Olá Joel, e todos os outros,Faz tempo que estou para responder à sua
"provocação". Primeiro dizer que a curiosidade acadêmica é essa mesmo: eu
estudo a urbanização pelo prisma da produção musical, e a questão da
profissionalização dos músicos me parece um aspecto importante dessa
interface. Mas não tenho maiores referências sobre o assunto, queria me
aprofundar um pouco mais.
Fora isso, não tenho nenhum interesse em defender a causa dos advogados,
para mim uma categoria de um corporativismo no pior sentido da palavra. Mas
acho que não dá para falar só deles sem questionar o sistema jurídico todo,
os meandros processuais, o linguajar cifrado, as brechas e dubiedades das
leis... Os profissionais do direito conseguiram se tornar necessários,
infelizmente. Mas não deixo de ver com simpatia sua ideia de autodefesa!
O único receio que tenho em comparar músicos com advogados é que, enquanto
um atua numa esfera artística (o que quer que isso signifique) e, muitas
vezes, ligadas ao lazer, os advogados podem ser responsáveis pela supressão
de direitos individuais (como a prisão, etc.), então pelo grau de
responsabilização de uma profissão e outra, talvez seja preciso mesmo haver
um controle social maior (e quando digo controle social, não acho que
signifique necessariamente estatal). E quando esse controle é menos
necessário (aparentemente), o simples fato de ter-se tornado uma profissão
talvez exija que haja mesmo algum tipo de regulamentação. Não é tanto a
questão de achar que músico é dom, é inspiração, etc. Mas sem dúvida, para
muitos, é um hobby, um lazer. Para quem pretende viver profissionalmente de
música, é legal que exista alguma normatização, mas talvez pudesse haver
também algum estágio intermediário para quem não quer ser profissional, mas
nem por isso quer deixar de se expressar artisiticamente. Enfim, tenho mais
questões que respostas, mas tenho gostado de pensar sobre isso em seus
diversos aspectos.
Abraços,
Marcos Virgílio


2009/7/19 JOEL <[email protected]>

> Olá Marcos,
> Seja bem-vindo à Tribuna,
> Não sei exatamente ao que você se refere quando diz que tem curiosidade
> acadêmica; se para efeito de estudos ou não. Pouco importa!
> Aproveito, no entanto, sua deixa para provocar-lhe numa refelxão, dentro da
> sua lógica: Qual a razão de o advogado ter diploma se o direito é uma
> ciência filosófica? Como filosofia de defesa dos direitos que todos nós
> temos, por quê somos forçados a contratar advogados para nos defender quando
> poderíamos, todos, pormover a auto-defesa em qualqeur situação. Os
> tribunais, salvo os especiais, não aceitam a auto-representação de não
> advogado. Os formados têm que passar por uma banca examinadora para poderem
> advogar e aquele que é formado, inscrito na OAB e que não paga, por qualquer
> razão sua contribuição, não pode exercer a advocacia.
> A minha preocupação é que estejam classificam as profissionais pela lógica
> dos vestais de plantão no Supremo onde muitos se sentem supra-humanos
> eprofissões como jornalismo, músico etc sejam consideradas inferiores e/ou
> desqualificadas.
> Não sou músico nem jornalista mas devemos nos preocupar com certas decisões
> de cima para baixo, como você diz preocupado.
> Vamos multiplicar essa idéia de desprofissionalizar os advogados apra
> vermos no que vai dar; quais serão as reações porque na mesma linha de seu
> raciocínio, não teríamos advogados de porta de cadeia pois que cada um teria
> que estudar e muito para ser notável poupando os incautos dos maus
> profissionais pela seleção natural.
