Tá vendo?
Tinha que ser Marcelo... : ) : ) : ) : )
Abs
Marcelo Neder
--- Em ter, 17/6/08, vini correia <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
De: vini correia <[EMAIL PROTECTED]>
Assunto: Re: [S-C] O CD morreu?
Para: "Marcelo Neder" <[EMAIL PROTECTED]>
Cc: "Eugenio Raggi" <[EMAIL PROTECTED]>, "samba e choro"
<[email protected]>, "Paulo Serau" <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Terça-feira, 17 de Junho de 2008, 11:49
Matéria publicada pela Revista Cult :
http://revistacult.uol.com.br/website/site.asp?edtCode=00AA9227-6B12-434A-AD45-AE82B2F2E7CB&nwsCode=01929A6F-8FD6-4F87-BF0E-A4BBCE334DEC
sds
__________________________________________________________________________
Música para todos
João Marcello Bôscoli, presidente da Trama, explica novo modelo de
disponibilizar discos na Internet
Por Daniel Marques
A edição de junho da Revista Cult traz em suas páginas uma entrevista com o
músico Tom Zé, na qual o sempre inventivo compositor conta os segredos do seu
próximo lançamento, o disco Danç-Êh-Sá, além de discorrer sobre o místico mundo
das novas tecnologias. Aliás, seu novo trabalho - ausente de letras e, ainda
assim, recheado de fraseados significativos - será disponibilizado
gratuitamente no site da Trama em julho. Para explicar um pouco melhor como
esse "álbum virtual" será comercializado, o criador desse novo conceito: João
Marcello Bôscoli.
Cult - Qual o conceito criador do álbum virtual?
João Marcello Bôscoli - A Trama começou com o download remunerado. Nós
achávamos que o dinheiro dos patrocinadores deveria chegar aos artistas de
alguma maneira. O público tem diversos formatos na Internet, mas o que mais
acontece, no entanto, é o download de graça. Por outro lado, quem vai pagar
pelo estúdio e pelos instrumentos? Existe toda uma cadeia que precisa ser
remunerada. Pensamos na televisão aberta, que oferece conteúdo de graça há
décadas e é o patrocinador quem paga. Isso migrou para o álbum virtual porque
nós percebemos que havia bandas colocando todas as músicas de um disco naquele
endereço virtual, mas faltava a atuação da direção de arte. Agora você terá a
chance de compartilhar o conteúdo tradicional de um CD e outras coisas
adicionais, como faixas instrumentais, fotos que não foram utilizadas...
Cult - Quais serão as vantagens para o público, além de o disco ser de graça?
J. M. B. - Ele não terá somente a possibilidade de printar o CD diretamente do
site. Existem três pontos importantes. Primeiro, a música na Trama é 100%
legal. Segundo ponto: eu posso colaborar, baixar de graça e, mesmo assim, o
artista continua ganhando. Terceiro, a certeza de que ao baixar a música, não
haverá nenhum risco para o seu computador. Ou seja, você tem a legalidade, o
lastro emocional e a segurança.
Cult - Existem cuidados para que o conteúdo disponibilizado seja, de fato, bom
tecnicamente?
J. M. B. - A Internet está ainda em uma fase de implementação. Há problemas de
conexão e de computadores ruins por todo o mundo. A Trama ainda não tem como
padronizar, mas o conteúdo disponibilizado será monitorado. O outro lado é a
máquina de quem está utilizando nosso serviço. A Trama é muito estável, mas
ainda não há certeza de como o site irá se comportar durante o lançamento do
disco do Tom Zé e isso ainda preocupa. Há um período de implementação de
determinadas mídias que necessita um acompanhamento.
Cult - Será necessário criar um filtro ou uma restrição para que não
sobrecarregue a sessão do álbum virtual?
J. M. B. - Não será necessário. O conceito de baixar um álbum de graça na
Internet não foi registrado pela Trama. Se eu fizer isso, será um tiro no pé.
