Concordo plenamente com o ponto de vista do Eugênio. Mas acrescentaria uma coisa: quando surgiu a geração dos anos 60, eles foram saudados rapidamente como "renovadores" ou "inovadores" da música brasileira, e foram tomados como "geniais" mesmo em comparação com os que já estavam estabelecidos. Isto corrobora a tese de que eles eram inquestionavelmente geniais? Na minha opinião, o buraco é mais embaixo. Mas, simplificando, vejo duas possibilidades:
1. Eles surgiram em contraste com uma geração já desgastada, envelhecida ou de realizações limitadas (esta é a opinião de Jairo Severiano e Zuza Homem de Mello, por exemplo): assim, quando surgiram com novas propostas, foram rapidamente alçados à condição que ocupam até hoje. Não sou muito partidário desta possibilidade, mas ela pelo menos nos dá o alento de que eventualmente estejamos mesmo numa entressafra, e que logo surja uma nova e outra vez "revolucionária" geração. 2. Foi uma geração que se formou em um círculo social muito propício, já contando com uma rede de apoiadores influentes e "formadores de opinião" que, se não garantem sucesso e prestígio por si sós, certamente tornam o caminho mais suave. Em relação àquela geração, eu acredito mais nesta segunda. Até porque ela mostra que o que mudou de lá para cá não foi necessariamente o talento dos artistas, mas o quadro social em que se inserem. Acho que dá mais caldo e uma discussão mais interessante do que meramente o talento ou a genialidade individual deste ou daquele artista. Abs, Marcos Virgílio Em 12 de julho de 2010 18:46, Leonardo Galvão <[email protected]>escreveu: > > Primeiramente Marcelo, parabéns pelo texto. > > Parabéns também ao Eugênio. > > Sei que o texto de vcs falam de perspectivas diferentes, mas acabam > convergindo na mesma coisa: está faltando algo no samba e no futebol. Agora, > estou mais inclinado à opinião do Eugênio quando fala que se a gente ficar > num patamar de comparação entre aqueles que estão tentando fazer um trabalho > com aqueles que já consagraram sua obra, é no mínimo uma desvantagem > terrível. Logo, acho que temos uma safra de bons talentos no samba que > surge, seja "relendo" antigas músicas seja compondo outras que só a peneira > do tempo vai definir se é algo pra se eternizar; então, vamos esperar mais > uns 30 anos pra saber se houveram talentos ou não...hehehehe > > Mas o que falar de cantoras como Fabiana Cozza com sua voz de estremecer > quarteirões, acho o trabalho dela primoroso; Roberta Sá com a sua doçura de > encantar os mais exigentes ouvidos; Teresa Cristina "inventando o velho"; > fora outras cantoras que, eu por morar em Natal, não tenho acesso; mas que > tem coisa boa na área, ah! Isso tem. > > Abraços a todos > > > Leonardo - Natal > ------------------------------ > From: [email protected] > To: [email protected] > Date: Mon, 12 Jul 2010 18:03:36 -0300 > > Subject: Re: [S-C] Res: O BRASIL NÃO PERDEU - RUBENS LEMOS > > Bem, primeiro, obrigado pelo menino, rs. Chegar quase a meio século se > imaginando um menino é bem estimulante. > Mas não se trata de amaciar, não tava endurecido, rs. > Mas a gente acaba uma hora concordando aqui, discordando ali... porém > sempre respeitando muito. No fundo a questão era a comparação entre > música/cultura/futebol. A gente acabou saindo um pouco do foco, mudando de > assunto, falando mais de paixão do que de razão. Mas acho que o ponto > principal, sem ser saudosista é: uns estão indo, poucos estão chegando. > Porém qualidade sempre existe. Hoje globalização e efeitos mercantilistas > deturpam muito a solidez da nossa cultura, do nosso esporte e de outras > frentes. > Dizem que pra se conhecer bem um povo, basta ouvir a música que eles ouvem > e assistir o esporte que eles praticam. > Enfim, estamos chegando numa era sem fronteiras em que, nosso esporte está > sendo mais praticado na europa do que em casa. Esportes diferentes, > eletrônicos estão entrando. Hoje se escuta aqui dentro menos samba, menos > choro, menos bossa, menos xaxado, menos maxixe, menos de tudo que seja de > raiz. E se escuta mais RAP, maneirismos americanos, música americana, funk, > breganejos, axés, calipsos e música eletrônica. Jovens estão perdendo a > virgindade cada vez mais cedo, indo a baladas cada vez mais americanizadas e > aprendendo a difundir e escutar culturas de outros povos, enquanto que > aprendem cada vez menos sobre