> abraços
> Joel de Oliveira
> Brasília/DF
> 2009/7/17 Marcos Virgílio <[email protected]>
>
> Bom dia a todos,
>> Esta é minha primeira postagem na Tribuna, e o assunto me interessa por
>> uma
>> série de motivos. Eu gostaria de conhecer melhor a história deste processo
>> que é a profissionalização do músico, por uma curiosidade acadêmica. Mas o
>> pouco que conheço (dessa história e de música, já que sou não mais que um
>> amador) me faz pensar que essa questão deveria ser toda repensada mesmo,
>> mas
>> é uma pena que a iniciativa tenha que ter partido de cima pra baixo, e não
>> a
>> partir de um movimento dos próprios músicos.
>> Me parece que isso já foi assim quando da criação da OMB ou da
>> regulamentação da profissão. Esse paternalismo de dizer quem pode ser
>> considerado músico e qual a formação necessária para isso me parece
>> exagerado para os dias de hoje, mas é lamentável que os próprios músicos
>> nunca tenham promovido um debate consistente sobre isso. Essa
>> institucionalização toda me lembra um modelo fabril, de operários
>> sindicalizados e coisa do tipo, o que os músicos nunca foram (parece).
>> Precisariam ou deveriam ser? É uma pergunta que eu ainda sou incapaz de
>> responder. Não se consegue agremiar uma "classe" de músicos nem para
>> debater
>> questões de seu interesse imediato ($) como a questão dos direitos
>> autorais
>> ou questões afins...
>> Sobre o diploma de jornalismo, meu pai foi jornalista a vida inteira sem
>> ter
>> feito faculdade para isso: o diploma não era exigido quando ele começou, e
>> quando essa exigência passou a existir, reconheceram ao menos que quem já
>> tem "quilometragem" teria condições pressupostas de exercer a profissão
>> (seria como um título honoris causa ou por notório saber). É uma
>> possibilidade...
>> Quanto a tirar empregos... bom, aqui estamos basicamente falando de bares
>> e
>> restaurantes, certo? Porque ninguém vai querer chamar um "metido" para
>> gravar em estúdio, para acompanhar um artista, etc, a não ser que tenha
>> sua
>> competência reconhecida. Acho que há muitos campos em que os diletantes
>> não
>> têm acesso tão fácil, e isso vai continuar com ou sem a regulamentação
>> (talvez essa desregulamentação crie sim problemas em termos de relações
>> trabalhistas, mas é outra história). Mas tocar em bares/botecos é uma boa
>> maneira de um amador se tornar músico de verdade: praticando, trocando
>> experiências, vivenciando o ofício, construindo uma reputação... Acho que
>> é
>> uma grande escola. Talvez haja alguma maneira de conciliar esses níveis
>> muito diferenciados de familiaridade com a música...
>> Abraços a todos, e é um prazer participar deste fórum!
>> Marcos Virgílio da Silva
>>
>> 2009/7/16 Remo Pellegrini <[email protected]>
>>
>>  > isso já foi muito discutido mas nunca chegamos num acordo
>> >
>> > há, sim, músicos muito bons que não precisaram de estudo acadêmico.
>> > intuitivos, desenvolveram bem seus trabalhos e têm o direito.
>> >
>> > além disso, se um boteco contrata o metido por 3 reais, é dele que o
>> boteco
>> > precisa. não é de mim. se não contratá-lo, eles não vão me contratar por
>> 200
>> > e não é a minha música que eles querem. então o "metido" é o
>> profissional
>> > ideal para o estabelecimento.
>> >
>> > imagine se obrigassem que todos os motoristas fossem profissionais. nós
>> -
>> > não taxistas, motoristas de ônibus etc - somos "metidos" por dirigirmos
>> > nossos carros. estamos tirando trabalho de alguém que vive disso cada
>> vez
>> > que vamos de carro ao supermercado.
>> >
>> > Artur, em 23 anos de profissão, eu nunca achei que estava perdendo
>> trabalho
>> > porque alguém pegou um violão e saiu tocando num boteco. e me parece que
>> > quem defende a manutenção da Ordem se preocupa mais com o status que lhe
>> > concede a instituição. posso estar enganado, mas é o que parece.
>> >
>> > eu só preciso tocar pra mostrar que sou músico
>> >
>> > um abraço
>> > Remo
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