Matéria publicada pela Revista Cult : http://revistacult.uol.com.br/website/site.asp?edtCode=00AA9227-6B12-434A-AD45-AE82B2F2E7CB&nwsCode=01929A6F-8FD6-4F87-BF0E-A4BBCE334DEC
sds __________________________________________________________________________ *Música para todos* João Marcello Bôscoli, presidente da Trama, explica novo modelo de disponibilizar discos na Internet Por Daniel Marques A edição de junho da Revista Cult traz em suas páginas uma entrevista com o músico Tom Zé, na qual o sempre inventivo compositor conta os segredos do seu próximo lançamento, o disco Danç-Êh-Sá, além de discorrer sobre o místico mundo das novas tecnologias. Aliás, seu novo trabalho - ausente de letras e, ainda assim, recheado de fraseados significativos - será disponibilizado gratuitamente no site da Trama em julho. Para explicar um pouco melhor como esse "álbum virtual" será comercializado, o criador desse novo conceito: João Marcello Bôscoli. Cult - Qual o conceito criador do álbum virtual? João Marcello Bôscoli - A Trama começou com o download remunerado. Nós achávamos que o dinheiro dos patrocinadores deveria chegar aos artistas de alguma maneira. O público tem diversos formatos na Internet, mas o que mais acontece, no entanto, é o download de graça. Por outro lado, quem vai pagar pelo estúdio e pelos instrumentos? Existe toda uma cadeia que precisa ser remunerada. Pensamos na televisão aberta, que oferece conteúdo de graça há décadas e é o patrocinador quem paga. Isso migrou para o álbum virtual porque nós percebemos que havia bandas colocando todas as músicas de um disco naquele endereço virtual, mas faltava a atuação da direção de arte. Agora você terá a chance de compartilhar o conteúdo tradicional de um CD e outras coisas adicionais, como faixas instrumentais, fotos que não foram utilizadas... Cult - Quais serão as vantagens para o público, além de o disco ser de graça? J. M. B. - Ele não terá somente a possibilidade de printar o CD diretamente do site. Existem três pontos importantes. Primeiro, a música na Trama é 100% legal. Segundo ponto: eu posso colaborar, baixar de graça e, mesmo assim, o artista continua ganhando. Terceiro, a certeza de que ao baixar a música, não haverá nenhum risco para o seu computador. Ou seja, você tem a legalidade, o lastro emocional e a segurança. Cult - Existem cuidados para que o conteúdo disponibilizado seja, de fato, bom tecnicamente? J. M. B. - A Internet está ainda em uma fase de implementação. Há problemas de conexão e de computadores ruins por todo o mundo. A Trama ainda não tem como padronizar, mas o conteúdo disponibilizado será monitorado. O outro lado é a máquina de quem está utilizando nosso serviço. A Trama é muito estável, mas ainda não há certeza de como o site irá se comportar durante o lançamento do disco do Tom Zé e isso ainda preocupa. Há um período de implementação de determinadas mídias que necessita um acompanhamento. Cult - Será necessário criar um filtro ou uma restrição para que não sobrecarregue a sessão do álbum virtual? J. M. B. - Não será necessário. O conceito de baixar um álbum de graça na Internet não foi registrado pela Trama. Se eu fizer isso, será um tiro no pé. Como posso querer que as pessoas adotem um modelo, se ele é exclusivo? Não é uma exclusividade nossa, nós apenas formatamos um novo modelo. O interesse é que o máximo de empresas de música e de artistas usem o conceito. Isso é uma maneira de trazer dinheiro novo para o mercado. Cult - As gravadoras, no sentido clássico, ainda existem? J. M. B. - As grandes gravadoras não existem mais. As pessoas que trabalham com música ainda estão muito presas ao conceito de gravadora. Desde o começo da Trama, há dez anos atrás, essa indústria já