a nossa. > O amigo arquiteto citou Niemeyer e eu que sou professor de música cito que, > hoje, perguntar a nossos jovens alunos se eles sabem quem é Toquinho ou até > Lenine, pra não ir tão longe. Rita Lee, Guilherme Arantes ou Raul Seixas que > são mais póximos da cultura que eles ouvem inclusive e ouvir um "ah, esses > eu conheço" é muito raro. 1 em cada 200 ou 300 jovens tem alguma noçao do > que esses artistas históricos representam. > Sobre carioquismo... discordo. Não sou carioca, acho o futebol carioca o > pior praticado no Brasil hoje e se fosse bairrismo, iria falar de Nilmar ou > Pato que são jovens valores do meu estado. Ou Dirceu, Aladim, Alex, Rogério > Ceni, Sicupira, Kléberson, Ricardinho ou outros nomes já consagrados do meu > estado. > Estava apenas tentando ser realista, afinal todos devemos saber como o > futebol jogado hoje é feio. Iniesta se consagrou ontem? Sim, com méritos. É > um grande jogador. Mas antes perdeu 3 ou 4 gols impossíveis de perder e por > preciosismo, falta de visão e falta de habilidade mesmo. Lembrar da passada > de pé na Bola que Ronaldo deu no goleiro Kingston em 2006 e ver que o tão > afamado Robben não sabe fazer isso, pois teve duas chances de entortar o > Casillas e meter pro gol vazio, mas certificar-se que ee não tem a mínima > noção de como fazer isso, torna o feliz hábito de assistir futebol muito > irritante hoje em dia. E esse dois pseudo-gênios, são campeão e vice > mundiais hoje. Duas seleções que nunca foram além, chegaram, uma ganhou. > Porquê? O futebol espanhol e holandês hoje estõ melhores do que na época de > Raúl, Michel, Butragueño, Hierro, Guardiola, Cruyff, Resembrick, Blind, > Neskeens, Gullit, Van Basten, Rijkaard, Koeman, De Boer e outros? Claro que > não. Ambas as seleções finalistas são medíocres. Vangloriar Puyol como > grande Zagueiro e Vam Bommel ou Kuyt como os jogadores mais versáteis da > Holanda é no mínimo deprimente. O que aconteceu é que as grandes seleções > que antes tinham grandes craques caíram. Não foi Holanda que melhorou, nem a > Espanha que aprendeu a jogar melhor. Foi o resto que decaiu e hoje, é > notório: O futebol está nivelado por baixo e o mesmo vem acontecendo com > nossa música, nosso cinema, nossa literatura, nosso teatro (que hoje só > copia musicais americanos), nossa teledramaturgia, nossos programas de > auditório, nossos eventos culturais, nossa arquitetura, nossa medicina, > nossa EDUCAÇÃO, sobretudo. > Quanto a jogador não ser inteligente. Acaba sendo um pouco preconceituoso. > Hoje existem linhas educacionais que comprovam diversos tipos de eixos de > inteligência (linguìstico, raciocínio-lógico, corporal-cinestésico, > espacial, interpessoal, intrapessoal, musical, pictórico, naturalista e > emocional) é a Teoria das Inteligências Múltiplas, desenvolvida pelo > professor Howard Gardner, grande educador que, assim como Niemeyer ou Jobim, > quando se for, poucos chegarão para ocupar o lugar dele também. > Portanto a inteligência espacial e cinestésica, pode sim ser importante > para um atleta e deve ser tratada como inteligência real. Se ela não for > suficiente para ele ser um atleta profissional, será importante na sua > formação para exercer outras inteligências, como ser motorista, professor de > educação física, militar, ator, dançarino, diversas outras atividades onde > essas habilidades são essenssiais. O que acontece com a maioria no Brasil e > em muitos outros países é que eles vêem de baixo, não tem muita oportunidade > de estudar com qualidade, e o esporte e a música são talvez a melhor forma > deles mudarem de vida. Não confundir cultura/inteligência/raciocínio. São 3 > coisas muito diferentes, mas que se interdependem. > Antigamente a gente dizia que o homem é um animal, como todos os outros, > porém o que o diferenciava de outros animais era a inteligência. "HOMEM, > ANIMAL INTELIGENTE". Os mais antigos vão se lembrar. Hoje isto está > ultrapassado. Sabe-se que uma formiga tem inteligência. A diferença é que o > homem pode buscar, com sua inteligência, seja ele uma assumidade ou um > analfabeto, ampliar sua cultura e para tanto ele usa uma atividade que > outros animais não têm. O raciocínio. "HOMAM, ANIMAL QUE RACIOCINA". > E digamos, raciocinar com a bola no pé, tendo de aprender outros idiomas > pra poder jogar em outros países e ter inteligência pra não matar > prostitutas, ex-amantes