Como posso querer que as pessoas adotem um modelo, se ele é exclusivo? Não é
uma exclusividade nossa, nós apenas formatamos um novo modelo. O interesse é
que o máximo de empresas de música e de artistas usem o conceito. Isso é uma
maneira de trazer dinheiro novo para o mercado.
Cult - As gravadoras, no sentido clássico, ainda existem?
J. M. B. - As grandes gravadoras não existem mais. As pessoas que trabalham com
música ainda estão muito presas ao conceito de gravadora. Desde o começo da
Trama, há dez anos atrás, essa indústria já estava caindo. A música está nas
mãos das operadoras, nas empresas de computadores e na indústria de vídeogame.
Essa é a Era do multiformato. A indústria acabou. Se um artista não consegue
montar uma banda, gravar suas música e distribuí-las pela Internet é porque ele
não feito para isso.
Cult - Mas vocês mantiveram as mesmas leis que a indústria fonográfica adotou
há muitos anos: uma data de lançamento, um protocolo a ser seguido...
J. M. B. - Desculpa, acho que é o contrário. Foi a indústria quem adotou regras
já existentes. Há sempre uma data para se lançar uma obra. Nós não estamos
adotando nada dessa indústria, mas realmente tudo precisa ter um padrão. Nós
não podemos disponibilizar o álbum virtual fora do dia combinado porque hoje a
possibilidade desse conteúdo vazar na Internet é muito grande. Nós não temos
todos os parafusos apertados e, se algo der errado, irão atribuir esses erros
ao projeto em si.
Cult - Esse novo formato pode trazer alguma desvantagem para a Trama?
J. M. B. - Sinceramente, não vejo como. A pessoa que realmente gostaria de
comprar o disco do Tom Zé não vai deixar de fazer isso. Esse mesmo disco, logo
depois de ser colocado nas lojas, estará disponibilizado na rede. Não estamos
mudando nada disso: simplesmente disponibilizamos o álbum e o Tom Zé ganha com
cada download. Não consigo ver contrapartida. Quando começou a vazar na
imprensa esse conceito, muita gente veio nos procurar. Os artistas não
ganhariam esse dinheiro disponibilizando esse material por meio de lojas
virtuais nunca! Já até questionaram o fato de os artistas terem suas músicas
patrocinadas por marcas. Isso também não é um problema se essas marcas não
interferirem nas obras.
Cult - Mas a marca poderia retirar seu patrocínio...
J. M. B. - Nós negociamos o álbum antes. Não vivi nenhum caso como esse e acho
difícil haver esse tipo de preocupação. O Tom Zé, por exemplo, fala palavrão e
isso é ruim para alguns setores. Mas qual marca não gostaria de ser associada a
ele? Claro, a marca pode achar que o conteúdo do álbum não é interessante,
porém sempre existirão outras empresas que pensam de maneira diferente.
Cult - Isso é possível fazer com lançamentos, mas qual é o futuro para os
discos clássicos lançados há 20, 30 anos?
J. M. B. - É só negociar. O disco clássico não vende muito e ele já está
disponível na rede. Eu pago para que este disco seja colocado por alguns meses
no meu site. Isso pode esbarrar apenas na questão do ego.
On 6/16/08, Marcelo Neder <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
E aí Paulo,
Justamente, os tempos estão mudando. A maneira como o artista e o público lidam
com o áudio está sendo transformada (eu arriscaria até a fazer uma analogia com
a revolução que a TV provocou frente a era do rádio).
Na minha opinião o que vai acontecer é justamente isso mesmo.
O CD vai virar uma peça de luxo (como já está virando).
Com acabamento de luxo, preços altos e edições limitadas para que sejam
colecionados. Virem objetos de desejo, status mesmo.
O "pobre" baixa na internet, e o cara que tem grana, "ostenta" sua caríssima
coleção de CDs.
