Kleber, 

Eu concordo com a Mirian, mas não confio no governo como não confio também na 
maioria do nosso empresariado.
Pra ficar apenas num ramo: você conhece alguma empreiteira honesta?
É o impasse do jacaré que antigamente em rio de piranhas nadava de costas. 
Deixou de nadar mas se der bobeira, fora d´água vira bolsa de madame.

Carlos Antônio.



----- Original Message ----- 
From: akleber 
To: [email protected] 
Sent: Wednesday, January 17, 2007 3:11 PM
Subject: [gl-L] sobre pedagios e concessões


para não dizer que sou implicante trago um artigo da jornalista

Míriam Leitão - Parado no caminho Panorama Econômico O Globo 12/1/2007 
É desejável uma política de concessões de serviços públicos que defenda a 
concorrência e leve as tarifas a níveis mais baixos. O problema é que o governo 
está entrando em seu quinto ano e, só agora, descobriu que o modelo anterior 
era ruim. E pior: ainda não tem alternativa a ele, como admitiu a ministra 
Dilma Rousseff. Pelo visto, o que o país mais precisa é de um PAG, Plano de 
Aceleração do Governo. 

O governo Lula é lento demais, e o país vai perdendo tempo que não pode perder. 
Na área da logística, o Brasil já enfrentou, nos últimos anos, uma série de 
crises nas rodovias, nos portos, no transporte aéreo. O caso da suspensão das 
licitações é um erro depois de uma seqüência deles na mesma área. 

O governo Lula não conseguiu recuperar as estradas, apesar de ter arrecadado de 
Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), imposto a ser usado 
nas rodovias, R$30,5 bilhões. Também não tocou adiante o programa de concessão 
de estradas, e não licitou um quilômetro durante os quatro anos do primeiro 
mandato. Fez uma desastrada operação Tapa-Buracos; tão superficial que os 
buracos já estão de volta. Agora, no começo do quinto ano de governo, descobre, 
subitamente, que o modelo é ruim, mas admite que não tem ainda uma alternativa 
a ele. 

O empresário Paulo Godoy, presidente da Abdib, foi ontem a Brasília para uma 
reunião sobre o assunto com os ministros Paulo Bernardo, Dilma Rousseff e o 
interino da Fazenda, Bernard Appy. 

- Voltei mais animado, porque a ministra disse que a suspensão da licitação não 
foi motivada por razões ideológicas, e que o governo não tem dúvidas de que 
quer atrair o capital privado para os investimentos em infra-estrutura - 
afirmou o empresário. 

Outra notícia que Paulo Godoy colheu em Brasília é que não se pensa em criar 
uma estatal para cobrar pedágios nas estradas. Há dias, isso foi ventilado. A 
solução seria "destravar" os investimentos nas estradas através de pedágios 
cobrados diretamente pelo governo federal. Uma espécie de "Pedagiobrás". A 
idéia - se alguém a teve no governo - é realmente digna de um prêmio de 
sandice. Num processo em que não há licitação nem concorrência, que preço a 
estatal do pedágio poderia cobrar? Já pensaram na qualidade técnica do indicado 
político para a presidência dessa empresa? 

Enfim, se esse bode saiu da sala, outras más notícias continuam: o governo não 
apenas permanece paralisado quando o assunto é infra-estrutura de transporte, 
como desfaz o que vinha sendo feito a passo de cágado. Nos últimos quatro anos, 
já foram várias modificações no modelo; tudo estava pronto, quando o governo 
suspendeu o processo. 

Paulo Godoy acha que não faz sentido o argumento de que a suspensão da 
licitação foi uma decisão tomada para evitar a formação de cartel: 

- Se há um processo competitivo, não há cartel. Qualquer risco de conluio pode 
ser evitado por regras do edital. O que temos visto é uma verdadeira batalha de 
preços e achamos que cerca de 30 grupos poderão vir a participar do leilão. 

O empresário acredita que não deveria haver muita dúvida sobre a tarifa porque, 
na opinião dele, trata-se apenas de um cálculo matemático e técnico: 

- Calcula-se o investimento, o custo de operação, a carga tributária e a taxa 
de retorno para se chegar ao valor do pedágio. 

Porém o que a ministra Dilma Rousseff ponderou é que a taxa de retorno pode 
estar fora da realidade por dois motivos: o custo financeiro vai cair, pois os 
juros estão diminuindo fortemente; e a carga tributária será reduzida pelo 
pacote de desoneração tributária que será lançado em breve e que vai beneficiar 
principalmente o setor de infra-estrutura. 

São duas boas ponderações, mas é bom lembrar que os juros brasileiros não terão 
níveis internacionais tão cedo e a redução tributária não será tão grande 
assim. De qualquer maneira, as novas variáveis poderiam apenas entrar no 
cálculo, em vez desse "pare tudo" que o governo adotou no processo licitatório, 
que, a propósito, já havia obtido até o aval do Tribunal de Contas da União. 

O país inteiro quer pagar menos pedágio, mas, ao mesmo tempo, quer estradas 
melhores. O custo das estradas no estado em que estão é imenso. A perda de 
vidas é alarmante; o aumento do custo econômico, preocupante. Paulo Godoy citou 
um estudo da Escola de Agronomia de Piracicaba que mostra que o custo extra 
para uma empresa transportar seus produtos numa estrada ruim é de R$34 por 
quilômetro. 

- O país tem de decidir o que quer fazer para ter uma estrada de qualidade. Só 
há três caminhos: a concessão para a iniciativa privada; uma parceria 
público-privada; investir na manutenção das estradas com orçamento público. 
Para evitar problemas como tarifas altas demais ou combinação de preços, basta 
a agência fazer a modelagem correta. 

Apesar de ter voltado animado de Brasília, Godoy admite que o governo não deu 
prazos para que a decisão seja revertida e se retome o processo de licitação: 

- O governo diz que vai retomar o mais breve possível. 

Que bom que o empresário está animado, mas "o mais breve possível", no governo 
Lula, pode ser muito tempo. 

 
 

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