Marcos Virgílio, você acertou no âmago da questão.
Amador, sem registro não pode cobrar e tem que fazer divulgação
específica, coerente.
Profissional, tem que ser registrado na OMB e no Sindicato e deve ser
remunerado e
ter todo o aparato jurídico que a especificidade da sua profissão exige.
Garanto a vocês e os que são sabem, é bem diferente da maior parte das
profissões.
Abraço a todos,
Iberê.







Mensagem Original:
Data: 16:16:27 27/07/2009
De: Melissa de Araujo Borges <[email protected]>
Assunto: RE: [S-C] Músico não é mais profissão


Olá, Marcos e demais tribuneiros.

Agora, sim, acho que as colocações anteriores que você fez, foi bem explicada nesse e-mail. Concordo, que a área jurídica, ser entendida e levada,  
somente como uma "ciência filosófica" , é de longe uma ilusão. "Teoria" é uma coisa, a prática, é outra bem diferente. 
Obviamente, utilizamos da filosofia, mas não que seja o mote principal, que irá dimensionar o âmbito de atuação no caso. A repercussão da conclusão 
das decisões, são concretas, imediatas/mediatas, na vida das pessoas. Quanto à "autodefesa", tem que ser explicado alguns parâmetros, ela é 
um desdobramento, do princípio da ampla defesa, que já nos é dado, por ser uma "Garantia Fundamental". Então,  o que seria a 
"autodefesa"? Seria o : a) direito de audiência; b) direito de presença e; c) direito de postulação pessoal . Se formos pensar, o remédio 
constitucional "Habeas Corpus", já é uma utilização do tal princípio, por se tratar de uma "ação" que pode ser impetrada por 
qualquer pessoa, não sendo necessária a presença de advogado ou pessoa qualificada, nem tampouco de folha específica para se interp
or tal procedimento.

Já no "âmbito civil" etc..., já não pode ser assim entendida, já que para 
tanto, é preciso de capacidade postulatória (defesa técnica), para área processual. 
Então, o que vemos?  Uma hora, as garantias se complementam, outras, se divergem. Não 
vejo em suma, como ser totalmente praticada em ambas as áreas de atuações jurisdicionais 
e processuais. Vejo sim, a utilização de tal garantia, por exemplo,  na persecução 
criminal, quando englobada no princípio da ampla defesa. Já que, no Processo Penal, 
todavia, esse instituto, recebe uma forma toda própria, distinta da que normalmente 
possui nos demais tipos de processo ? ou seja, nos processos civis e administrativos. Em 
casos específicos e pontuais, a autodefesa, seria uma atuação bem aproveitada, quando 
surgisse algum erro judicial, por exemplo. Isso já foi até julgado pelo STJ. Tenho que 
mencionar que, o direito de autodefesa, está consignado em Tratados Internacionais, os 
quais , o Brasil é signatário, assim sendo, está incorporado em nosso Sistema, uma hora 
pode ser utilizado, mesmo que
 convergendo em outras garantias fundamentais, como já foi até objeto de 
utilização em nosso ordenamento.


Quanto ao "corporativismo", agora você já deixou bem claro. E quanto ao anacronismo do sistema 
jurídico, é nítido e claro. As leis, e o próprio sistema jurídico como um todo, não consegue acompanhar à 
globalização das informações que chegam a todo minuto. No mais, o assunto é interminável, e falaríamos dele muito 
ainda, mas o canal , é de Samba & Choro. Porém, como o Direito engloba todos meandros, e foi aqui mencionado, 
 por isso temos que citar e debater, mesmo às vezes sendo  "enfadonho", e parecendo desproporcional com 
o assuntos que são veiculados, e o local parecer não ser o  da referida discussão, tem que ser respondido. E 
confesso, que é uma paixão para mim, o Direito, tanto quanto a música. E quando é mencionado, é bom ser 
dissecado, para não haver dúvidas, como fizemos. Até porque, ajuda muitos a entenderem o próprio mecanismo 
jurídico e a própria sociedade, como um todo. Qualquer coisa, estamos em "off", digo, e-mail 
particular,  para maiores dúvidas, ou perguntas sobre o assunto etc... rsss.

