Rapaz... o bicho tá pegando lá no supermercado... Arroz, Feijão, e leite 
($$$)... Bom, deixa pra lá, senão vai aparecer algum expert em macro-economia 
aqui pra explicar a atual conjuntura econômica...

Voltando ao tão famigerado raciocínio
épico-fono-escatológico-OMB-CD-mercado-pirata-download-abobrinha-music-tribuna-chorona...

Como diria Jack o estripador, vamos por partes:

Então,esse lance da rádio ser trocada pela TV, eu acho que é um bom ponto de 
partida pra gente usar como exemplo do que provavelmente pode acontecer com o 
CD.
A rádio foi completamente destronada da preferência do público.
Porém, isso não significou a extinção das rádios, muito pelo contrário:
Ela teve uma queda vertiginosa na sua audiência
(afinal o povo foi assistir TV - no horário nobre principalmente),
até que sua audiência se estabilizou num patamar mais ou menos inalterável.
Ou seja, o que mudou foi a relação do público com a rádio.
Hoje o povo escuta rádio, enquanto faz outras atividades,
ao contrário do que era no passado, em que todo mundo parava
pra escutar a programação da rádio (principalmente novelas).

Eu acredito que vai ser mais ou menos isso, o que vai acontecer com o CD.Vai 
continuar sendo fabricado, continuar sendo vendido.
Com a queda cada vez maior nas vendas (para desespero da indústria)
vai ser barateado ao limite extremo, até que vão cair na real
e migrarão (migrar não, êxodo em massa mesmo)
para os downloads de quatro com a calça curta arriada.

E o CD vai acabar?

Não!
Assim como o rádio não acabou.Vai virar uma opção de luxo mesmo,
mas como a oferta vai ser infinitamente menor que a atual,
de duas uma:
1. Ou os preços dispararão vertiginosamente como uma jóia de luxo e uma Ferrari 
(duvido – a indústria não daria esse tiro no seu próprio pé, pois aí já seria 
carimbar um “Asno” na própria dela);
2. Ou então – mais provável – o preço vai dar uma barateada, (tipo 6,99) pra 
disputar com os piratas;

E aí, finalmente o CD vai fazer o mesmo que o rádio
(“Pegue o seu banquinho, e saia de fininho”),
vai ser desbancado definitivamente pelos downloads,
numa nova revolução, que já está em andamento.
Isso acredita o Nostradamus aqui...

Quem sabe os sebos não terão três sessões: LPs, Fitas Cassetes e CDs?

Nesse lance da exclusão digital (alô Lucinha Helena, é nóis!),
eu acho o seguinte:
É preciso separar a camada miserável da camada pobre,
para poder enxergar com precisão o assunto.
Veja o boom dos telefones celulares. Na minha opinião,
o acesso a internet ta indo pelo mesmo caminho.
Se o cara não tem grana pra comprar o computador dele,
ele tem 0,50 centavos pra acessar meia hora a lan-house da esquina
e passar as músicas que ele quer pro mp3 “made in china”
comprado por 15 reais no camelô do centro da cidade.
E vou te dizer uma coisa da qual eu tenho muito orgulho:
O povo tem uma capacidade de aprendizado, absurda e incompreensivelmente 
rápida.Bicho!aqui na esquina de casa tem uma Lan-House,
cuja dona é uma lavadeira e quem toma conta são os filhos
semi-analfabetos dela.
Uma frase com concordância verbal eles não conseguem pronunciar,
agora abrir o computador trocar placa-mãe, instalar Windows,
crackear jogos proibidos pelo Ministério Público,
eles fazem que é uma beleza
(eu é que não sou besta de entrar na minha conta do banco de lá...),
vai me dizer que eles aprenderam isso na escola pública que ta correndo o risco 
de cancelar o ano letivo de 2008,
aprovando todos os alunos da rede de ensino de Salvador, por falta de verba 
para, por exemplo, comprar cadeira?
Outro exemplo.
Eu conheço vendedoras da Avon, que mal sabem ler e escrever.
Mesmo assim um revendedor foi lá, cadastrou várias delas,
viu que eram boas de papo, ensinou elas a usarem a calculadora
pra saberem a comissão que tinham em cada produto vendido
(estamos falando de cálculo com porcentagem para semi-analfabetos)
e Violá! São um exército de fazer dinheiro que nunca pisaram
na FGV ou em Harvard.
Tem até um caso interessante de uma vendedora de Palmares, interior do 
Pernambuco, que conseguiu sozinha, vender 16 mil cds da Ivete Sangalo (numa 
parceria da cantora com a Avon em que os CDs eram vendidos naqueles 
catalogozinhos de cosméticos).
Resultado: a vendedora ganhou de presente um show da Ivete com tudo pago numa 
cidade próxima, Água Preta, também em Pernambuco.