e outras afins, não é tarefa para qualquer mortal > comum. E se uma formiga pode ser inteligente. Um atleta que acaba estudando > medicina, jornalismo, geografia, educação física, tornando-se profissionais > em outras áreas após o fim da curta carreira ou mesmo técnicos > profissionais, também podem ter inteligência. > > > ----- Original Message ----- > *From:* CIDAO <[email protected]> > *To:* Marcello Pereira Borghí <[email protected]> ; > [email protected] > *Sent:* Monday, July 12, 2010 10:13 AM > *Subject:* Re: [S-C]Res: O BRASIL NÃO PERDEU - RUBENS LEMOS > > Ta começando a amacia né menino rsrss > CIDÃO > > ----- Original Message ----- > *From:* Marcello Pereira Borghí <[email protected]> > *To:* [email protected] > *Sent:* Monday, July 12, 2010 5:54 AM > *Subject:* Re: [S-C]Res: O BRASIL NÃO PERDEU - RUBENS LEMOS > > Maravilha de texto Marcos. De babar e ler de joelhos! Parabéns. Assino > embaixo! > > ----- Original Message ----- > *From:* Marcos Virgílio <[email protected]> > *To:* [email protected] > *Sent:* Sunday, July 11, 2010 1:18 PM > *Subject:* Re: [S-C]Res: O BRASIL NÃO PERDEU - RUBENS LEMOS > > Vou deixar de lado a discussão futebolística: não é que não interesse ou > esteja repreendendo ninguém, mas fiquei mais instigado com a comparação > futebol-MPB, e a pergunta geral "há/haverá novos talentos como os que nos > acostumamos a venerar do passado?". Como arquiteto, peço permissão para > colocar também a arquitetura no baile, porque a pergunta também corre por > lá: depois de Niemeyer, mais ninguém? > Acho que o problema é de parâmetro. Enquanto Niemeyer, ou > Chico/Caetano/Gil/Tom, ou Pelé/Garrincha forem os modelos de comparação para > tudo de novo que surge, vai ficar difícil achar alguém. Acho sim que há > certo saudosismo nisso (eu mesmo não escapo, porque não acho que nada em > música popular alcance os Beatles, mas isso já é outra história). > Esses tidos como "gênios" foram beneficiados por um conjunto de > circunstâncias muito favoráveis que se somaram ao talento (inegável, mas > insuficiente para explicar a projeção toda). A idéia mesmo de "gênio" é > altamente questionável. Parece que basta a pessoa ser genial e o mundo > inteiro se curvará à sua genialidade. Existe, porém, a questão da > oportunidade: a pessoa estar no lugar certo no momento certo. E ter amigos. > Porque são estes que atribuem a alguém o status de gênio. Não é o próprio. > Se não, certamente já teríamos tido muitos outros (Arrigo Barnabé, por > exemplo, continua achando que é um gênio acima dos mortais). > Ninguém nunca achou estranho que todos esses "gênios" frequentavam os > mesmos circuitos, conheciam-se uns aos outros (isso quando não eram amigos > íntimos), etc? Não é muita coincidência que todos esses gênios tenham se > juntado num mesmo lugar ao mesmo tempo? > Engraçado é que essa "nostalgia" já vem sendo notada e criticada há muito > tempo: ainda nos anos 70 tinha um Raul Seixas cantando "eu não nego que a > poesia dos 50 é bonita, mas todo sentimento dos 70 onde é que fica?", ou > ainda o Belchior sentenciando "nossos ídolos ainda são os mesmos e as > aparências não enganam não, você diz que depois deles não apareceu mais > ninguém". Será que mais uma vez é a gente "que ama o passado e que não vê > que o novo sempre vem"? > > ------------------------------ > > _______________________________________________ > Tribuna mailing list > [email protected] > http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna > > > ------------------------------ > > _______________________________________________ > Tribuna mailing list > [email protected] > http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna > > > ------------------------------ > O INTERNET EXPLORER 8 AJUDA VOCÊ A FICAR LONGE DOS VÍRUS. DESCUBRA > COMO.<http://www.microsoft.com/brasil/windows/internet-explorer/features/stay-safer-online.aspx?tabid=1&catid=1&WT.mc_id=1632> > > _______________________________________________ > Tribuna mailing list > [email protected] > http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna > > -- Marcos Virgílio da Silva Arquiteto Urbanista Planta Sistematização de Informações Ltda-ME Cel: (11) 9566.5983 [email protected] Skype: marcos.virgilio
_______________________________________________ Tribuna mailing list [email protected] http://www.samba-choro.com.br/cgi-bin/mailman/listinfo/tribuna