Mas voltando à discussão principal : "Regulamentação, ou não da profissão". Músico não é profissão? 
Se sim, e houver uma relação contratual, ou empregatícia, que seja, há que ter algum respaldo, quanto à essa 
relação. Compreendendo tantos direitos, como deveres. Se há uma relação de trabalho, músico/contratante, há 
toda uma implicação sobre esse vínculo empregatício, ou contratual. Porém, há toda uma categoria de músicos.  
Se há "músicos amadores", "cantores da noite", etc.. tem que haver cláusulas específicas, 
que abarquem as condições desses músicos. Assim, não haverá, discriminação e minimalismo de serem incluídos, 
como profissionais ou não.  Agora, se é em regulamento, ou qual ordenamento pode ser previsto, o primordial 
é, ser levado em conta, quem faz música, seja profissional, seja amador. A proibição de se atuar, é o que não 
pode haver mesmo.

Abraços

Melissa

______________________________________________________________________________________________________________________

Date: Mon, 27 Jul 2009 11:25:43 -0300
Subject: Re: [S-C] Músico não é mais profissão
From: [email protected]
To: [email protected]

Eu devo ter me expressado muito mal, mas o que escrevi não tinha nenhum
propósito de ofender nenhuma classe profissional. O que eu estava dizendo é
que a profissão de advogado está inserida num sistema que envolve
responsabilidades grandes demais para ser considerada apenas uma "ciência
filosófica". Seria ingenuidade considerar o Direito desta forma, uma vez que
a atuação dos diversos profissionais do direito (advogados inclusive, mas
não apenas) tem repercussões práticas, concretas e imediatas sobre a vida
das pessoas. Não está em discussão quem faz as leis, quem as executa e o
porquê de o sistema ser assim ou assado, mas nas condições atuais, vejo como
impraticável a possibilidade de autodefesa. Por mais que eu considere que
esta poderia sim ser uma possibilidade a considerar em certos casos.
Quando falo em corporativismo "no pior sentido da palavra", posso estar
fazendo uma generalização absurda, de fato, e peço desculpas por isso. Mas
não é, nem de longe, "total desconhecimento". Meu convívio com pessoas
integrantes do sistema jurídico (advogados, juízes, etc) é estreito o
bastante para eu conhecer razoavelmente os problemas desse sistema - que,
independentemente deste ou daquele bom profissional (e eu conheço muitos
desses) - permanece com uma série de hábitos já anacrônicos, que eles mesmos
admitem. Mas não quero alimentar essa discussão, pois este não é o forum
para isso.

Voltemos à profissão do músico. O que eu pretendia afirmar é que a atuação
irregular de um músico não põe em risco a vida ou os direitos individuais de
ninguém (no máximo, causa algum incômodo), então não faz sentido ter sobre
essa profissão o mesmo tipo de controle que há sobre outras profissões como,
por exemplo, a de engenheiro. Isto não quer dizer que não deva haver nenhum
controle ou disciplinamento. Pela simples razão de que o músico é, na
sociedade atual, uma profissão - ou seja, há quem venda sua força de
trabalho nesta atividade, e uma vez estabelecida uma relação de trabalho
nesta sociedade capitalista, o músico não difere essencialmente de um
profissional como qualquer outro. Deve haver algo, então, que regulamente
esta relação. O que está em discussão, parece, é até que ponto a profissão
de músico é específica o suficiente para ter sua própria regulamentação.
Mas eu insisto em que há músicos e músicos. Deveria haver algum tipo de
permissão ou autorização para a prática pública de música amadora, sem que
esta significasse rebaixar a condição de trabalho de quem é profissional.
Acho que em algumas áreas não há muito o que discutir: músico de orquestra,
de estúdio, etc, tem que ser profissional - o que quer que isso implique.
Mas há zonas de conflito: os músicos da noite, por exemplo. Talvez se
pudesse estabelecer que uma casa que queira cobrar entrada ou couvert
artístico tivesse a obrigação de contratar músicos profissionais (e aí
contratar mesmo, com algum registro, remuneração mínima, direitos
trabalhistas, etc.). Se a casa não quer arcar com isso, pode chamar músicos
amadores e não cobrar nada de ninguém - aí o músico também não cobra, mas
não é proibido de se exibir. Se tiver algum material próprio para vender, ou
quer "passar o chapéu" depois, também não é proibido. Enfim, acho que se
trata de ajustar a regra à realidade, e não o contrário.

