Essa é uma questão do expertise do Dr Carnielli e outros membros da lista
que trabalham com lógica informal/argumentativa (área que julgo de
importância suprema)

Nem todo apelo a autoridades é uma instância da falácia *argumentum ad
verecundiam*. O problema são apelos a autoridades *inadequadas*. Apelos a
autoridade *legítimos* são legítimos quando servem como um *proxy* para a
justificação epistêmica.

Por exemplo, em uma discussão hipotética onde alguém está insistindo que um
prédio foi mal projetado e outro rebate "você está errado, meu tio é
engenheiro civil e disse o contrário", em minha interpretação isso não é
necessariamente um *ad verecundiam*. Se as razões da autoridade que entrou
de pára-quedas na discussão justificam a asserção, mesmo que a pessoa que a
citou não saiba quais são, então o apelo a autoridade não foi falacioso.

Quando um apelo a autoridade é falacioso? Muitas vezes é difícil de
determinar, mas em geral quando nos apoiamos:

1) em autoridades que possuem expertise em uma área para falar de outra que
não é de seu expertise (por exemplo, se apoiar em opiniões de Einstein em
nutrição ou política em virtude dele ser Albert Einstein)

2) autoridades legítimas em determinada área cujo posicionamento não seja
consensual dentre os experts (ex: em cosmologia não faltam autoridades do
mais alto calibre como Roger Penrose ou Alan Guth mas quase sempre se apoiar
exclusivamente na autoridade de cosmólogos para falar a respeito de
cosmologia seria *ad verecundiam* porque não há consenso em muitos âmbitos,
então meramente sua menção não serviria como *proxy* para justificar uma
asserção)

Um forte abraço.