E cá entre nós, o cara que não tem dinheiro pra acessar a internet, também não 
tem pra comprar CD pirata.

Por coinscidência, eu também gravei essa semana, “na amizade”,uma música no CD 
de um amigo meu. Ainda tive que ouvir piadinha do técnico de som... Que por 
estar sendo mal-pago veio querer subir no tamanco pra cima de mim. Matei na 
unha, errei "sem querer" umas 20 vezes...

Quanto a OMB, pra mim, por enquanto, só serve pra eu dar um calote todo início 
de ano.
Se bem, que ano passado, quando eu tentei me inscrever pro Projeto Pixinguinha, 
tava lá no edital:
“... tem que estar em dia com a OMB e o com o Sindicato...”
Como eu não tinha a grana disponível e nem me interessei em levantar o valor, 
fui catar coquinho.
Cá entre nós, a OMB não é cara, muito menos o Sindicato.
Eu não me incomodaria nem um pouco de pagar até o triplo do valor que eles 
cobram por ano, SE ELES FOSSEM EFICIENTES.
Mas os caras são iguais ao apêndice do intestino.
Tão lá só pra dar dinheiro pro cirurgião.
Mesmo assim, eu acredito que um cara que sentasse naquela cadeira de 
Presidente, com boas idéias, boa-fé, competência e atitude,
poderia fazer muita coisa. Mas muita coisa mesmo.
Não estou falando de entrada gratuita em shows,
mas fazer um trabalho semelhante aos que os demais Conselhos Federais/Regionais 
de outras profissões fazem.
Utopia, idealismo? Talvez, mas eu tenho o mau-hábito de acreditar nos meus 
sonhos e correr atrás da realização deles
(sou brasileiro e não desisto nunca... Putz, a que ponto cheguei, até slogan do 
Governo estou usando...).

A indústria fonográfica, tenta ser esperta. Mas age de maneira burra, pra não 
dizer ineficiente mesmo. Quando é que os caras vão acordar pro potencial da 
cultura brasileira?
O que se vende hoje, são produtos fabricados em laboratório.

Eles conseguem a proeza de descaracterizar algo autêntico, que veio da cultura 
popular mesmo, apostando em “fórmulas de sucesso”.
Quer um exemplo?
O ex-grupo “É o tchan”.
Ano passado eu digitalizei os 3 primeiros LPs do Gerasamba, de uma época em que 
nem dançarinos tinham (que dizer bunda).
Ta lá pra quem quiser ouvir, samba de roda do bom. Com viola e tudo.

E o que virou?

Por ironia do destino, os dois músicos que tocavam cavaquinho no Gerasamba e 
depois no É o tchan, Carlinhos e Aílton Reiner, hoje são dois dos bandolinistas 
mais respeitados no choro, aqui em Salvador.
Carlinhos com seu grupo Gente do Choro e Aílton, com o Mandaia. E o Gerasamba o 
que virou? Atualmente Cau Adan (empresário dono da produtora Bicho da Cara 
Preta, que produziu o É o Tchan),
está aqui tentando reerguer o grupo com mais duas dançarinas gostosas e com a 
mesma “fórmula de sucesso”.