Marcos Virgílio

2009/7/25 Melissa de Araujo Borges <[email protected]>

>  Olá Joel, e demais interessados.
>
> Gostaria de responder, o que é atinente a questão dos advogados, sobre um
> outro prisma. Em primeiro lugar, quando você menciona o "corporativismo",
> podemos pensar em um sentido mais amplo. Em qual esfera de atuação, seja
> jurídica, social, política, empresarial, comercial, acadêmica, até
> esportiva, não há a defesa dos princípios pessoais, de quem frequente esse
> "sistema" ??? O "corporativismo", e aqui digo a defesa de qualquer classe,
> existe e não é somente no sistema jurídico, mas em qualquer organização, que
> se haja conhecimento no Brasil, tanto corporativismo empresarial,
> governamental, agremiativo, institucional, estatal, etc... que seja.
>
> Agora falar em um corporativismo, e dizer no sentido do: "pior sentido da
> palavra" , isso é englobar toda uma classe jurídica, e isso eu não concordo.
> Há bons e maus profissionais em qualquer seara que se atue, intitular esse
> corporativismo maléfico, ser mais preponderante na classe advocatícia ,
> tendo em vista um  "corporativismo no pior sentido da palavra" , é usar de
> inverdades quando atingida uma classe, na sua totalidade. Sem dizer, que é
> um total desconhecimento de causa, e desconhecimento do sistema como um
> todo. Vou tentar falar sem o "juridiquês" , que nos é taxado. Quando se fala
> em "brechas" , em causas/cláusulas dúbias, elas assim existem, não por culpa
> dos advogados em si, utilizamos as "brechas" que existem, é óbvio, mas que
> há por uma quebra das leis, que não acompanham o sistema jurídico atual como
> um todo. Vamos pensar, em um Sistema que beneficiasse somente uma parte, ou
> cláusulas pétreas, que não são mutáveis, em relação a nova realidade
> jurídica, como resolveríamos tal celeuma?? Há de deixar bem claro aqui, que
> no Brasil, tem todo um Sistema Organizacional, que nos move, as LEIS, que
> são aqui taxadas de, ambíguas, disformes, dúbias, não são feitas pelos
> advogados, mais sim pelo Poder Legislativo, representado pelos legisladores, > homens que devem elaborar as leis que regulam o Estado. O poder legislativo
> por sua vez, é constituído pelo Senado Federal , Câmara dos deputados. Os
> estados brasileiros também possuem o Poder Legislativo (composto pelos
> deputados estaduais), assim como os municípios (composto pelos vereadores).
> Além de fazer as leis, cabe aos integrantes do Poder Legislativo, aprovar ou
> rejeitar as leis propostas pelo Poder Executivo, fiscalizar, entre outras
> atribuições.
>
> No Brasil, os integrantes deste poder são eleitos pelo povo, através de
> eleições diretas. Assim sendo, o que cabe aos advogados, é o trabalho de
> deixar mais igualitário as lacunas das leis, que poderiam favorecer uma
> parte, e que poderiam não deixar homogêneo os Direitos das partes envolvidas
> em uma questão.
>
> O Direito serve para isso, tentar igualitar o que antes estava desigual,
> para podermos transformar essas "faltas", no mais puro Direito que deve ser
> atribuído a parte que não tem ninguém que a proteja.
>
> No que tange a sua fala, em relação aos  "os advogados podem ser
> responsáveis pela supressão de direitos invidividuais ( como prisão, etc..).
> Tenho que deixar claro,  quando se fala em "Direitos Individuais",
> representam um conjunto de limitacões do ESTADO em face das pessoas que com
> ele se relacionam. Só nos pautamos pelo que está na Constituição, e o que lá