Nada contra nenhum dos dois perfis. Até poque são estereótipos (Hoje! Amanhã
talvez sejam realidade...), e porque eu me enquadro nos dois, as vezes compro
original, as vezes compro piratão, as vezes baixo na internet...
Como artista autoral, penso como você: meu trabalho tem que criar asas e voar
mundo afora, e atrair a atenção do contratante que vai me dar o "faz-me-rir".
Já como músico contratado, prefiro cair em alguma gravação de CD (sabe como é,
estar ajudando os amigos de graça no trabalho autoral deles é massa por que a
gente reafirma a amizade e pode até cobrar mais na frente que ele faça o mesmo,
numa cooperativa fraterna interminável, porém... $$$ compra o pão né?)
Não se preocupe, estamos no mesmo patamar: ganhamos por show.
Porém, é importante os músicos terem consciência de que o mercado de trabalho
não é só show. Tem o músico de estúdio, o músico de orquestra, o professor de
música, o produtor musical, o musicoterapeuta, etc e tal...
Na verdade, o show biz é só a ponta do Iceberg. Tá diz aí, quantos colegas não
tem uma segunda profissão que banca o dia-a-dia? Quantos professores de música
já não "aconselharam" seus alunos a fazerem faculdade de outra área pra terem a
tranquilidade de se dedicar a musica como um hobby?
O cara que vive de música, (vive mesmo: chega de carro zero no estúdio, tem um
padrão de vida razoável, paga suas contas em dia, etc... - sem a ajuda da
família, claro!), não é só um artista no sentido de "profissional da arte", é
um cara que é um excelente profissional, estudou pra cacete, é polivalente,
estudou outras áreas que fazem parte do universo artístico, como aúdio
profissional, pedagogia musical, gerenciamento de eventos, administração, etc,
etc...
Por exemplo: Nem todo percussionista, ganha 5 mil/show no carnaval da Bahia.
Alguns ganham, é verdade. Mas a grande maioria
tá lá no patamar dos 30 reais/cachê de boteco. Pro trabalhador que vai tomar
sua cerveja e escutar um pagode, tá de bom tamanho o "couvert" de 2,00. Mas pro
músico que vai receber uma porcentagem daquilo (muitas vezes pra comprar comida
pra família). É foda, bicho! Isso não é pagamento digno a nenhum profissional.
Mas tem neguinho que vive disso. E aí? Como é que fica? Vai virar dono de bar e
pagar mixaria pros músicos que tão começando também? E o interessante, é que
nesse caso. O próprio músico, muitas vezes não sabe como transpor esse abismo
imensurável que separa o cachê de boteco pro cachê de estrela do carnaval da
bahia.
Só estudar? Não, tem toda uma via-crucis. Fora as situações profissionais
mesquinhas que dão espaço a um cara que não sabe nada, só porque é
"amigo-de-fulano" e na vera mesmo: necas! Némolenãomermão...
A profissionalização efetiva do músico, tornando ele um profissional competente
e preparado para o mercado de trabalho, é um processo que está em evolução.
Se vc faz faculdade de música hoje, na grande maioria dos cursos vc só estuda
música erudita. E a música popular? Eu mesmo só conheço o curso de MPB da
Unirio...
Ou seja, o músico hoje, carece de um mercado de trabalho estruturado, que dê a
ele opções de trabalho ao invés de restrições de trabalho; carece de escolas
profissionalizantes de música que o preparem para o mercado em geral
(principalmente ensinando a ele matérias que o façam se virar quando a vaca for
pro brejo, e ele se ver na pior, como um empreendedorismo ou um marketing
pessoal, por exemplo...), isso sem falar num sindicato de verdade e de um
conselho regional da sua profissão, que cumpra o seu papel
(Não vamos desistir de mudar a OMB, ela também é uma engrenagem importante
nesse processo todo!!!)
E é nesse ponto que eu pego um gancho pra voltar a falar do assunto tema dessa
argumentação: a pirataria.
Como ser a favor, se sou o principal prejudicado? Como ser contra, se sou o
principal beneficiado?
