Em sex, 06 jul 2001, Lisias Toledo escreveu:
> 
> Hummm... Se minha esposa ler esta frase, creio que terei problemas... >8-)

Chego � conclus�o de que s�o as mulheres que impulsionam o progresso. Caso
contr�rio, estar�amos todos surfando na praia neste momento.  
 
> � um fen�meno mais social que t�cnico. 

S�o os fen�menos sociais que transformam o mundo n�o �?

A Internet ficou no limbo por 20 anos at� que deixasse de ser puramente t�cnica
para ser o fen�mento social mais importante do final do s�culo.

O que voc� acha que mais trouxe impacto, a parte t�cnica ou social da Internet?

> O Linux empolgou a plat�ia, o resto ainda n�o...

Quem � o resto?
  
> O meu projeto esvaziou-se de repente justamente por causa disso - quando meu
> filho nasceu, com os problemas inerentes � situa��o, minha dedica��o caiu �
> menos de 10%... Al�m dos problemas que j� mencionei, quando eu voltei �
> participar a bagun�a era generalizada, com uma fogueira de vaidades comendo
> solta. ** Ningu�m fez nada !! **.
> 
> O L�der � pe�a fundamental (mas n�o insubstitu�vel) do processo de
> desenvolvimento do projeto.

Lideran�a.

Linus � um l�der natural e por isso arrebanhou v�rios colaboradores.

Ele n�o � propriamente carism�tico. Costuma ser direto e sem rodeios em suas
assertivas e n�o gosta muito de dar entrevistas e participar de badala��es.

A lideran�a tem por objetivo mostrar �s pessoas que elas podem conseguir o que
*ELAS* querem seguindo por esse ou aquele caminho que voc�, l�der, descobriu
e que fa�a sentido para elas.

Seu projeto naufragou por falta de lideran�a. Voc� n�o conseguiu mostrar a seus
colaboradores como eles poderiam atingir o objetivo que ELES queriam.

Mas lideran�a � algo que pode ser desenvolvido e os erros do seu projeto podem
ser usados para uma nova tentativa, desta vez com sucesso.

Carisma voc� tem de deixar para o Xit�ozinho e o Xoror�.

> Vc est� olhando a situa��o muito de perto. Vc n�o est� conseguindo focar a
> situa��o de longe, como um todo. Todas as vers�es do kernel que vc mencionou
> n�o s�o "branches" do projeto original, apenas seu hist�rico. S�o vers�es
> anteriores, foram desenvolvidas uma � uma, em seq��ncia. _Este_ exemplo n�o
> procede.
> 
> Quanto ao Gnome e KDE, eles apenas amplificam o conceito que mencionei - ao
> inv�s do mantenedor ser uma pessoa, � uma empresa. L�gico, uma empresa possui
> poder de fogo muito grande para tentar conduzir o projeto da maneira que
> deseja, mas n�o � f�cil.

Eu estou encarando da seguinte maneira:

O GNU/Linux � feito de um monte de pe�as intercambi�veis cujas especifica��es
est�o amplamente publicadas.

Voc� mesmo afirmou que o GNU come�ou pelo telhado e que rodava sobre v�rios
kernels. Veja um "quote" da sua linda frase:

"AIX, SCO, NeXT, Solaris, BSD, At&T, todos eles foram usados como "kernel"
do  GNU. � o t�pico caso da casa que come�ou a ser constru�da pelo telhado - mas
desta vez funcionou!!! 8-)"

Ent�o qual � o problema de eu aparecer amanh� de manh� �s 8:00 (hora de
Bras�lia) com um kernel totalmente novo com uma tecnologia mais avan�ada?

> E n�o foi f�cil pros caras, ao contr�rio do que aparenta, o Mozilla recebeu
> muito pouca colabo��o externa (quando comparamos com o Linux, por exemplo).
> Durante o ano de '98 ou '99, andou rolando coment�rios de que eles desisitiram
> por falta de colaboradores... Eles quase n�o conseguiram...

Todo projeto novo come�a assim. Parece uma maluquice que s� uns poucos
vision�rios conseguem ver nexo.

Depois toma forma e come�am a aparecer colaboradores.
 
> Outro exemplo interessante a ser estudado � a Eazel. Eles s�o o exemplo padr�o
> de como as coisas podem ser dif�ceis. E dar errado...

O que deu errado foi a empresa n�o o programa. E este � um ponto forte do
software livre. O programa sobrevive � empresa.

No modelo antigo, as empresas sucumbiam e l� ia o programa junto. Hoje n�o �
assim, para benef�cio de todos n�s.

> Muito mais importante do que analisar os sucessos, � se debru�ar sobre os
> fracassos e aprender quais foram os eventos chaves que levaram � ecatombe, e
> no futuro tentar preveni-los.

O insucesso das empresas que tentam ganhar dinheiro com software livre
comprovam uma coisa: Linux n�o � um produto, � uma tecnologia.

A ind�stria de software nos fez crer que software � um produto como arroz e
feij�o vendido no mercado.

Para isso, eles criaram lojas de inform�tica com g�ndolas parecidas com as de
supermercados em que uma c�pia do programa se encontra numa caixa parecida com
caixa de sab�o ou sucrilhos.

O que voc� adquire � uma licen�a de uso. Um aluguel, um leasing. E ainda lhe �
banido o direito de ter acesso � tecnologia. A �nica coisa que fica sendo seu
mesmo � a caixa de papel�o.