estava caindo. A música está nas mãos das operadoras, nas empresas de computadores e na indústria de vídeogame. Essa é a Era do multiformato. A indústria acabou. Se um artista não consegue montar uma banda, gravar suas música e distribuí-las pela Internet é porque ele não feito para isso. Cult - Mas vocês mantiveram as mesmas leis que a indústria fonográfica adotou há muitos anos: uma data de lançamento, um protocolo a ser seguido... J. M. B. - Desculpa, acho que é o contrário. Foi a indústria quem adotou regras já existentes. Há sempre uma data para se lançar uma obra. Nós não estamos adotando nada dessa indústria, mas realmente tudo precisa ter um padrão. Nós não podemos disponibilizar o álbum virtual fora do dia combinado porque hoje a possibilidade desse conteúdo vazar na Internet é muito grande. Nós não temos todos os parafusos apertados e, se algo der errado, irão atribuir esses erros ao projeto em si. Cult - Esse novo formato pode trazer alguma desvantagem para a Trama? J. M. B. - Sinceramente, não vejo como. A pessoa que realmente gostaria de comprar o disco do Tom Zé não vai deixar de fazer isso. Esse mesmo disco, logo depois de ser colocado nas lojas, estará disponibilizado na rede. Não estamos mudando nada disso: simplesmente disponibilizamos o álbum e o Tom Zé ganha com cada download. Não consigo ver contrapartida. Quando começou a vazar na imprensa esse conceito, muita gente veio nos procurar. Os artistas não ganhariam esse dinheiro disponibilizando esse material por meio de lojas virtuais nunca! Já até questionaram o fato de os artistas terem suas músicas patrocinadas por marcas. Isso também não é um problema se essas marcas não interferirem nas obras. Cult - Mas a marca poderia retirar seu patrocínio... J. M. B. - Nós negociamos o álbum antes. Não vivi nenhum caso como esse e acho difícil haver esse tipo de preocupação. O Tom Zé, por exemplo, fala palavrão e isso é ruim para alguns setores. Mas qual marca não gostaria de ser associada a ele? Claro, a marca pode achar que o conteúdo do álbum não é interessante, porém sempre existirão outras empresas que pensam de maneira diferente. Cult - Isso é possível fazer com lançamentos, mas qual é o futuro para os discos clássicos lançados há 20, 30 anos? J. M. B. - É só negociar. O disco clássico não vende muito e ele já está disponível na rede. Eu pago para que este disco seja colocado por alguns meses no meu site. Isso pode esbarrar apenas na questão do ego. On 6/16/08, Marcelo Neder <[EMAIL PROTECTED]> wrote: > > > E aí Paulo, > > Justamente, os tempos estão mudando. A maneira como o artista e o público > lidam com o áudio está sendo transformada (eu arriscaria até a fazer uma > analogia com a revolução que a TV provocou frente a era do rádio). > Na minha opinião o que vai acontecer é justamente isso mesmo. > O CD vai virar uma peça de luxo (como já está virando). > Com acabamento de luxo, preços altos e edições limitadas para que sejam > colecionados. Virem objetos de desejo, status mesmo. > O "pobre" baixa na internet, e o cara que tem grana, "ostenta" sua > caríssima coleção de CDs. > Nada contra nenhum dos dois perfis. Até poque são estereótipos (Hoje! > Amanhã talvez sejam realidade...), e porque eu me enquadro nos dois, as > vezes compro original, as vezes compro piratão, as vezes baixo na > internet... > > Como artista autoral, penso como você: meu trabalho tem que criar asas e > voar mundo afora, e atrair a atenção do contratante que vai me dar o > "faz-me-rir". > Já como músico contratado, prefiro cair em alguma gravação de CD (sabe como > é, estar ajudando os amigos de graça no trabalho autoral deles é massa por > que a gente reafirma a amizade e pode até cobrar mais na frente