Ou seja: existe uma terceira opção, ainda desconhecida. Que é a realidade para
qual o mundo atual está caminhando e que ainda não conhecemos bem, pois ela
está se equilibrando daqui, se esticando de lá. Enfim! Está em transformação.
Em relação a essa afirmação sua, da indústria não estar interessada em
incentivar a criação, o lado cultural, e sim somente o lucro, sei não viu?
Os caras estão desesperados atra´s de um midas perdido na multidão que venda
milhões. Estão até apelando para programa como o "Astros", em que pegam quatro
produtores pra virarem jurado de auditório de bizarrices tremendas (tá bom, tá
bom, até música instrumental já apareceu por lá e os caras incentivaram aos
instrumentistas que levem trabalhos pra eles).
Na minha opinião, e sei que muita gente vai concordar comigo, essa não é de
longe, a melhor maneira de incentivar arte nenhuma, mas é uma delas...
E como está explícito, os caras naõ tem idéias melhor pra colocar em prática.
Sinal de que o próprio mercado fonográfico brasileiro, reflexo de um mercado
mundial, está saturado e estagnado, carente de uma boa oxigenação.
Desconhecendo como transformar em sucesso de mercado (não precisa ser
mal-humorado e entender sucesso de mercado como um pop-star, Yamandu Costa e
Hamilton de Hollanda também são sucesso de mercado), o riquíssimo potencial
cultural brasileiro.
Resumindo: os caras são burros Paulo. Não mesquinhos.
Concordo com o que vc diz sobre difusão cultural e acessibilidade universal do
patrimônio intelectual na web. Isso é inegável.
Porém antes de chegar na mão do público, o produto cultural (composto por um
patrimônio intelectual), precisa ser concebido. Precisa ser planejado. Ou
muitas vezes, precisa ser simplesmente regurgitado numa inspiração genial do
artista, que depois o lapida com todo o zelo do mundo. Mas esse processo
pertence ao artista que o cria. Como ele vai soltar seu filho no mundo, também
é decisão dele. Claro! é uma via de duas mãos. o público está na outra ponta da
balança, aprovando ou não, e sendo assim, não tem como excluí-lo desse processo.
Já ouvi casos de artistas que gravaram propositadamente pouquíssimos e
caríssimos CDs. Com que objetivo: virar artigo de luxo, status... Babaquice?
Pode ser, mas é a estratégia de ação do cara, fazer o quê? Uma coisa é certa, o
público alvo dele vai comprar. No outro extremo, temos grupos como o Olodum,
por exemplo, que ja´ anunciaram que não vão mais vender CDs. net na cabeça!
Concordo com vc em gênero, número, grau e pensamento:
"Quem faz o produto é o cliente"
No assunto "discos raros", não tem nem o que dizer né? Tá óbvio o benefício da
coisa.
No assunto "lógica de mercado" é isso mesmo.
A roda gira e no fundo vc só escolhe se vai fazer ela girar ou se vai ficar em
baixo dela pra ser esmagado... Ditaduras de mercado, assim como qualquer
ditadura, são um atraso na humanidade, e com o tempo, são expontaneamente
extintas (mesmo que algumas teimem um pouquinho)
Em relação ao trabalho (pagodão/choro). Negão! Sou um profissional.
Não tenho gosto musical. Pagou melhor eu toco. Qual é o advogado aqui da lista
que vai me criticar? E olha que eu não estou defendendo nenhum criminoso
culpado! O dia que eu puder negar trabalho, me dedicar EXCLUSIVAMENTE a música
que eu curto de verdade, e transformar ela no meu ganha-pão, não tenha dúvidas
que isso será feito. ´Não é esse o sonho de todo profissional liberal?
Ter o consultório cheio e parar de dar plantão sábado a noite na véspera de
Natal? Viver dando palestras caríssimas que pagam suas contas por 6 meses?
