Edgard Lemos wrote:
[ Resumo : Parte I de outro email ]
> > Creio que n�o (ao menos, n�o foi mencionado nas reportagens que li sobre
> > isto), logo ou se abre um branch deste projeto ou nada feito. Mas o esfor�o
> > para se criar um branch no projeto do kernel � t�o herc�leo (como o foi o
> > desenvolvimento do kernel original), que provavelmente uma tentativa neste
> > sentido seria contra-producente, ou seja, se gastaria recursos diversos e se
> > terminaria pior do que se come�ou...
>
> Quanto custou fazer o kernel atual? US$100M? Se eu enxergar que vou ganhar 1BU$
> ampliando o Linux para novos mercados com um novo kernel de US$100M, f�-lo-ei
> sem pestanejar. Investidor com dinheiro � o que n�o falta.
Mas nenhum investidor sozinho quer bancar a jogada. Da�, que estes
investidores v�o ter que conversar. Uns v�o achar que merecem mais que outros.
Alguns v�o achar que est�o correndo mais riscos que seus colegas. E as coisas,
como sempre acontece, nunca andam como deveriam.
E n�o existem prazos, a m�o de obra n�o pode ser coagida a trabalhar mais
r�pido, e os investidores acham mais cedo ou mais tarde que o retorno n�o �
garantido, e que eles ganhariam mais com menos riscos aplicando a grana em
outro lugar.
Ningu�m joga tanta grana num projeto sem uma ger�ncia ferrenha nos gastos e
nos prazos...
[...]
> > Pois �. Hoje, n�o temos. E � pouco prov�vel que tenhamos num futuro pr�ximo,
> > pelos motivos que expliquei acima : mesmo que a necessidade seja identificada,
> > levar� anos at� se cooptar recursos (humanos e finaceitos) suficientes para
> > levar o projeto adiante, a menos que empresas de peso resolvam investir pesado
> > (e pesado mesmo!!!) no processo...
>
> Talvez nem tanto, uma vez que j� h� v�rias iniciativas come�adas. E a
> comunidade tem mostrado que � capaz de desenvolvimentos r�pidos.
B�o... Este papo j� virou especula��o. Vamos esperar e ficar observando (e
quem saber fazer umas apostas??? 8-)
> Veja o caso do KDE.
o KDE � um caso delicado. Apesar de Open Source, ele � fortemente amarrado
numa base n�o GPL, o que o torna fr�gil. Falei disto em outra msg.
> > Mas tendo em vista que as empresas tbm precisam de lucro imediato (ou n�o
> > poder�o
> > pagar as contas de amanh�) e n�o s� de longo prazo, poucas ser�o as empresas
> > que poder�o financiar o processo.
>
> Normalmente as empresas com vis�o de longo prazo, planejam seu caixa para
> reservar uma parte do faturamento para desenvolvimentos longos, o resto vai
> para pagar as contas e os impostos.
Mas n�o � o caso das empresas da chamada "nova economia". A NASDAQ t�
acordando s� este ano, vai levar algum tempo pra cicatrizar as feridas e estes
cretinos amofadinhas de Silicon Valley aprenderem que economia � economia,
computador � s� ferramenta, e ningu�m p�e o carro na frente dos bois.
> > Quanto �s empresas que decidissem por
> > alavancar o projeto, uma vez que o processo esteja vingado, seus concorrentes
> > se beneficiariam do projeto, muito embora somente as primeiras tenham tido que
> > pagar as contas, o que � contra-producente!!!!
>
> Mas n�o � o que est� acontecendo.
[...]
> Esse � um lado positivo que est� se materializando no Open Source Development
> Lab (OSDL), que � uma associa��o da IBM, Fujitsu, Dell, distros a go-go, etc.
>
> Se por um lado, o concorrente pode se beneficiar do desenvolvimento da outra
> empresa, ele n�o poder� criar imcompatibilidades para deix�-la fora do mercado.
� o princ�pio GPL. Mas este movimento est� ocorrendo em grande parte gra�as �
pr�pria Microsoft. Embora pare�a rid�culo, ningu�m colaborou mais com o
movimento Free Software que a pr�pria Microsoft.