Ou seja é a indústria do efêmero.
Rios de dinheiro gastos, rios de dinheiro ganhos, chupou até o bagaço, acabou, 
e vão começar de novo.
Mas como já é um produto manjado, vão ter que evoluir ou então permanecerão no 
limbo.

Aí eu pergunto, não valia mais a pena, não descaracterizar a idéia original do 
grupo que era um samba de roda do recôncavo baiano, com uma malícia quase 
inocente de música do interior, e vender esse produto no show biz?
A curto prazo com certeza não, seria menos lucrativo. Mas a longo prazo, talvez 
estivessem no ar até hoje, só que espalhando uma cultura baiana menos erotizada 
e mais original. E não me venha nenhum intelectual de plantão me dizer o que é 
original ou não, porque eu é que sei o que vejo quando vou em Santo Amaro e em 
Cachoeira ouvir samba de roda e chula.

Infelizmente, esse mecanismo tem conseqüências cruéis.
Um grupo de samba de roda de Santo Amaro,
como por exemplo o Samba de Nicinha
http://br.youtube.com/watch?v=9Kv6uvS1gw4
http://br.youtube.com/watch?v=K4-5NXHJ4Mc
http://br.youtube.com/watch?v=m0JOJm1aasU
pode achar que a única maneira de ganhar dinheiro e tocar nos Gugus da vida, é 
colocando uma dancinha da garrafa no repertório e trocando a saía das baianas 
pelos shortinhos socados na estrela do sucesso.
Quer dizer, isso tudo, por causa de uma mentalidade burra da indústria 
fonográfica (burra, porque não faz grandes investimentos em produtos pensando 
no futuro, é imediatista).

Agora, peguem essa galera aí. E façam uma jogada de marketing como Luiz Gonzaga 
fez no seu tempo. E de repente milhões de brasileiros se identificam com esse 
trabalho.Isso é tão difícil assim de ser assimilado pelos executivos com poder 
de decisão na indústria fonográfica?
Talvez seja pedir demais, num tempo em que uma dança do quadrado, consegue ter 
mais de 7 milhões de visualizações no youtube ...

Quanto ao conceito de produto cultural, não se preocupe:
Van Gogh é produto cultural dos mais valorizados no mercado, rsrssrsr.

Quando eu digo a fazer juízo de valor, acho que vc me entendeu.
Uma coisa é gosto pessoal, que todos temos. Outra coisa é querer desqualificar 
o trabalho dos outros. Toda música tem o seu momento.
Vc não vai querer tocar a nona de Beethoven na boite de Streap Tease não é 
mesmo (deixa o Creu cumprir seu trabalho dignamente, rsrsrsr)
Do mesmo jeito, eu não vou tocar Créu, quando chego estressado em casa depois 
de um dia de trabalho (nesse caso, Pixinguinha é mais recomendado, pelo menos 
no meu caso – cada um no seu quadrado...)
Qualidade musical é muito fácil de se perceber, não é preciso nem ser músico 
pra isso.
Porém, cada produto cultural, tem o seu público-alvo, a sua finalidade, o seu 
astral.Mas não vamos entrar muito nesse assunto (Até porque entrar no Créu, 
pode até ser gostoso, mas isso vai ser uma pentelhação só rsrsrsrsrsrsrs)

Nesse lance de ficar pra humanidade, vc está certíssimo.Acontece que nem todo 
mundo se preocupa com isso, e muita gente que está aí, não tem nem capacidade 
pra deixar alguma coisa de verdadeira. Um cazuza da vida, é eterno. O 
pensamento dele, ta lá até hoje nas letras, vc não precisa nem ouvir pra 
perceber a beleza. É só ler... A mesma coisa um Nana Vasconcellos, um Bobby 
McFerrin, Chico Buarque...

Aliás hein, seu Chico?

3.284 “membras” na comunidade
“Eu daria pro Chico Buarque”
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=657012
mais eterno que isso, nem doando pra banco de sêmen...

