Paulo, 
 
A questão naõ é tão simples assim. Existe um custo operacional alto a ser pago 
na produção de um CD. Sabe lá o que é pagar 100/hora de estúdio com em média 40 
horas/álbum, fora mixagem e masterização, entre outros custos. Além do que 
ninguém faz nada de graça. A gravadora quer o dela (até porque senão não paga 
seus funcionários), e a ausência de um mecanismo de retorno financeiro (lucro 
mesmo, sem tarja preta nos olhos...), pode reduzir a oferta de vagas para novos 
artistas.
 
Sim, porque os consagrados, esses tem vaga garantida. São sinônimo de lucro, 
mesmo em um mercado com pirataria ou divulgação pela internet (6 por meia 
dúzia...).
 
Coloque-se no lugar da gravadora: sabendo que o seu trabalho que vai custar "x" 
e ser vendido por "y", vai sofrer um "desvio-padrão" da divulgação não cobrada 
(pirataria), quem vc escolheria gastar o seu dinheiro e produzir musicalmente?
O famoso ou o desconhecido? Não precisa nem responder né...
 
Justo ou não, esse mecanismo interfere diretamente no mercado de trabalho dos 
músicos. Que é bem mais amplo que tocar em barzinhos (que a galera já sabe - 
pelo que li nos outros posts - além de ganhar pouco, o calote come no centro).
 
Agora, não se pode negar também, a realidade (ou seria 
virtualidade?) pós-internet.
Uma das grandes tendências mundiais, sãos as creative commons, onde os artistas 
disponibilizam gratuitamente seus áudios para o seu público.
É jogo. O cara se vira pra custear a gravação do aúdio. Investe num web-site. E 
voalí!!! (voilá! para os não-caipiras...)
Se ele for bom, com o aumento da demanda de shows suas contas de luz serão 
pagas, quem sabe o faustão não chama ele ao perceber seu vídeo-clip com mais de 
10 milhões de visitas no youtube... Caso contrário, ele vai ter que 
abaixar a cabeça e voltar pra faculdade de medicina como a sábia e 
experiente mamãe havia aconselhado (afinal, música é coisa de 
desocupado... - que no fim das contas compôe a diversão e o relaxamento dos 
outros - Desde o tempo da cigarra e da formiga a profissão já era 
marginalizada...).
 
Na verdade, essa discussão é muito mais complexa.
 
Existem as duas possibilidades. A venda de CD e a disponibilização gratuita 
virtual.
Porém, quem deve decidir isso? O artista ou o público?
 
É muito fácil criticar a qualidade musical/cultural do que rola por aí.
Mas, e o cara que vive daquilo?
 
Eu por exemplo, toco cavaquinho. Gasto um tempo da minha vida, estudando 
métodos e mais métodos, repertórios, harmonia coisa e e tal... Aí um belo dia 
eu abro a porta da geladeira e não tem nada. Qual trabalho vc acha que eu vou 
aceitar?
O grupo de choro que vai me pagar 10 ou o Pagodão do Créu que vai me pagar 
5.000 pra tocar 4 acordes?
 
No dos outros é refresco. E a classe musical é quem sabe o que é comprar pão e 
leite divertindo os outros.
 
Na minha opinião. O artista deve ter a liberdade de escolher se vai vender seu 
CD ou divulgar nas creative commons. A estratégia de ação deve ser dele. Se o 
cara escolher errado, problema dele! Se for safo, vai lucrar. 
 
O blog é massa, atire a primeira pedra quem nunca baixou nada. Mas cá entre 
nós, é ingênuo quem nunca observou os anúncios do google gerados pelo alto 
número de visitantes.
 
Agora pegar no batente de manhã cedo cansa, eu sei...
 
 
 
Abs
 
 
Marcelo Neder
 


--- Em sex, 13/6/08, Paulo Serau <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

De: Paulo Serau <[EMAIL PROTECTED]>
Assunto: RE: [S-C] O CD morreu
Para: "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>, "samba e choro" 
<[email protected]>
Data: Sexta-feira, 13 de Junho de 2008, 20:32

Esse trabalho de acessbilidade cultural artístico musical deve continuar... e
que seja em forma de guerrilha cultural, lamentável uma gravadora fazer isso
com um blog.
 
> Date: Fri, 13 Jun 2008 09:40:19 -0300> From:
[EMAIL PROTECTED]> To: [email protected]> Subject: [S-C]
O CD morreu> > Amigos, coloco aqui texto de Marcus Preto sobre o CD.>
> O CD MORREU> > > Um desses blogs que disponibilizam discos
inteiros pra download de> graça… Espera, deixa eu explicar isso
melhor.> > > > Existem pessoas que gostam tanto de música que se
dão o trabalho de> postar álbuns completos em um provedor de hospedagem de
arquivos (tipo> Rapidshare) e depois publicar os links de acesso diariamente
em seus> blogs. Pra quem também gostar de música - ou tiver interesse
no> artista em questão - poder baixar, ouvir, conhecer. Não sei se
ficou> claro: os blogueiros não ganham um tostão com isso.> > >
> Expliquei. Voltando. Um desses blogs que disponibilizam discos>
inteiros pra download de graça disse esta semana ter recebido um> ultimato
da gravadora carioca Biscoito Fino: ou os responsáveis pelo>
"crime" deletariam os posts relacionados a todos os artistas de
seu> elenco ou os advogados da empresa seriam acionados. Os posts foram>
devidamente deletados, já que ninguém quer ir preso ou pagar multa à>
toa.> > > > A Biscoito Fino tem todo o direito de não querer ver
seu produto, que> tem um custo alto, sendo entregue de graça na rede. É
uma empresa que> produz discos e quer ter seu retorno através da venda
deles. Mas o> buraco que aparece nessa história toda é bem mais embaixo.
Afinal, 1 -> alguém ainda compra CD no Brasil?, 2 - proibir um blog
minúsculo de> disponibilizar os tais discos vai aliviar o rombo criado
pela> pirataria ou pelos downloads de sites gigantescos, tipo Soulseek
ou> Emule?, 3 - vem ao caso, a essa altura do campeonato, lutar contra a>
pirataria ou o mais sensato seria viver APESAR dela?, 4 - alguém ainda>
acredita que o mundo pode voltar à era (e aos hábitos) pré-internet?,> 5
- existe quem creia que os mecanismos tecnológicos vão um dia> conseguir
barrar totalmente a troca de arquivos? Quanta pergunta…> > > > O
fato é que o mercado fonográfico já deveria ter se tocado (alguns já> se
tocaram) de que não adianta querer ficar brincando de Dom Quixote,> tentando
manter o CD, aquele objeto palpável com um furo no meio, no> velho posto de
"o produto"? O CD morreu! O negócio agora é mandar às> favas o
sentimento de posse sobre o objeto e reconhecer que o grande> produto é o
próprio artista e sua música - que não podem ser> pirateados. E inventar
novas maneiras de ganhar dinheiro com isso.> > > > E, nesses novos
tempos, um blog como o que foi obrigado a apagar seus> posts pela Biscoito
seria muito bem-vindo. Afinal, divulgação é parte> bem importante nessa
história. Desde o tempo em que o CD valia alguma> coisa.
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