Mas sou um pouco c�nico neste ponto. Se a Micosoft realmente for obrigada a se
adequar �s leis que regem o resto da humaninade, o perigo real e imediato vai
cessar, e vai abrir espa�o para a volta das pequenas rixas tribais que
existiam antes do efeito Microsoft.
� interessante lembrar que algumas das empresas que est�o aderindo ao
movimento Open Source (nem todas est�o indo pro GPL) s�o as mesmas que
inspiraram RMS a fundar a FSF para combat�-las, logo...
> > N�o estamos falando de um software de constru��o barata ou de uso restrito.
> > Estamos falando de um kernel que provavelmente custou o equivalente a bilh�es
> > de d�lares em esfor�o hora/homem. N�o � porque o esfor�o de trabalho
> > (programa��o, depura��o, documenta��o, divulga��o, revis�o, etc) foi dado de
> > gra�a para o projeto que ele n�o valha nada!!
>
> Pelo contr�rio. Vale muito mais que o esfor�o pessoa-hora. O valor criado pelo
> Linux � muito maior que isso.
Concordo. Mas a ind�stria n�o d� a m�nima para movimentos sociais. Tudo o que
interessa � o balan�o fechar no fim do ano. Se o governo � democrata,
socialista, ditatorial ou monarquista, a verdade � que n�o faz diferen�a.
Enquanto falarmos no Linux como movimento social, estaremos tendo problemas
com a ind�stria cl�ssica. Mas se deixarmos de falar no Linux como movimento
social, perderemos nossa for�a de trabalho, que n�o est� trabalhando de gra�a
: eles t�m um objetivo, e ele n�o � enriquecer os magnatas da ind�stria.
> Mas se houver necessidade de algo melhor, n�o vejo isso como uma
> impossibilidade, como colocou o Thiago Pimentel.
Nem eu. No momento, prefiro a palavra improv�vel. Mas minhas opini�es est�o em
constante revis�o.
> As coisas nunca foram t�o poss�veis quanto agora com o advento do GNU/Linux/GPL.
E nunca foram t�o dif�ceis. Mas como eu disse antes, quem quiser viver no
Para�so que passe desta para melhor. Por aqui, temos que ralar mesmo. 8-P
> > > Ent�o temos tempo de sobra para produzir algo paralelo que seja mais moderno.
> >
> > Tempo n�s temos, sem d�vida... Mas ser� que existe interesse o suficiente?
>
> S� o tempo (que temos de sobra) dir�.........
Estou vendendo tempo baratinho. As contas de fim do m�s n�o fecharam.
Interessados? ;-)
[...]
> > Como evitar que um projeto canibalize o outro?
>
> Eu n�o vejo as coisas desse ponto de vista da canibaliza��o.
>
> Surgiu r�dio, surgiu a televis�o e depois a Internet. Nem por causa disso
> deixou-se de produzir material impresso.
VHS e Betacam. PAL/M, NTSC e SECAM (este �ltimo � usado na R�ssia, at� mesmo o
sentido da varredura � diferente - para evitar que se capte sinais de TV
estrangeiros)... Existem in�meros casos de padr�es que canibalizaram o outro
e, pior, causaram um preju�zo enorme aos que adotaram o padr�o perdedor. O
pessoal da R�ssia pena at� hoje - n�o d� pra continuar com o SECAM, mas n�o d�
pra trocar o padr�o por causa da in�rcia do mercado.
Free Software visa justamente combater o desperd�cio, n�o ger�-lo.
Como fen�meno social, o FS � dif�cil de controlar. E se � dif�cil de
controlar, � dif�cil de quantificar possibilidades de lucro... Acho que � por
isso que a ader�ncia da ind�stria ao Open Source � maior que ao do Free
Software - controle.
> > Mas j� vou alertando, o UNICODE n�o d� suporte para caracteres do antigo
> > alfabeto eg�pcio, logo creio que vc n�o possa usar a l�ngua dos antigos
> > fara�s... ;-)
>
> Ah�, peguei voc�!!! Os eg�pcios n�o usavam alfabeto. Eles usavam ideogramas.
Opps... 8-P
> > > Quem mais faz pelo Linux � o pr�prio Linux. A IBM pode quebrar, a Apple
> > > apodrecer, o Linux vai continuar "per omnia seculum seculorum", porque seu
> > > c�digo � aberto e livre.