Para uma empresa ganhar dinheiro � necess�rio que ela crie valor para seus
consumidores. Esse valor pode ser real ou artificial (no caso da restri��o ao
acesso � tecnologia).

Como o Linux n�o permite criar valores artificiais sobre ele (voc� n�o pode
esconder os fontes nem impedir que se fa�am modifica��es e distribui��es), para
ganhar dinheiro com Linux � necess�rio criar valores reais.

As distros fazem isso da seguinte maneira:

1) Empacotando num lugar s� os programas espalhados pela Internet.
2) Oferecendo documenta��o
3) Oferecendo suporte
4) Participando de projetos nos clientes
5) Desenvolvendo novas tecnologias e programas
6) Oferecendo cursos
7) Oferecendo facilidades para atualiza��o dos produtos
8) Integrando aplica��es

E por a� vai.

> Vivemos tempos novos na comunidade GNU. Pela primeira vez, existem mais leigos
> palpitando que t�cnicos gabaritados... 8-)

Eu acho que voc� quis dizer pessoas entendidas de outras �reas n�o �?

O mundo n�o � feito de programadores.

O que h� � que o trabalho dos programadores chamou a aten��o de especialistas
de outros campos da ci�ncia e tecnologia: soci�logos, economistas, juristas,
administradores, etc.

> Empresas n�o vivem de esperan�a... Vivem de lucros...

Mas fazem apostas. 

E o Hurd, ainda que n�o seja uma realidade, pode vir a ser escolhido um dia.

H� in�meros casos de tecnologias desenvolvidas para as quais um dia algu�m
acha uma aplica��o e ela se torna um "hit".

> Mas no modelo catedral, a for�a de trabalho n�o est� fortemente vinculada �
> c�tedra em si, mas no projeto que ela representa. Desta forma, o trabalho de
> motivar e cativar a for�a de trabalho torna-se simplesmente priorit�rio - uma
> decis�o muito impopular e a for�a de trabalho se esvai. Vc precisa ler sobre o
> projeto xEmacs... 8-)
> 
> As empresas est�o acostumadas no modelo servil de for�a de trabalho : "Quer
> sal�rio? Ent�o faz o que eu mando, ou n�o te pago."
> 
> Vai ser muito, mas muito dif�cil mesmo, conciliar todo mundo.


Por isso � que eu acho que o GNU/Linux/GPL veio trazer equil�brio a este
modelo. Antes dele, s� se programava porque o chefe mandou.

Hoje voc� pode ser um programador independente e fazer seu trabalho chegar �s
massas.

H� quem concilie as duas coisas como o pr�prio Linus, que bate cart�o na
Transmeta e contribui com software livre.

Eu acho que o modelo hier�rquico tem certas aplica��es e o an�rquico outras.

Se voc� olhar bem para a sociedade, ela � uma mistura das duas coisas.

(Agora sou soci�logo, vixe!!)
  
> A FSF n�o consegue emplacar o HURD. Seus carros chefes s�o softwares
> desenvolvidos � 10 anos. Ela n�o � pouca m&erd@, mas ela tbm n�o consegue mais
> direcionar sozinha os rumos do movimento.

Mas por que a FSF tem de ser A l�der? Por que ela n�o pode pode simplesmente
ser um player no processo?

Acho que o movimento de software livre cresceu muito al�m do alcance da FSF.

Bom para ela, conseguiu seu objetivo de produzir uma alternativa de
desenvolvimento de tecnologia ao "establishment". E ainda de quebra f�-lo
extravasar suas fronteiras.

> Da mesma forma que n�o conseguimos gerenciar a cria��o de um Desktop de forma
> coordenada, n�o conseguiremos fazer com o kernel.

Dentro de seus universos, o KDE e o Gnome s�o uma cria��o altamente coordenada.
Basta ver o KDE ou Gnome funcionando na sua m�quina.

Eu acho pouco s� duas alternativas. Eu acho que deveria haver MAIS desktops.
Muito mais.

Se eu posso escolher carro do modelo, cor, pot�ncia, pre�o que quero, porque n�o
posso escolher meu desktop?

E se conseguimos DOIS esfor�os coordenados para produzir um desktop, seremos
ainda mais capazes de produzir UM esfor�o coordenado para outro kernel.
 
> Note que isto n�o chega a ser necess�riamente ruim. Ter o Gnome e o KDE
> disputando espa�o n�o � ruim. Eu acho um pouco contra-producente estes dois
> projetos andarem t�o de costas um pro outro, mas mesmo assim n�o � ruim -
> est�o testando paradigmas diferentes, e o mais adequado tende a se sobressair.
> 
> Mas � diferente. A ind�stria n�o est� acostumada a trabalhar desta forma, e de
> um jeito ou de outro, as economias dos pa�ses est�o solidamente assentadas na
> ind�stria.

A ind�stria S� trabalha assim. Veja o caso emblem�tico do BetaMax x VHS, ou do
padr�o TDMA e CDMA da telefonia celular.

Ou dos padr�es NTSC, Secam e PAL.

Ou do morimbundo sistema de medidas imperiais (polegada, libras, p�, gal�o,) 
versus o sistema m�trico.
 
> A verdadeira batalha come�a agora.

Ta� faz tempo.

-- 
Edgard Lemos 
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Usu�rio Linux n� 135479


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