> prevê, atuamos nesse ínterim, o que há dirimido e redigido na Constituição,
> é o que nos dá base para defesa ou acusação, do que não estiver em
> consonância com as "normas atribuídas , lá contidas na Carta Magna. Os
> limites são os já criados, as normas que estão lá contidas, sejam
> assecuratórias, sejam as garantias fundamentais, partiremos dessa premissa,
> para utilizarmos de nossa atuação.  Se há a "supressão" de tais direitos,
> pode ter certeza, que será por normas que não se coadunam com as normas
> previstas, ou quando há a falta de regulamentação lá prevista. Se há
> discrepâncias, erros de conduta dos profissionais, é por isso que existe
> toda uma regulamentação da Classe Jurídica, como um todo, aqui incluindo
> Ministério Público, Procuradoria, etc..,  para que verifiquem e supram tais
> irregularidades. Mas isso há no Sistema Jurídico, como um todo. É óbvio que
> fica gritante, quando ocorre tais desvios, por tratar-se do bem primordial,
> "A  Vida" , em um sentido geral, mas se não fosse profissionais sérios e
> engajados, que estão aí em suas atuações, teríamos uma DESORDEM, e ao invés
> de uma Democracia, viveríamos em uma Milícia, em uma ANARQUIA.
>
> Concordo com o amigo Joel de Oliveira, em uma vertente, "A minha
> preocupação é que estejam classificando os profissionais pela lógica dos
> vestais de plantão. No Supremo, onde muitos se sentem supra-humanos e
> profissões como jornalismo, músico etc sejam consideradas inferiores e/ou
> desqualificadas. " E digo mais, parafraseando "Alexander Pope"  ..."Feliz é
> o destino da inocente vestal, esquecida pelo mundo que ela esqueceu, Brilho
> eterno de uma mente sem lembranças. Cada prece aceita, cada desejo
> renunciado"
>
> É o que vivemos atualmente, pauta-se na pseuda inocência do, "não sei, não
> vi" , "não vivi" , apagar todos os resquícios do que foi feito, ou
> encoberto.  Assim sendo, quem não quer ser uma "INOCENTE VESTAL"???
>
> PS: Deus NOS livre, da desregulamentação da advocacia, a coisa já está
> complicada, imagina ao contrário???
>
> Abraços
>
> Melissa
>
>
> ______________________________________________________________________________________________________________________
>
>
>
> > Date: Sat, 25 Jul 2009 15:17:51 -0300
> > Subject: Re: [S-C] Músico não é mais profissão
> > From: [email protected]
> > To: [email protected]
>
> >
> > Olá Joel, e todos os outros,Faz tempo que estou para responder à sua
> > "provocação". Primeiro dizer que a curiosidade acadêmica é essa mesmo: eu
> > estudo a urbanização pelo prisma da produção musical, e a questão da
> > profissionalização dos músicos me parece um aspecto importante dessa
> > interface. Mas não tenho maiores referências sobre o assunto, queria me
> > aprofundar um pouco mais.
> > Fora isso, não tenho nenhum interesse em defender a causa dos advogados,
> > para mim uma categoria de um corporativismo no pior sentido da palavra.
> Mas
> > acho que não dá para falar só deles sem questionar o sistema jurídico
> todo,
> > os meandros processuais, o linguajar cifrado, as brechas e dubiedades das
> > leis... Os profissionais do direito conseguiram se tornar necessários,
> > infelizmente. Mas não deixo de ver com simpatia sua ideia de autodefesa!
> > O único receio que tenho em comparar músicos com advogados é que,
> enquanto
> > um atua numa esfera artística (o que quer que isso signifique) e, muitas
> > vezes, ligadas ao lazer, os advogados podem ser responsáveis pela
> supressão