>
> > Isto sem d�vida � excelente para n�s, mas creio que n�o seja pr�priamente um
> > incentivo para o investidor tradicional... N�o sendo um incentivo para o
> > investidor, ser� dif�cil que seja para a empresa tradicional. N�o sendo
> > incentivo para a iniciativa privada, n�o ser� feito pode ela.
>
> Hmm. Acontece que n�o � assim que se deve enxergar o software livre.
Mas � como as empresas querem enxergar, e est� a� o fruto da disc�rdia...
> Pegue o exemplo do TCP/IP. Se voc� abrir uma empresa que desenvolve TCP/IP
> ningu�m vai investir em voc�. Mas pergunto, h� empresas que investem nele?
>
> Claro que h�! A MS foi uma delas quando percebeu que seus produtos n�o falassem
> a su�te TCP/IP estaria fora do mercado.
Por outro lado, vamos ao padr�o Java. A Microsoft "envenenou" sua JVM de forma
a sabotar o desenvolvimento de aplica��es Java que n�o rodassem em produtos
Microsoft, um ataque direto mas dissimulado ao cora��o das estrat�gias de
neg�cios da SUN. E o pior � que a Lei americana permite, por uma fir�la legal.
Estamos assumindo que todos v�o colaborar de boa f�. Ningu�m est� levando em
considera��o que uma empresa pode "investir" no produto destruindo-o aos
poucos, para mais tarde herdar a demanda criada.
Foi o que a Microsoft fez com o .NET. Esta � uma das fraquezas do modelo
Catedral que o modelo Bazar minimiza. Existe um equil�brio gerado pelos dois
modelos. A dificuldade est� em evitar que a ind�stria cl�ssica entre na jogada
sem quebrar o equil�brio.
[...]
> Assim � o Linux. Ele n�o � um produto. � uma tecnologia.
Acho que entendi a sem�ntica, mas discordo da sintaxe : O Linux � um produto,
sim. A tecnologia que o desenvolveu � o chamado modelo bazar, e vc corrige
adicionando o modelo catedral.
Se � que eu entendi o que vc quer dizer...
[...]
> Como disse, n�o acredito em canibaliza��o e n�o ser� necess�rio esse tal
> esfor�o herc�leo.
B�o, eu acredito no contr�rio. Mas como est� claro, s�o nossas cren�as : vamos
observar os fatos para depois tirar conclus�es...
> Note tamb�m que a comunidade � feita de usu�rios. Se eles clamarem por
> algo novo, poder�o querer contribuir (com dinheiro talvez) para que se possa
> atingir o desenvolvimento desejado.
Sem d�vida. Mas esfor�o descoordenado � t�o ruim (ou pior) que falta de
esfor�o. At� pouco tempo atr�s, a for�a contribuinte do movimento era mais
tarimbada no assunto. Eram um bando de geeks que conheciam a fundo o problema,
e que sabiam com certa anteced�ncia a viabiliade ou n�o das id�ias.
Com o aumento desordenado da for�a contribuinte (j� que a ger�ncia desta for�a
� problem�tica - em minha opini�o imposs�vel), aumenta-se muito o n�vel de
ruido.
Um exemplo pr�tico disto � a inclus�o pelas distros de material n�o GPL ou,
pior, de c�digo fechado ou propriet�rio... Isto enfraquece o movimento, e
enfraquece muito : d� muni��o � Microsoft para minar nossas bases (e o
primeiro hound � o Shared Source).
Mas isto � feito justamente pela demanda dos usu�rios, que a bem da verdade ou
n�o entendem o modelo (e as diversas licensas Open Source existentes) ou n�o
se importam.
Quantas distros de GNU/Linux existem? Centenas, talvez. Quantas delas est�o
comprometidas 100% com GPL? S� a Debian. Por qu�? Por causa da press�o dos
usu�rios. Mas isto enfraquece o moviemento que permitiu que tudo isto
acontecesse - logo, concluo que nem toda contribui��o � construtiva...
--
[]s,
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Quote of week: The day Micro$oft makes something that doesn't suck is the day
they start selling vacuum cleaners.
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