A cultura brasileira, precisa de incentivo sim. E cá entre nós, choradeiras a 
parte,Acho que um ministro melhor que esse ta pra nascer.Alguém por acaso já 
tinha ouvido falar em Secretaria de Diversidade Cultural em outros governos? 
Mas também não adianta achar que tudo vai se solucionar da noite pro dia...Olha 
o tamanho desse Brasilsão...

Eu não sou contra a difusão cultural. Pelo contrário. A questão é:
Direitos Autorais é um tema complexo. Vc quer um exemplo?
Essas fotos aqui:
http://www.orkut.com.br/AlbumZoom.aspx?uid=8416588791227289828&aid=1199748105&pid=1199773898363
http://www.orkut.com.br/AlbumZoom.aspx?uid=8416588791227289828&aid=1199748105&pid=1199773857012
http://www.orkut.com.br/AlbumZoom.aspx?uid=8416588791227289828&aid=1199748105&pid=1199773814558
Foram tiradas por uma fotógrafa profissional, em um evento de nome aqui em 
Salvador.Pois bem, se eu quiser usar essas fotos profissionalmente, eu tenho 
que pagar pra fotógrafa algo em torno de R$100/foto. Justo? Justíssimo, afinal, 
é o trabalho dela, se não fosse ela a foto não existiria. Mas vem cá? E a minha 
imagem que ta lá? Eu to recebendo quanto em cada foto minha que ela vender? 
Afinal sou o dono da minha imagem (assim como cada um é da sua)... E se ela 
vender pra mim? Eu vou pagar pra ela e ela vai me pagar uma porcentagem do que 
eu paguei? É complicado, administrar isso...E olha que eu não citei o técnico 
de som que me cobrou 50 reais pelo áudio de 8 minutos da  apresentação que EU 
toquei... (e se eu não tivesse tocado? O que ele iria vender? E se ele vender 
pra outro? Vou apelar pro ECAD?) Sacou a complexidade da parafuseta?
Direito Autoral é um assunto complexo.
Não é simplesmente... Ah! Tem que ser assim!
Neguinho se especializa nessa área (e aconselho aos futuros advogados que 
estiverem lendo isso aqui – nessa área rolam fortunas, vale a pena...)


Nessa luta pela democratização real de acessibilidade a cultura, eu acho que 
nenhum mecanismo é tão eficiente quanto a internet. Vc consegue, com um custo 
muito baixo, acessar qualquer material de qualquer lugar do mundo.
Do vídeo raro do Pixinguinha ao Créu da vez.
Seja no sertão da Índia, seja na estação espacial com acesso a Web:
A acessibilidade ao conteúdo é idêntica.
Quem não enxerga o potencial de divulgação desse mercado, deveria tentar uma 
vaga como executivo nas grandes gravadoras (exceto a trama, que já acenou vida 
inteligente).
Quanto a nossa pizza, porque não fazermos uma parceria virtual, comemorando 
essa nova era?
Me mande um vídeo ou um áudio, que eu sobreponho o cavaco e a gente 
disponibiliza na rede. Como faço pra ouvir a Gafieira na Casa?


Saúde e paz


Abração!

Marcelo Neder









--- Em ter, 17/6/08, Paulo Serau <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:

De: Paulo Serau <[EMAIL PROTECTED]>
Assunto: RE: [S-C] O CD morreu?
Para: [EMAIL PROTECTED], "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>, "samba e choro" 
<[email protected]>
Data: Terça-feira, 17 de Junho de 2008, 18:04

Fala, Marcelo, aqui estamos novamente! 
 
Agora com tempo para responder! rs...
 
 
É essa evolução que estamos falando do público decidir o que será
consumido e a tua relação com a troca da rádio pela TV, como mídia mais
cotidiano de fato tem a ver, e acompanha, a lógica da linha da evolução
tcnológica, ou seja, entra também no papo da troca do disco para a fita, para
o CD, para o arquivo virtual.
 
