Agora é minha vez... Segure aí que eu vou no supermercado senão a patroa vai
pegar o rolo de macarrão...
Abs
Marcelo Neder
--- Em ter, 17/6/08, Paulo Serau <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
De: Paulo Serau <[EMAIL PROTECTED]>
Assunto: RE: [S-C] O CD morreu?
Para: [EMAIL PROTECTED], "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>, "samba e
choro" <[email protected]>
Data: Terça-feira, 17 de Junho de 2008, 18:04
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Fala, Marcelo, aqui estamos novamente!
Agora com tempo para responder! rs...
É essa evolução que estamos falando do público decidir o que será consumido e a
tua relação com a troca da rádio pela TV, como mídia mais cotidiano de fato tem
a ver, e acompanha, a lógica da linha da evolução tcnológica, ou seja, entra
também no papo da troca do disco para a fita, para o CD, para o arquivo virtual.
A vida do CD será a mesma do disco, logo se reduzirá a um artigo de
luxo, de colecionador. Como já dito, o que me deixa um pouco apreensivo é
o lance da concepção de álbum que acabou-se perdendo um pouco, né?
Mas de repente isso será suprido pelos sites-álbum, onde cada site é uma única
história, concepção de site por trabalho desenvolvido, saca? Acho um caminho
interessante.
Veio-me a cabeça o seguinte, você disse: "O "pobre" baixa na internet, e o cara
que tem grana, "ostenta" sua caríssima coleção de CDs", mas temos o
seguinte problema gerado por isso, o pobre no Brasil, não sei os dados corretos
e por isso me desculpe pela imprecisão, ainda sofre muito a exclusão
digital, e também é alto o número de pessoas que comparado a analfabetismo
funcional (cara que só assina o nome e mais nada, não tem interpretação de
texto e tal...) ainda não sabem das possibilidades e acessibilidades ao se
depararem com a internet, ou seja, extraficou-se nesse caso ainda mais o acesso
à música, correto? O rico continua tendo muito mais do que o pobre, aumentando
ainda muito mais, o distanciamento da acessibilidade. Cara, que problema sério!
Então qual é o único acesso, talvez não o único, mas o mais "politicamente
(in)correto", a "pirataria branca" que seria algo do gênero, o artista se
pirateia e joga na
mão dos camelôs o seu próprio produto. Acho muito interessante e isso se
enquadra naquele primeiro email no qual falei sobre "guerrilha cultural".
Sei bem como é esse processo de chmar amigos para gravar, pois estou, como já
disse, no meio de um processo de gravação autoral e até agora
consegui um grande esforço de ótimos músicos, por boa ação, mas logo mais, se
eu chamar um medalhão a casa caí e vai grana, é investimento.
Concordo que o show é só uma possibilidade dentro do meio artístico, talvez a
mais clara para todos, mas todo o lado burocrático, produção, e até o ensino
musical são nossas possibilidades. E são necessárias, acho eu, para todos os
artistas/músicos, pois não é só sentar no banquinho e tocar, tem que saber oq
ue acontece por fora.
Essa situação de ganhar R$20,00 por show pra alimentar a família é uma vergonha
num país tão rico, culturalmente e financeiramente, pois sabemos muito bem que
grana existe aqui nesse país, só é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito mais
distribuida.
Acho que um caminho interessante para isso é os músicos, profissionais mesmo,
concientizarem-se de uma coisa, o dono do boteco só paga vinte conto pro cara
(valor que estipulamos só para conversarmos, mas sabemos que isso é um
absrudo), pois se alguém falar que não topa tocar por vintão, outro faz.. daí
alguns por medo de serem trocados, acabam abaixando o seu valor e tocando por
mixaria... isso é super complicado, enquanto não houver uma resposta direta aos
estabelecimentos, nada mudará! A OMB serve pra que mesmo? Para cuidar de nós,
mas infelizmente não faz muita coisa, a não ser te dar um calendário no começo
do ano... Ela deveria fazer com que aquela tabela de cachês fosse respeitada,
né? Nossa, que sonho! Pena que é Brasil e aqui ou o povo pega na inchada e leva
a causa ou morremos na praia.
Entende essa movimentação? Músico que se preza, deve exigir cachê bom e pular
fora de furadas e donos incoerentes.. como já vi fazendo aqui nessa tribuna,
pessoas comentando que tal bar não pagava bem quando paga e dava
calote nos músicos. Isso tem que acabar.