que ele faça > o mesmo, numa cooperativa fraterna interminável, porém... $$$ compra o pão > né?) > > Não se preocupe, estamos no mesmo patamar: ganhamos por show. > > Porém, é importante os músicos terem consciência de que o mercado de > trabalho não é só show. Tem o músico de estúdio, o músico de orquestra, o > professor de música, o produtor musical, o musicoterapeuta, etc e tal... > > Na verdade, o show biz é só a ponta do Iceberg. Tá diz aí, quantos colegas > não tem uma segunda profissão que banca o dia-a-dia? Quantos professores de > música já não "aconselharam" seus alunos a fazerem faculdade de outra área > pra terem a tranquilidade de se dedicar a musica como um hobby? > O cara que vive de música, (vive mesmo: chega de carro zero no estúdio, tem > um padrão de vida razoável, paga suas contas em dia, etc... - sem a ajuda da > família, claro!), não é só um artista no sentido de "profissional da arte", > é um cara que é um excelente profissional, estudou pra cacete, é > polivalente, estudou outras áreas que fazem parte do universo artístico, > como aúdio profissional, pedagogia musical, gerenciamento de eventos, > administração, etc, etc... > > Por exemplo: Nem todo percussionista, ganha 5 mil/show no carnaval da > Bahia. Alguns ganham, é verdade. Mas a grande maioria > tá lá no patamar dos 30 reais/cachê de boteco. Pro trabalhador que vai > tomar sua cerveja e escutar um pagode, tá de bom tamanho o "couvert" de > 2,00. Mas pro músico que vai receber uma porcentagem daquilo (muitas vezes > pra comprar comida pra família). É foda, bicho! Isso não é pagamento digno a > nenhum profissional. Mas tem neguinho que vive disso. E aí? Como é que fica? > Vai virar dono de bar e pagar mixaria pros músicos que tão começando também? > E o interessante, é que nesse caso. O próprio músico, muitas vezes não sabe > como transpor esse abismo imensurável que separa o cachê de boteco pro cachê > de estrela do carnaval da bahia. > Só estudar? Não, tem toda uma via-crucis. Fora as situações profissionais > mesquinhas que dão espaço a um cara que não sabe nada, só porque é > "amigo-de-fulano" e na vera mesmo: necas! Némolenãomermão... > > A profissionalização efetiva do músico, tornando ele um profissional > competente e preparado para o mercado de trabalho, é um processo que está em > evolução. > Se vc faz faculdade de música hoje, na grande maioria dos cursos vc só > estuda música erudita. E a música popular? Eu mesmo só conheço o curso de > MPB da Unirio... > > Ou seja, o músico hoje, carece de um mercado de trabalho estruturado, que > dê a ele opções de trabalho ao invés de restrições de trabalho; carece de > escolas profissionalizantes de música que o preparem para o mercado em geral > (principalmente ensinando a ele matérias que o façam se virar quando a vaca > for pro brejo, e ele se ver na pior, como um empreendedorismo ou um > marketing pessoal, por exemplo...), isso sem falar num sindicato de verdade > e de um conselho regional da sua profissão, que cumpra o seu papel > (Não vamos desistir de mudar a OMB, ela também é uma engrenagem importante > nesse processo todo!!!) > > E é nesse ponto que eu pego um gancho pra voltar a falar do assunto tema > dessa argumentação: a pirataria. > Como ser a favor, se sou o principal prejudicado? Como ser contra, se sou o > principal beneficiado? > Ou seja: existe uma terceira opção, ainda desconhecida. Que é a realidade > para qual o mundo atual está caminhando e que ainda não conhecemos bem, pois > ela está se equilibrando daqui, se esticando de lá. Enfim! Está em > transformação. > > Em relação a essa afirmação sua, da indústria não estar interessada em > incentivar a criação, o lado cultural, e sim somente o lucro, sei