Então? Agora é ingenuidade, pra não dizer preconceito mesmo, querer fazer juízo
de valor quanto ao profissional que toca o Créu da vez comparado ao maestro da
sinfônica do interior do estado.
Quem aqui, conhece um grupo de pagode baiano chamado Psirico? Pois bem, o líder
do Psirico, Márcio Victor, é um dos percussionistas mais respeitados do Brasil.
Um dos dois únicos baianos que tocou percussão com João Gilberto (o outro é
Brown). Márcio, já tocou com nomes como Caetano, Marisa Monte, João Bosco,
etc... É respeitado por caras como Naná Vasconcellos. Tem uma das inteligências
musicais mais avançadas que eu conheço, no que se refere a percussão. Mesmo
assim, ele tem bem nítido na cabeça dele, o que é música comercial de massa
(que ele faz com o Psirico), e a música que ele gosta de tocar (que ele sabe
que não vende como a outra).
Isso quer dizer, que ele vai largar a música "de qualidade" (se é que se pode
usar um termo tão pejorativo quanto esse em uma cultura
miscigenada e cheia de opiniões como a brasileira)? Não, não vai. O
que não falta são projetos de registro e catalogação de ritmos do candomblé.
Apoio a projetos sócio-culturais principalmente na formação de novos músicos
capitaneadas por Márcio Victor.
Fora a percussão que ele faz não-comercial (porque não comercial?), genial, que
volta e meia é contratada por um Caetano da vida.
Agora eu pergunto:
E se ele parar a banda de micareta? Param todas as engrenagens.
Isso pra não falar de Carlinhos Brown, que hoje em dia é referência em formação
de patrimônio cultural, com todos os seus negócios (Entre eles a Associação
Escola de Música Pracatum) que somam milhões.
Mas como essa é uma esfera em um nível maior, não vou entrar nela.
Em relação a afirmação de que, depois que o produto caiu na mão do consumidor
ele faz o que bem entende. Não vou entrar nisso. Não quero entrar nisso. Não
tenho muito saco pra isso.
Direitos Autorais é uma das áreas mais complexas do direito.
Que dirá nos dias de hoje, com a globalização.
Por um lado, o consumidor pagou, sendo assim o produto é seu e ele faz o que
quiser (até tacar fogo, se quiser). Por outro, tem o patrimônio imaterial.
Que está além do objetozinho palpável. O cara na verdade, pagou o direito de
escutar no som dele. Pra divulgar pros outros não.
Não estou concordando com isso. Muito menos defendendo.
Mas todo mundo sabe que a lei é assim. O que tem que ser mudado é a lei.
E como ela reflete o pensamento coletivo de toda uma sociedade.
A sociedade tem que amadurecer essa idéia.
Debater.
Como nós estamos fazendo.
Agora, o ideal seria que as pessoas debatessem, sem puxar a brasa pra sua
sardinha. E sim analisando a situação como um todo. Em que existem vários lados
lesados e beneficiados, e que o que deve ser amadurecido e desenvolvido, é um
mecanismo que não prejudique ninguém.
ô equaçãozinha miserarver...
P.S. Vamso deixar a propagando do blog de fora desse debate que é
melhor...
Enorme abraço, Paulo
saúde e paz a todos da tribuna!
Marcelo Neder
Fala, Marcelo!
Sei bem das questões e condições de gravação de álbuns, pois estou envolvido
agora em dois projetos, um autoral e outro como músico contratado.
Reconheço que existe todo um organismo vivo atrás do finalizado, editado e
lançado CD.
Mas engraçado que fui esses dias a uma organização de músicos, ligados a uma
grande rede e burocracias goveramentais, onde estava falando do apoio que
receberia para lançar um dos trabalhos - que é o meu autoral, que até cheguei a
comentar aqui já - e eles disseram, esqueça de ganhar grana com venda de CD e
gravadora e tal... pensa nesse processo como uma grande divulgação do seu
trabalho...