Esse lance das panelas também incomoda, mas se pensar bem é uma ferramenta de
sobrevivência, quando você indica alguém para um trabalho, você cria um vínculo
moral, e começam-se a agrupar músicos que tem a mesma pegada ou o mesmo âmbito
de amizade... acho até coerente, mas só seria saudável se estes grupos também
interagissem entre si, ao invés de formarem pequenos núcleos.
E olha só, tudo qu estou falando aqui, não é da boca pra for,a quem me conhece
e toca comigo sabe que faço questão de ajudar a tudo e a todos, mas a partir do
momento qu eindentifico um chupim, aí é um abraço. E apesar de não ter um nome
conhecido, não ser popular no meio musical/comercial, já dei pé na bunda de
nego de nome, sem medo.
Voltando ao raciocínio dos cds/arquivos virutais/discos existe de tempos em
tempos, um momento de transição, e claramente estamos no meio de um deles, e
questões como essa que estamos discutindo e espero que colegas nossos
dessa tribuna que não comentaram nada aqui, ao menos lessem os pontos
de vista, pois estamos nessa fase de transição e tudo pode acontecer,
dependendo muito de nós mesmos, os músicos.
Não sei se dizer que o mercardo que gira e cria essas situaçoes de estagnação
cultural é burra ao invés de mesquinha... acho que são sim, muito
espertos.
A lógica deles é criar um grande astro da música POP de duas em duas quinzenas,
ou menos (entendendo aqui música pop qualquer uma que o povo cante, ou seja,
Créu - infelizmente - é MPB música popular brasileira), pois assim eles geram
rotatividade de mercado, e não incentivam como se via a produção cultural e
comercial dos anos de 50 a 70, lembra a quantidade de discos e artistas que
mesmo gravando em total efervecência cultural não se repetiam em fórmulas, e
eram muito bem estimulados comercialmente? Pois é, isso não acontece mais...
culpa da indústria.. e também de um povo que sofre com a brusca queda de ensino
e estimo cultural... (não vamos entrar aqui numa discussão acadêmica para
decifrar o significado que estamos dando para produto cultural, não é mesmo!)
(Só um comentário digressivo, muitas coisas não estou mais comentando aqui,
pois acho que chegamos em ponto comum)
Em relação ao trabalho, NÃO ME ASSUSTE, MARCELO! rs... Gosto
pessoal/musical/estilístico/estético vocÊ tem, pois a primeira escolha que
fizeste foi o instrumento que tocas.
Mas quanto a ser profissional, concordo com vc, dev fazer aquilo que lhe cai
bem na moral e no bolso, sem nenhum ressentimento! Está certíssimo. Mas o
gosto, isso vc tem, sabe e tem julgamento de gosto, e gosta ou não gosta de uma
ou outra coisa, disso não podemos fugir.
Não é questionável a situação do profissional que trabalha honestamente tanto
no Créu quanto na Sinfônica, mas o que é possível ser discutido aqui,
novamente, é o conteúdo estético/estiliístico e blá blá blá, pois eu tenho um
juizo de valor e gosto, sabe como é, né! Sou filho de deus (oxalá, meu
pai! rs..) e posso ter os meus "gosto, não gosto"
E o que ficará para a humanidade? Será que estou sendo muito Caxias? Eu sempre
penso, o que eu posso fazer de bom para a humanidade? Para contribuir com a
cultural co mo folclore do país (viva Câmara Cascudo! rs...)
Entendo o que diz no momento do patrimônio, o cara pagou pra escutar na casa
dele, mas divulga porque gsotou para os outros... disponibiliza e tal... ah,
tão complicado para mim questionar essa atitude... ainda não consegui um
exemplo que me fizesse pensar contra o cara que faz a difusão cultural.
Enfim, meu irmão.
Estamos na luta para conseguir uma democratização REAL, uma acessibilidade
universal, uma busca de padrão cultural horizontal, onde todos tem acesso ao
mesmo ponto e podem aceitar ou não, sem haver uma ditadura de gosto quase
punitiva, imperativa.
E assim, fecho aqui a minha participação, por enquanto! rs...
grande abraço pra ti, Marcelo.
E para não fazer que tudo acaba em pizza, vamos acabar fazendo um samba, meu
irmão!
Quando e onde? rs...
saúde e paz
Paulo Serau
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