRASIL NÃO 
      PERDEU - RUBENS LEMOS
      
Vou deixar de lado a discussão futebolística: não é que não 
      interesse ou esteja repreendendo ninguém, mas fiquei mais instigado com a 
      comparação futebol-MPB, e a pergunta geral "há/haverá novos talentos como 
      os que nos acostumamos a venerar do passado?". Como arquiteto, peço 
      permissão para colocar também a arquitetura no baile, porque a pergunta 
      também corre por lá: depois de Niemeyer, mais ninguém?
Acho que o 
      problema é de parâmetro. Enquanto Niemeyer, ou Chico/Caetano/Gil/Tom, ou 
      Pelé/Garrincha forem os modelos de comparação para tudo de novo que 
surge, 
      vai ficar difícil achar alguém. Acho sim que há certo saudosismo nisso 
(eu 
      mesmo não escapo, porque não acho que nada em música popular alcance os 
      Beatles, mas isso já é outra história).
Esses tidos como "gênios" foram 
      beneficiados por um conjunto de circunstâncias muito favoráveis que se 
      somaram ao talento (inegável, mas insuficiente para explicar a projeção 
      toda). A idéia mesmo de "gênio" é altamente questionável. Parece que 
basta 
      a pessoa ser genial e o mundo inteiro se curvará à sua genialidade. 
      Existe, porém, a questão da oportunidade: a pessoa estar no lugar certo 
no 
      momento certo. E ter amigos. Porque são estes que atribuem a alguém o 
      status de gênio. Não é o próprio. Se não, certamente já teríamos tido 
      muitos outros (Arrigo Barnabé, por exemplo, continua achando que é um 
      gênio acima dos mortais).
Ninguém nunca achou estranho que todos esses 
      "gênios" frequentavam os mesmos circuitos, conheciam-se uns aos outros 
      (isso quando não eram amigos íntimos), etc? Não é muita coincidência que 
      todos esses gênios tenham se juntado num mesmo lugar ao mesmo 
      tempo?
Engraçado é que essa "nostalgia" já vem sendo notada e criticada 
      há muito tempo: ainda nos anos 70 tinha um Raul Seixas cantando "eu não 
      nego que a poesia dos 50 é bonita, mas todo sentimento dos 70 onde é que 
      fica?", ou ainda o Belchior sentenciando "nossos ídolos ainda são os 
      mesmos e as aparências não enganam não, você diz que depois deles não 
      apareceu mais ninguém". Será que mais uma vez é a gente "que ama o 
passado 
      e que não vê que o novo sempre vem"?

      
      


      
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