não viu? > Os caras estão desesperados atra´s de um midas perdido na multidão que > venda milhões. Estão até apelando para programa como o "Astros", em que > pegam quatro produtores pra virarem jurado de auditório de bizarrices > tremendas (tá bom, tá bom, até música instrumental já apareceu por lá e os > caras incentivaram aos instrumentistas que levem trabalhos pra eles). > Na minha opinião, e sei que muita gente vai concordar comigo, essa não é de > longe, a melhor maneira de incentivar arte nenhuma, mas é uma delas... > E como está explícito, os caras naõ tem idéias melhor pra colocar em > prática. > Sinal de que o próprio mercado fonográfico brasileiro, reflexo de um > mercado mundial, está saturado e estagnado, carente de uma boa oxigenação. > Desconhecendo como transformar em sucesso de mercado (não precisa ser > mal-humorado e entender sucesso de mercado como um pop-star, Yamandu Costa e > Hamilton de Hollanda também são sucesso de mercado), o riquíssimo potencial > cultural brasileiro. > Resumindo: os caras são burros Paulo. Não mesquinhos. > > Concordo com o que vc diz sobre difusão cultural e acessibilidade universal > do patrimônio intelectual na web. Isso é inegável. > > Porém antes de chegar na mão do público, o produto cultural (composto por > um patrimônio intelectual), precisa ser concebido. Precisa ser planejado. Ou > muitas vezes, precisa ser simplesmente regurgitado numa inspiração genial do > artista, que depois o lapida com todo o zelo do mundo. Mas esse processo > pertence ao artista que o cria. Como ele vai soltar seu filho no mundo, > também é decisão dele. Claro! é uma via de duas mãos. o público está na > outra ponta da balança, aprovando ou não, e sendo assim, não tem como > excluí-lo desse processo. > Já ouvi casos de artistas que gravaram propositadamente pouquíssimos e > caríssimos CDs. Com que objetivo: virar artigo de luxo, status... Babaquice? > Pode ser, mas é a estratégia de ação do cara, fazer o quê? Uma coisa é > certa, o público alvo dele vai comprar. No outro extremo, temos grupos como > o Olodum, por exemplo, que ja´ anunciaram que não vão mais vender CDs. net > na cabeça! > > Concordo com vc em gênero, número, grau e pensamento: > "Quem faz o produto é o cliente" > > No assunto "discos raros", não tem nem o que dizer né? Tá óbvio o benefício > da coisa. > > No assunto "lógica de mercado" é isso mesmo. > A roda gira e no fundo vc só escolhe se vai fazer ela girar ou se vai ficar > em baixo dela pra ser esmagado... Ditaduras de mercado, assim como qualquer > ditadura, são um atraso na humanidade, e com o tempo, são expontaneamente > extintas (mesmo que algumas teimem um pouquinho) > > Em relação ao trabalho (pagodão/choro). Negão! Sou um profissional. > Não tenho gosto musical. Pagou melhor eu toco. Qual é o advogado aqui da > lista que vai me criticar? E olha que eu não estou defendendo nenhum > criminoso culpado! O dia que eu puder negar trabalho, me dedicar > EXCLUSIVAMENTE a música que eu curto de verdade, e transformar ela no meu > ganha-pão, não tenha dúvidas que isso será feito. ´Não é esse o sonho de > todo profissional liberal? > Ter o consultório cheio e parar de dar plantão sábado a noite na véspera de > Natal? Viver dando palestras caríssimas que pagam suas contas por 6 meses? > Então? Agora é ingenuidade, pra não dizer preconceito mesmo, querer fazer > juízo de valor quanto ao profissional que toca o Créu da vez comparado ao > maestro da sinfônica do interior do estado. > Quem aqui, conhece um grupo de pagode baiano chamado Psirico? Pois bem, o > líder do Psirico, Márcio Victor, é um dos percussionistas mais respeitados > do Brasil. Um dos dois únicos baianos que tocou percussão com João Gilberto > (o outro é Brown). Márcio, já tocou com nomes como Caetano, Marisa Monte, > João Bosco, etc... É respeitado por caras como Naná Vasconcellos. Tem uma > das inteligências musicais mais avançadas que eu conheço, no que se refere a > percussão. Mesmo assim, ele tem bem nítido na cabeça dele, o que é música > comercial de massa (que ele faz com o Psirico), e a música que ele gosta de > tocar (que ele sabe que não vende como a outra). > Isso quer dizer, que ele vai largar a música "de qualidade" (se é que se > pode usar um termo tão pejorativo quanto esse em uma cultura miscigenada e > cheia de opiniões como a brasileira)? Não, não vai. O que não falta são > projetos de registro e catalogação de ritmos do candomblé. Apoio a projetos > sócio-culturais principalmente na formação de novos músicos capitaneadas por > Márcio Victor. > Fora a percussão que ele faz não-comercial (porque não comercial?), genial, > que volta e meia é contratada por um Caetano da vida. > Agora eu pergunto: > E se ele parar a banda de micareta? Param todas as engrenagens. > Isso pra não falar de Carlinhos Brown, que hoje em dia é referência em > formação de patrimônio cultural, com todos os seus negócios (Entre eles a > Associação Escola de Música Pracatum) que somam milhões. > > Mas como essa é uma esfera em um nível maior, não vou entrar nela. > > Em relação a afirmação de que, depois que o produto caiu na mão do > consumidor ele faz o que bem entende. Não vou entrar nisso. Não quero entrar > nisso. Não tenho muito saco pra isso. > Direitos Autorais é uma das áreas mais complexas do direito. > Que dirá nos dias de hoje, com a globalização. > Por um lado, o consumidor pagou, sendo assim o produto é seu e ele faz o > que quiser (até tacar fogo, se quiser). Por outro, tem o patrimônio > imaterial. > Que está além do objetozinho palpável. O cara na verdade, pagou o direito > de escutar no som dele. Pra divulgar pros outros não. > Não estou concordando com isso. Muito menos defendendo. > Mas todo mundo sabe que a lei é assim. O que tem que ser mudado é a lei. > E como ela reflete o pensamento coletivo de toda uma sociedade. > A sociedade tem que amadurecer essa idéia. > Debater. > Como nós estamos fazendo. > Agora, o ideal seria que as pessoas debatessem, sem puxar a brasa pra sua > sardinha. E sim analisando a situação como um todo. Em que existem vários > lados lesados e beneficiados, e que o que deve ser amadurecido e > desenvolvido, é um mecanismo que não prejudique ninguém. > ô equaçãozinha miserarver... > > P.S. Vamso deixar a propagando do blog de fora desse debate que é > melhor... > > > Enorme abraço, Paulo > > saúde e paz a todos da tribuna! > > Marcelo Neder > > > > > > > > > > > > Fala, Marcelo! > > Sei bem das questões e condições de gravação de álbuns, pois estou > envolvido agora em dois projetos, um autoral e outro como músico contratado. > > Reconheço que existe todo um organismo vivo atrás do finalizado, editado e > lançado CD. > > Mas engraçado que fui esses dias a uma organização de músicos, ligados a > uma grande rede e burocracias goveramentais, onde estava falando do apoio > que receberia para lançar um dos trabalhos - que é o meu autoral, que até > cheguei a comentar aqui já - e eles disseram, esqueça de ganhar grana com > venda de CD e gravadora e tal... pensa nesse processo como uma grande > divulgação do seu trabalho... > > Concordemos que divulgação por divulgação, todos podemos, fazer, Lógico que > uma gravadora atinge mercados precisos, existe a movimentação financeira de > encargos e afins, que é algo muito mais profissional que um blog, sem > desmerecer de forma alguma o blog. Mas se já não vou ganhar com a venda do > CD, quero mais que todo o