> > de direitos individuais (como a prisão, etc.), então pelo grau de
> > responsabilização de uma profissão e outra, talvez seja preciso mesmo
> haver
> > um controle social maior (e quando digo controle social, não acho que
> > signifique necessariamente estatal). E quando esse controle é menos
> > necessário (aparentemente), o simples fato de ter-se tornado uma
> profissão
> > talvez exija que haja mesmo algum tipo de regulamentação. Não é tanto a
> > questão de achar que músico é dom, é inspiração, etc. Mas sem dúvida,
> para
> > muitos, é um hobby, um lazer. Para quem pretende viver profissionalmente
> de
> > música, é legal que exista alguma normatização, mas talvez pudesse haver
> > também algum estágio intermediário para quem não quer ser profissional,
> mas
> > nem por isso quer deixar de se expressar artisiticamente. Enfim, tenho
> mais
> > questões que respostas, mas tenho gostado de pensar sobre isso em seus
> > diversos aspectos.
> > Abraços,
> > Marcos Virgílio
> >
> >
> > 2009/7/19 JOEL <[email protected]>
> >
> > > Olá Marcos,
> > > Seja bem-vindo à Tribuna,
> > > Não sei exatamente ao que você se refere quando diz que tem curiosidade
> > > acadêmica; se para efeito de estudos ou não. Pouco importa!
> > > Aproveito, no entanto, sua deixa para provocar-lhe numa refelxão,
> dentro da
> > > sua lógica: Qual a razão de o advogado ter diploma se o direito é uma
> > > ciência filosófica? Como filosofia de defesa dos direitos que todos nós
> > > temos, por quê somos forçados a contratar advogados para nos defender
> quando
> > > poderíamos, todos, pormover a auto-defesa em qualqeur situação. Os
> > > tribunais, salvo os especiais, não aceitam a auto-representação de não
> > > advogado. Os formados têm que passar por uma banca examinadora para
> poderem
> > > advogar e aquele que é formado, inscrito na OAB e que não paga, por
> qualquer
> > > razão sua contribuição, não pode exercer a advocacia.
> > > A minha preocupação é que estejam classificam as profissionais pela
> lógica
> > > dos vestais de plantão no Supremo onde muitos se sentem supra-humanos
> > > eprofissões como jornalismo, músico etc sejam consideradas inferiores
> e/ou
> > > desqualificadas.
> > > Não sou músico nem jornalista mas devemos nos preocupar com certas
> decisões
> > > de cima para baixo, como você diz preocupado.
> > > Vamos multiplicar essa idéia de desprofissionalizar os advogados apra
> > > vermos no que vai dar; quais serão as reações porque na mesma linha de
> seu
> > > raciocínio, não teríamos advogados de porta de cadeia pois que cada um
> teria
> > > que estudar e muito para ser notável poupando os incautos dos maus
> > > profissionais pela seleção natural.
> > > abraços
> > > Joel de Oliveira
> > > Brasília/DF
> > > 2009/7/17 Marcos Virgílio <[email protected]>
> > >
> > > Bom dia a todos,
> > >> Esta é minha primeira postagem na Tribuna, e o assunto me interessa
> por
> > >> uma
> > >> série de motivos. Eu gostaria de conhecer melhor a história deste
> processo
> > >> que é a profissionalização do músico, por uma curiosidade acadêmica.
> Mas o
> > >> pouco que conheço (dessa história e de música, já que sou não mais que
> um
> > >> amador) me faz pensar que essa questão deveria ser toda repensada
> mesmo,
> > >> mas
> > >> é uma pena que a iniciativa tenha que ter partido de cima pra baixo, e
> não
> > >> a
> > >> partir de um movimento dos próprios músicos.
> > >> Me parece que isso já foi assim quando da criação da OMB ou da
