Rodem pelo Brasil e constatem. Carlos Antônio.
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/fintimes/2007/01/15/ult579u2052.jhtm 15/01/2007 Governo brasileiro pode adotar filosofia estatista em relação a rodovias Mudança de planos do governo com relação a rodovias podem sinalizar filosofia estatista. Discórdias no seio do governo irritaram os investidores, mas os fatos podem refletir uma falta de rumo, em vez de uma guinada para a esquerda Jonathan Wheatley Financial Times O momento não poderia ser mais propício para reforçar a impressão de que a América Latina está dando uma guinada rumo ao controle estatal da economia. Hugo Chávez, o presidente recém-reeleito da Bolívia, mal acabara de revelar os seus planos para nacionalizar amplos setores da economia venezuelana, quando o Brasil, o vizinho bem maior ao sul, cancelou os projetos para a privatização das rodovias federais. Dilma Rousseff, chefe da Casa Civil do governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva, anunciou na semana passada que a administração de sete rodovias federais, que deveria passar por alterações já no início deste mês, não seria mais oferecida ao setor privado. Em vez disso, o governo passou a avaliar a criação de uma empresa estatal para gerenciar as rodovias e coletar pedágios. Muito se disse a respeito da guinada para a esquerda na América Latina nos últimos anos, sendo que grande parte dessa impressão é exagerada. Mas o salto abrupto rumo ao socialismo dominado pelo Estado anunciado por Chávez, os seus vínculos próximos e a aparente influência sobre novos líderes emergentes como Evo Morales, da Bolívia, e Daniel Ortega, da Nicarágua, conferiram mais substância a essa impressão. Mas os acontecimentos no Brasil podem ser o reflexo de uma falta de rumo nas políticas governamentais, e não um movimento consciente para a esquerda, opinam os analistas políticos. Lula, que começou o seu segundo mandato de quatro anos em 1º de janeiro, disse que a sua prioridade é "destravar" a economia brasileira a fim de gerar um crescimento de 5% neste ano - o que representa o dobro da média dos últimos 15 anos. A fim de liberar capital dos setores público e privado para investimentos na economia real, a maioria dos economistas diz que o governo precisa reduzir o nível atual de gastos - em setores como o do pagamento do funcionalismo público, das pensões e dos serviços públicos. Embora os ministros estejam divididos, o presidente diz que a responsabilidade fiscal, embora fundamental, não pode implicar na redução de gastos nos programas sociais. Não se sabe ao certo qual será a direção assumida pelas políticas do governo. Antes da sua reeleição, em outubro, Lula prometeu adotar ações imediatas para promover um crescimento acelerado. Mas nos últimos meses ele não conseguiu nomear a sua nova equipe ministerial, e um muito prometido pacote de medidas para promover o crescimento foi sistematicamente adiado. O anúncio feito na semana passada revela um panorama das brigas que estão por trás desses adiamentos. "Isso é parte da discussão que ocorre em Brasília entre aqueles que acham que os serviços deveriam ser prestados pelo governo e os que querem o envolvimento do setor privado", diz Moacyr Servilha Duarte, presidente da associação de concessão de gerenciamento de rodovias. Segundo ele, o problema é que muita gente acreditou que essa discussão tivesse se encerrado na década de 1990, quando teve início o programa brasileiro de concessões de rodovias. "É uma surpresa o fato de isto ter vindo à tona novamente", diz ele. "Alguns membros do governo não entendem o setor." Marcelino Rafart, presidente da Ecovias, a segunda maior detentora de concessões de rodovias no Brasil, diz que Rousseff foi influenciada pouco antes da sua declaração por uma reunião ocorrida anteriormente com Roberto Requião, o governador populista do Estado do Paraná. Descrito por Rafart como "o Hugo Chávez do Brasil", Requião contestou as concessões de rodovias no seu Estado, antes de perder sua argumentação para o judiciário brasileiro. Rafart diz que Rousseff fez os seus comentários "um pouco fora de contexto", e que espera que a Ecovias, que investiu R$ 1,6 bilhão nas estradas brasileiras durante oito anos, continue investindo no setor. Caso não surja nenhuma nova concessão, no entanto, ele diz que a Ecovias direcionará o seu dinheiro para outros países da região. Mas o problema para a Ecovias e outros investidores é a incerteza criada por tais declarações, afirma Ana Carla Abrão Costa, da Tendências, uma firma de consultoria de São Paulo. "Uma das grandes áreas que necessita de investimentos é a de logística de transporte e esses fatos só farão com que o investidor fique menos disposto a desembolsar dinheiro." Algo que preocupa especialmente alguns investidores são as recentes mudanças na composição do governo Lula. Até o ano passado, aqueles que eram favoráveis a uma economia dirigida pelo Estado, como Rousseff, eram contrabalançados por ministros de orientação mais neoliberal, como Antônio Palocci. Desde que este deixou o cargo de ministro da Fazenda em março do ano passado, os estatistas passaram a prevalecer Visite o site do Financial Times
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