Concordemos que divulgação por divulgação, todos podemos, fazer, Lógico que uma
gravadora atinge mercados precisos, existe a movimentação financeira de
encargos e afins, que é algo muito mais profissional que um blog, sem
desmerecer de forma alguma o blog. Mas se já não vou ganhar com a venda do CD,
quero mais que todo o divulguem, quero que todos tenham acesso a ele, não só o
cara que pode pagar R$ 15,00 a R$ 20,00 no CD, mas aquele que passou na rua e
viu no camelô uma capinha e tal, achou interessante e levou o meu trabalho.
Quero que um cara na Nova Zelândia escute o meu som, via rede, via net, e me
chame para fazer um som, na esquina da casa dele. Você como músico sabe muito
bem, que ganhamos por show. Pelo menos ainda estou nesse patamar.
Com o meu trabalho de compositor vou ganhar mais de outra forma.
Nessa onda de o famoso é o prato cheio, não havendo uma política decente de
incentivo à arte por essas empresas, que só querem o selinho do governo para
ter benefícios fiscais e tal, e o artista menos conhecido ou novato ficando no
limbo, é que temos os grandes congelamentos no processo criacional, vide
matéria com o Chuck Berry, outra área musical, não sendo samba, dizendo que não
cria mais nada, pois sabe que só querem o Jonnhy B. Good, ou seja o cara não
cria nada desde sei lá, disse ele que desde 70 e pouco, não me lembro agora. Se
a indústria estivesse, de fato, interessada em não só ter lucro, mas incentivar
criação, incentivar o lado cultural, daí eu concordaria com você 100% nos teus
argumentos, Marcelo.
Outra coisa, você não acha que é justíssimo a DIFUSÃO CULTURAL e os padrões de
ACESSIBILIDADE UNIVERSAL do patrimônio intelectal que ocorre na net? E é aí que
quem deve decidir é o público. Quero disponibilizar na rede algo que é bom...
para que todos o possam ter acesso.
Existe também, o seguinte lance, o público às vezes está interessado na
concepção de álbum do artista, então faz uma economia e compra o CD na loja; às
vezes quer só o conteúdo sonoro, então baixa da net... Complicado é, ainda
hoje, NÃO entendermos que, em termos comerciais, "quem faz o produto é o
cliente".
E outra, colecionadores de discos, que não acham aquele saudoso disco do
Jorginho do Império (o Peçanha), não consigam o disco, mas consigam o registro
sonoro virtual para compilar de repente em seu repertório musical, par aum
próximo trabalho, aumetando a procura pelo nome citado pelos consumidores e
forçando empresas a reeditarem material e mais material. Saca o movimento
comercial de hoje? Cliente manda, empresa faz... Já se foi em algumas empresas,
graças a Deus a realidade do Henry Ford (todos podem ter um Ford da cor que
quiser, contanto que seja preto) Chega de ditaduras, né.
Com questão ao trabalho, via da escolha da pessoa, conheço muitas pessoas que
deixaram o "pagodão" que paga 5000 para montar uma resistÊncia cultural do
choro que paga 10... é complicado, né? Mas existme pessoas assim. Guerreiras,
mas não julgo mal a atitude de tocar o "pagodão" que paga 5000 não! É mercado
de trabalho, e quem faz isso TAMBÈM está corretíssimo.
concorco 100% quanto a escolha do artista sobre como será sua atuação de
distribuição, mas volto a dizer, depois que o produto caiu na mão do consumidor
ele faz o que bem entende... entende esse ponto também?
quanto as propagandas, banners, full baners dos sites, é o negócio que
comentamos desde o início do papo, MONEY MAKES MONEY (sou péssimo em inglês,
está certo isso?), ou seja, insumo gerando insumo... dinheiro gerando dinheiro.
Aí, podemos cair num outro papo, o modo como publicar isso na net!
Mas acho que já é um outro papo! rs...
Grande abraço, Marcelo. bom papo!
saúde e paz a todos da tribuna!
Paulo Serau
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