A vida do CD será a mesma do disco, logo se reduzirá a um artigo de luxo, de
colecionador. Como já dito, o que me deixa um pouco apreensivo é o lance da
concepção de álbum que acabou-se perdendo um pouco, né?Mas de repente isso
será suprido pelos sites-álbum, onde cada site é uma única história,
concepção de site por trabalho desenvolvido, saca? Acho um caminho
interessante.
 
Veio-me a cabeça o seguinte, você disse: "O "pobre" baixa na
internet, e o cara que tem grana, "ostenta" sua caríssima coleção
de CDs", mas temos o seguinte problema gerado por isso, o pobre no Brasil,
não sei os dados corretos e por isso me desculpe pela imprecisão, ainda sofre
muito a exclusão digital, e também é alto o número de pessoas que comparado
a analfabetismo funcional (cara que só assina o nome e mais nada, não tem
interpretação de texto e tal...) ainda não sabem das possibilidades e
acessibilidades ao se depararem com a internet, ou seja, extraficou-se nesse
caso ainda mais o acesso à música, correto? O rico continua tendo muito mais
do que o pobre, aumentando ainda muito mais, o distanciamento da
acessibilidade. Cara, que problema sério! Então qual é o único acesso,
talvez não o único, mas o mais "politicamente (in)correto", a
"pirataria branca" que seria algo do gênero, o artista se pirateia e
joga na mão dos camelôs o seu próprio produto. Acho muito interessante e isso
se enquadra naquele primeiro email no qual falei sobre "guerrilha
cultural". 
 
Sei bem como é esse processo de chmar amigos para gravar, pois estou, como já
disse, no meio de um processo de gravação autoral e até  agora consegui um
grande esforço de ótimos músicos, por boa ação, mas logo mais, se eu
chamar um medalhão a casa caí e vai grana, é investimento.
 
Concordo que o show é só uma possibilidade dentro do meio artístico, talvez
a mais clara para todos, mas todo o lado burocrático, produção, e até o
ensino musical são nossas possibilidades. E são necessárias, acho eu, para
todos os artistas/músicos, pois não é só sentar no banquinho e tocar, tem
que saber oq ue acontece por fora.
 
Essa situação de ganhar R$20,00 por show pra alimentar a família é uma
vergonha num país tão rico, culturalmente e financeiramente, pois sabemos
muito bem que grana existe aqui nesse país, só é
muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito mais distribuida.
 
Acho que um caminho interessante para isso é os músicos, profissionais mesmo,
concientizarem-se de uma coisa, o dono do boteco só paga vinte conto pro cara
(valor que estipulamos só para conversarmos, mas sabemos que isso é um
absrudo), pois se alguém falar que não topa tocar por vintão, outro faz..
daí alguns por medo de serem trocados, acabam abaixando o seu valor e tocando
por mixaria... isso é super complicado, enquanto não houver uma resposta
direta aos estabelecimentos, nada mudará! A OMB serve pra que mesmo? Para
cuidar de nós, mas infelizmente não faz muita coisa, a não ser te dar um
calendário no começo do ano... Ela deveria fazer com que aquela tabela de
cachês fosse respeitada, né? Nossa, que sonho! Pena que é Brasil e aqui ou o
povo pega na inchada e leva a causa ou morremos na praia. 
 
Entende essa movimentação? Músico que se preza, deve exigir cachê bom e
pular fora de furadas e donos incoerentes.. como já vi fazendo aqui nessa
tribuna, pessoas comentando que tal bar não pagava bem quando paga e dava
calote nos músicos. Isso tem que acabar.
 
Esse lance das panelas também incomoda, mas se pensar bem é uma ferramenta de
sobrevivência, quando você indica alguém para um trabalho, você cria um
vínculo moral, e começam-se a agrupar músicos que tem a mesma pegada ou o
mesmo âmbito de amizade... acho até coerente, mas só seria saudável se
estes grupos também interagissem entre si, ao invés de formarem pequenos
núcleos. 
 