2011/9/18 Eduardo Ochs <eduardoo...@gmail.com>

> Onde fica a linha divisória entre quem "sabe Física e Matemática" e
> quem não sabe? Me parece muito fácil dizer "se você não entende o que
> eu digo, vai estudar"... Mas aí você acaba escrevendo mensagens de uma
> linha que são úteis pra pouca gente e antipáticas pra muitos...
> Enquanto algo um pouquinho mais bem explicado seria mais útil para
> todos.
>
> > 2) digito com dificuldade.
>
> Como assim?????? Você pode explicar melhor como você funciona? Quando
> eu tenho dificuldade pra fazer alguma coisa eu penso bem mais antes de
> fazê-la... Eu passei um tempão tentando descobrir porque é que você
> tinha mandado essa mensagem daqui,
>
>  http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/2011-September/006081.html
>
> e não consegui fazer nenhuma hipótese razoável sobre qual era a sua
> intenção com ela...
>
> > (Disse que sou químico porque o sou; tive muitas horas de
> > laboratório, e, sim, aprendi que, na prática, a teoria é outra...)
>
> Não, você é alguém que sabe a senha do Dória e está se aproveitando de
> que o Dória era químico pra dizer qualquer coisa. Se você fosse
> químico você se comportaria como tal.
>
>  [[]],
>     Eduardo Ochs
>    eduardoo...@gmail.com
>    http://angg.twu.net/
>
>
> 2011/9/18 Francisco Antonio Doria <famado...@gmail.com>
>
> > Três coisas:
> >
> > 1) estava viajando, com o iPhone mas sem computador.
> >
> > 2) digito com dificuldade.
> >
> > 3) não vejo como fazer filosofia da física sem saber física - e
> matemática.
> >
> > Já apareceu aqui o argumento que retorna volta e meia, sobre o não ser a
> > matemática uma ciência. Física é ciência, matemática, de modo algum. aí
> > pergunto: e a teoria de Seiberg-Witten, é matemática ou física?
> Complicado,
> > e arbitrário decidi-lo...
> >
> > (Disse que sou químico porque o sou; tive muitas horas de laboratório, e,
> > sim, aprendi que, na prática, a teoria é outra...)
> >
> >
> > 2011/9/18 Claus Akira Horodynski Matsushigue <claus...@mat.unb.br>
> >
> >> Olá a todos...
> >>
> >> Eu concordo em gênero, número e grau com o Eduardo.
> >> Lembro que argumentos de autoridades são bem autoritários,
> >> ainda mais quando as "autoridades" citadas são os próprios
> >> e/ou de uma vizinhança próxima.
> >>
> >> Entretanto, com grande vigor, gostaria que relevássemos um
> >> tanto acontecimentos indelicados deste tipo em nome de um
> >> ótimo ambiente de harmonia e serenidade na nossa área, não
> >> deixando ocorrer nela o que ocorre em outras áreas.
> >>
> >> Assim, cada qual vai formando as suas próprias opiniões e
> >> tomando os seus lados, mas mantendo a coesão interna da
> >> área.  O importante é que não se tome erroneamente a idéia
> >> que alguns "dominem"  a área por se posicionarem mais
> >> efusivamente.
> >>
> >> Comentário:
> >>
> >> O tal de Popper, assim como outros como Kuhn e Piage, são
> >> base de toda uma Teoria.  É completamente ridículo dizer-se que
> >> concorda ou não com tais personalidades (acho que tomaria zero
> >> em uma prova nas nossas Universidades), assim como seria
> >> sem senso dizer que concorda ou não com Sócrates ou Aristóteles.
> >>
> >> Depois do ponta-pé inicial destes camaradas, muito já foi discutido
> >> e trabalhando nas áreas que eles são protagonistas.  Assiim
> >> discussões mais sérias respeitaria tudo mais que já se falou sobre.
> >>
> >> Em particular sobre Popper, trata prioritariamente das ditas Ciências
> >> Naturais/Experimentais, des considerando, entre outras, as Ciências
> >> Humanas, na linha positivista normal à época.
> >>
> >> Abraços, Claus
> >>
> >>
> >> 2011/9/18 Eduardo Ochs <eduardoo...@gmail.com>
> >>
> >> > Desculpem me meter com uma questão de netiqueta, mas lá vai. Não
> >> > consigo mais me controlar!!! 8-|
> >> >
> >> > O Dória tem mandado essas mensagens de uma ou duas linhas na qual nada
> >> > fica explicado... e pelo menos uma vez ele já usou um argumento de
> >> > autoridade explícito - "Sou quimico, Walter":
> >> >
> >> >
> http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/2011-September/006043.html
> >> >
> >> > No início eu achava que praticamente todo mundo ficava frustrado com
> >> > essas mensagens, mas ninguém se atrevia a falar nada... agora eu estou
> >> > vendo que apesar de que eu teria jurado de pés juntos que elas são
> >> > irrespondíveis - eu pensava: como é que a gente vai dialogar com
> >> > alguém que diz coisas como estas,
> >> >
> >> >
> http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/2011-September/005993.html
> >> >
> http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/2011-September/005995.html
> >> >
> >> > e que dificilmente vai responder mais que uma linha? Mas aí eu vi que
> >> > não só ninguém reclamou como algumas pessoas discutiam com o Dória com
> >> > a maior naturalidade... aí aqui o Dória diz que o _Júlio_ tá usando um
> >> > argumento de autoridade ao citar o Marcelo Gleiser,
> >> >
> >> >
> http://www.dimap.ufrn.br/pipermail/logica-l/2011-September/006081.html
> >> >
> >> > e nas mensagens seguinte o Júlio fica tentando se defender... acho
> >> > isso uma sacanagem, e a minha sensação é de que a gente tá preso
> >> > dentro do "The Argument Sketch" do Monty Python...
> >> >
> >> > Acho que esse tipo de coisa merece um nome - "argumentum doricum"?
> >> > "Argumentum ad iPhonum"?... Alguém mais tem alguma opinião a respeito
> >> > disso - e agora, depois do meu desbafo, ficaria à vontade de
> >> > compartilhar com os demais?...
> >> >
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