divulguem, quero que todos tenham acesso a ele, > não só o cara que pode pagar R$ 15,00 a R$ 20,00 no CD, mas aquele que > passou na rua e viu no camelô uma capinha e tal, achou interessante e levou > o meu trabalho. Quero que um cara na Nova Zelândia escute o meu som, via > rede, via net, e me chame para fazer um som, na esquina da casa dele. Você > como músico sabe muito bem, que ganhamos por show. Pelo menos ainda estou > nesse patamar. > > Com o meu trabalho de compositor vou ganhar mais de outra forma. > > Nessa onda de o famoso é o prato cheio, não havendo uma política decente de > incentivo à arte por essas empresas, que só querem o selinho do governo para > ter benefícios fiscais e tal, e o artista menos conhecido ou novato ficando > no limbo, é que temos os grandes congelamentos no processo criacional, vide > matéria com o Chuck Berry, outra área musical, não sendo samba, dizendo que > não cria mais nada, pois sabe que só querem o Jonnhy B. Good, ou seja o cara > não cria nada desde sei lá, disse ele que desde 70 e pouco, não me lembro > agora. Se a indústria estivesse, de fato, interessada em não só ter lucro, > mas incentivar criação, incentivar o lado cultural, daí eu concordaria com > você 100% nos teus argumentos, Marcelo. > > Outra coisa, você não acha que é justíssimo a DIFUSÃO CULTURAL e os padrões > de ACESSIBILIDADE UNIVERSAL do patrimônio intelectal que ocorre na net? E é > aí que quem deve decidir é o público. Quero disponibilizar na rede algo que > é bom... para que todos o possam ter acesso. > > Existe também, o seguinte lance, o público às vezes está interessado na > concepção de álbum do artista, então faz uma economia e compra o CD na loja; > às vezes quer só o conteúdo sonoro, então baixa da net... Complicado é, > ainda hoje, NÃO entendermos que, em termos comerciais, "quem faz o produto é > o cliente". > > E outra, colecionadores de discos, que não acham aquele saudoso disco do > Jorginho do Império (o Peçanha), não consigam o disco, mas consigam o > registro sonoro virtual para compilar de repente em seu repertório musical, > par aum próximo trabalho, aumetando a procura pelo nome citado pelos > consumidores e forçando empresas a reeditarem material e mais material. Saca > o movimento comercial de hoje? Cliente manda, empresa faz... Já se foi em > algumas empresas, graças a Deus a realidade do Henry Ford (todos podem ter > um Ford da cor que quiser, contanto que seja preto) Chega de ditaduras, né. > > Com questão ao trabalho, via da escolha da pessoa, conheço muitas pessoas > que deixaram o "pagodão" que paga 5000 para montar uma resistÊncia cultural > do choro que paga 10... é complicado, né? Mas existme pessoas assim. > Guerreiras, mas não julgo mal a atitude de tocar o "pagodão" que paga 5000 > não! É mercado de trabalho, e quem faz isso TAMBÈM está corretíssimo. > > concorco 100% quanto a escolha do artista sobre como será sua atuação de > distribuição, mas volto a dizer, depois que o produto caiu na mão do > consumidor ele faz o que bem entende... entende esse ponto também? > > quanto as propagandas, banners, full baners dos sites, é o negócio que > comentamos desde o início do papo, MONEY MAKES MONEY (sou péssimo em inglês, > está certo isso?), ou seja, insumo gerando insumo... dinheiro gerando > dinheiro. Aí, podemos cair num outro papo, o modo como publicar isso na net! > > Mas acho que já é um outro papo! rs... > > Grande abraço, Marcelo. bom papo! > > saúde e paz a todos da tribuna! > Paulo Serau > > > > > > > > > > Notícias direto do New York Times, gols do Lance, videocassetadas e muitos > outros vídeos no MSN Videos! Confira já! > > > Abra sua conta no Yahoo! 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