E olha só, tudo qu estou falando aqui, não é da boca pra for,a quem me
conhece e toca comigo sabe que faço questão de ajudar a tudo e a todos, mas a
partir do momento qu eindentifico um chupim, aí é um abraço. E apesar de não
ter um nome conhecido, não ser popular no meio musical/comercial, já dei pé
na bunda de nego de nome, sem medo.
 
Voltando ao raciocínio dos cds/arquivos virutais/discos existe de tempos em
tempos, um momento de transição, e claramente estamos no meio de um deles, e
questões como essa que estamos discutindo e espero que colegas nossos dessa
tribuna que não comentaram nada aqui, ao menos lessem os pontos de vista, pois
estamos nessa fase de transição e tudo pode acontecer, dependendo muito de
nós mesmos, os músicos.
 
Não sei se dizer que o mercardo que gira e cria essas situaçoes de
estagnação cultural é burra ao invés de mesquinha... acho que  são sim,
muito espertos.
A lógica deles é criar um grande astro da música POP de duas em duas
quinzenas, ou menos (entendendo aqui música pop qualquer uma que o povo cante,
ou seja, Créu - infelizmente - é MPB música popular brasileira), pois assim
eles geram rotatividade de mercado, e não incentivam como se via a produção
cultural e comercial dos anos de 50 a 70, lembra a quantidade de discos e
artistas que mesmo gravando em total efervecência cultural não se repetiam em
fórmulas, e eram muito bem estimulados comercialmente? Pois é, isso não
acontece mais... culpa da indústria.. e também de um povo que sofre com a
brusca queda de ensino e estimo cultural... (não vamos entrar aqui numa
discussão acadêmica para decifrar o significado que estamos dando para
produto cultural, não é mesmo!)
 
(Só um comentário digressivo, muitas coisas não estou mais comentando aqui,
pois acho que chegamos em ponto comum)
 Em relação ao trabalho, NÃO ME ASSUSTE, MARCELO! rs... Gosto
pessoal/musical/estilístico/estético vocÊ tem, pois a primeira escolha que
fizeste foi o instrumento que tocas.
Mas quanto a ser profissional, concordo com vc, dev fazer aquilo que lhe cai
bem na moral e no bolso, sem nenhum ressentimento! Está certíssimo. Mas o
gosto, isso vc tem, sabe e tem julgamento de gosto, e gosta ou não gosta de
uma ou outra coisa, disso não podemos fugir.
 
Não é questionável a situação do profissional que trabalha honestamente
tanto no Créu quanto na Sinfônica, mas o que é possível ser discutido aqui,
novamente, é o conteúdo estético/estiliístico e blá blá blá, pois eu
tenho um juizo de valor e gosto, sabe como é, né! Sou filho de deus (oxalá,
meu pai! rs..) e posso ter os meus "gosto, não gosto"
E o que ficará para a humanidade? Será que estou sendo muito Caxias? Eu
sempre penso, o que eu posso fazer de bom para a humanidade? Para contribuir
com a cultural co mo folclore do país (viva Câmara Cascudo! rs...)
 
Entendo o que diz no momento do patrimônio, o cara pagou pra escutar na casa
dele, mas divulga porque gsotou para os outros... disponibiliza e tal... ah,
tão complicado para mim questionar essa atitude... ainda não consegui um
exemplo que me fizesse pensar contra o cara que faz a difusão cultural.
 
Enfim, meu irmão.
 
Estamos na luta para conseguir uma democratização REAL, uma acessibilidade
universal, uma busca de padrão cultural horizontal, onde todos tem acesso ao
mesmo ponto e podem aceitar ou não, sem haver uma ditadura de gosto quase
punitiva, imperativa.
 
E assim, fecho aqui a minha participação, por enquanto! rs...
 
grande abraço pra ti, Marcelo.
 
E para não fazer que tudo acaba em pizza, vamos acabar fazendo um samba, meu
irmão!
Quando e onde? rs...
 
saúde e paz 
Paulo Serau
 
PS: Já ouviu um dos meus trabalhos a Gafieira na Casa?
 
 
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