> > >> regulamentação da profissão. Esse paternalismo de dizer quem pode ser
> > >> considerado músico e qual a formação necessária para isso me parece
> > >> exagerado para os dias de hoje, mas é lamentável que os próprios
> músicos
> > >> nunca tenham promovido um debate consistente sobre isso. Essa
> > >> institucionalização toda me lembra um modelo fabril, de operários
> > >> sindicalizados e coisa do tipo, o que os músicos nunca foram (parece).
> > >> Precisariam ou deveriam ser? É uma pergunta que eu ainda sou incapaz
> de
> > >> responder. Não se consegue agremiar uma "classe" de músicos nem para
> > >> debater
> > >> questões de seu interesse imediato ($) como a questão dos direitos
> > >> autorais
> > >> ou questões afins...
> > >> Sobre o diploma de jornalismo, meu pai foi jornalista a vida inteira
> sem
> > >> ter
> > >> feito faculdade para isso: o diploma não era exigido quando ele
> começou, e
> > >> quando essa exigência passou a existir, reconheceram ao menos que quem
> já
> > >> tem "quilometragem" teria condições pressupostas de exercer a
> profissão
> > >> (seria como um título honoris causa ou por notório saber). É uma
> > >> possibilidade...
> > >> Quanto a tirar empregos... bom, aqui estamos basicamente falando de
> bares
> > >> e
> > >> restaurantes, certo? Porque ninguém vai querer chamar um "metido" para
> > >> gravar em estúdio, para acompanhar um artista, etc, a não ser que
> tenha
> > >> sua
> > >> competência reconhecida. Acho que há muitos campos em que os
> diletantes
> > >> não
> > >> têm acesso tão fácil, e isso vai continuar com ou sem a regulamentação
> > >> (talvez essa desregulamentação crie sim problemas em termos de
> relações
> > >> trabalhistas, mas é outra história). Mas tocar em bares/botecos é uma
> boa
> > >> maneira de um amador se tornar músico de verdade: praticando, trocando
> > >> experiências, vivenciando o ofício, construindo uma reputação... Acho
> que
> > >> é
> > >> uma grande escola. Talvez haja alguma maneira de conciliar esses
> níveis
> > >> muito diferenciados de familiaridade com a música...
> > >> Abraços a todos, e é um prazer participar deste fórum!
> > >> Marcos Virgílio da Silva
> > >>
> > >> 2009/7/16 Remo Pellegrini <[email protected]>
> > >>
> > >> > isso já foi muito discutido mas nunca chegamos num acordo
> > >> >
> > >> > há, sim, músicos muito bons que não precisaram de estudo acadêmico.
> > >> > intuitivos, desenvolveram bem seus trabalhos e têm o direito.
> > >> >
> > >> > além disso, se um boteco contrata o metido por 3 reais, é dele que o
> > >> boteco
> > >> > precisa. não é de mim. se não contratá-lo, eles não vão me contratar
> por
> > >> 200
> > >> > e não é a minha música que eles querem. então o "metido" é o
> > >> profissional
> > >> > ideal para o estabelecimento.
> > >> >
> > >> > imagine se obrigassem que todos os motoristas fossem profissionais.
> nós
> > >> -
> > >> > não taxistas, motoristas de ônibus etc - somos "metidos" por
> dirigirmos
> > >> > nossos carros. estamos tirando trabalho de alguém que vive disso
> cada
> > >> vez
> > >> > que vamos de carro ao supermercado.
> > >> >
> > >> > Artur, em 23 anos de profissão, eu nunca achei que estava perdendo
> > >> trabalho
> > >> > porque alguém pegou um violão e saiu tocando num boteco. e me parece
> que
> > >> > quem defende a manutenção da Ordem se preocupa mais com o status que
> lhe
> > >> > concede a instituição. posso estar enganado, mas é o que parece.
> > >> >
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