----------------------------------------------- Lista: dtoambiental (Fique atento: dicas no rodape!) Mensagem enviada por: "Ana Paula Fernandes Nogueira da Cruz" <[EMAIL PROTECTED]> ---------------------------------------------- Caro Guilherme, Como sempre nesses debates as pessoas acabam por exagerar ao defender as suas posi��es, sendo necess�ria uma posterior retifica��o, de modo a n�o prejudicar o entendimento. O que pretendo dizer ao afirmar o MP como um baluarte da defesa dos interesses sociais � uma distor��o q se tem verificado em nossa sociedade e q � talvez fruto de um erro cultural. N�o quero nem posso negar a import�ncia da atua��o das organiza��es n�o governamentais - pelo contr�rio, entendo que estas deveriam assumir cada vez mais este papel porque ao que se verifica na pr�tica tem muito mais condi��es de litigar na defesa desses interesses, mormente qdo se trata dos individuais homog�neos - pelo simples fato de guardarem maior conex�o e intimidade com os fatos e os interessados diretos ou indiretos. O MP, muitas vezes, por ser �rg�o da Administra��o, tem q atender a regras burocr�ticas q entravam esse processo. O q afirmo � que, infelizmente, os exemplos dados s�o minorit�rios e, no tocante � defesa judicial, na maioria esmagadora dos casos, � o MP q acaba por ajuizar as a��es. Fiz essa digress�o para enfocar o objeto de debate com clareza: concordo inteiramente com o aspecto levantado - solu��es simplistas n�o atendem ao interesse p�blico. N�o se pode onerar a sociedade mais ainda com essas condena��es. Pelo mesmo motivo ainda hj � pauta de acalorado debate a utilidade da responsabiliza��o pecuni�ria do Estado em rela��o aos danos a interesses meta-individuais, revelando-se muito mais eficaz na pr�tica as a��es por improbidade administrativa contra o agente p�blico respons�vel. Condenar o Estado a ressarcir a Sociedade, em q pese as pertinentes distin��es de orienta��o gramisciana, me parece um contra-senso. Parece-me tratar-se do mesmo caso da condena��o em honor�rios do MP - tirar do Estado, q � sustentado pela Sociedade, para dar ao mesmo Estado, com a agravante que tal dinheiro n�o reverte diretamente para a Sociedade, indo para um Fundo que at� hj n�o tem passado disso, eis q n�o se v� a utiliza��o desse dinheiro na reconstitui��o dos interesses lesados. Por outro lado a responsabiliza��o do membro do MP diretamente tb me parece temer�ria - a longo prazo ter�amos um sens�vel decr�scimo na sua atua��o - por raz�es �bvias e com o conseq�ente comprometimento da independ�ncia funcional prevista constitucionalmente. Ainda nesta linha, creio ser poss�vel, a longo prazo, a coibi��o de lides temer�rias. Mas isso passa por uma mudan�a na cultura da popula��o - deve a Sociedade controlar mais de perto, seja atrav�s de informa��es sobre a atua��o destes �rg�os, seja atrav�s do acesso direto a eles e ao seu trabalho, estabelecendo um controle externo verdadeiramente popular. E nesse passo creio fundamental o papel das ONG's - devem elas cobrar dos �rg�os estatais, como o MP, atua��es respons�veis. Mas devem tb assumir o seu papel como co-atores desse processo. Abra�os a todos. Ana Paula F. N. da Cruz -----Mensagem original----- De: Guilherme Jos� Purvin de Figueiredo <[EMAIL PROTECTED]> Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]> Data: Domingo, 25 de Julho de 1999 09:36 Assunto: Re: RES: [DTOAMBIENTAL] STJ, MP e ACP >----------------------------------------------- >Lista: dtoambiental (Fique atento: dicas no rodape!) >Mensagem enviada por: Guilherme =?iso-8859-1?Q?Jos=E9?= Purvin de Figueiredo <[EMAIL PROTECTED]> >---------------------------------------------- > > >Colegas, >O tema em debate ultrapassou os limites da not�cia da condena��o em >honor�rios advocat�cios para alcan�ar o pr�prio papel do Minist�rio >P�blico. N�o creio que a sociedade civil jamais tenha ocupado seu lugar >devido, nem muito menos que o MP seja o �nico baluarte da defesa dos >interesses sociais relevantes. >Existem centenas de ONGs - ou seja, sociedade civil organizada - que >ocupam, sim, seu lugar devido e mais, que t�m defendido interesses sociais >relevantes, quer em ju�zo quer fora dele. Exemplos na �rea de interesses >difusos e coletivos: Funda��o SOS Mata Atl�ntica, Instituto S�cio >Ambiental, Instituto Brasileiro de Advocacia P�blica - IBAP, Instituto O >Direito Por Um Planeta Verde, Sociedade Brasileira de Defesa do Meio >Ambiente - SOBRADIMA, Associa��o Brasileira de Advogados Ambientalistas, >Uni�o de Mulheres de S�o Paulo, BRASILCON etc etc. >O MP �, sim, um �rg�o governamental de import�ncia crucial para a defesa >das institui��es democr�ticas - e no dia-a-dia daqueles que acompanham a >jurisprud�ncia ambiental os exemplos dessa import�ncia se sucedem - mas da� >a erigi-lo � condi��o de "�nico baluarte" vai uma enorme dist�ncia. >O inqu�rito civil � um instrumento important�ssimo e sempre defendi que >fosse tamb�m estendido �s Procuradorias Gerais dos Estados que, como o MP, >s�o �rg�os governamentais de id�ntica import�ncia para a democracia e para >a justi�a. >Finalmente, n�o posso deixar de manifestar meu desagrado com solu��es >simplistas do tipo "simples, condena-se a fazenda p�blica". Penso que, no >momento em que todos n�s pagamos nossos ir, icms, iss, iptu, ipva, >idealizamos a constru��o de escolas, creches, hospitais, melhores sal�rios >para professores, melhor administra��o das unidades de conserva��o, e n�o >simples forma��o de fundo monet�rio para indeniza��es milion�rias em ju�zo. >Abra�os >Guilherme Jos� Purvin de Figueiredo > > > > > > >------------------------------------------ >Dicas: >1. Duvidas e instrucoes diversas, procure por Listas em: >http://www.pegasus.com.br >2. Pegasus Virtual Office >http://www.pvo.pegasus.com.br > ------------------------------------------ Dicas: 1. Duvidas e instrucoes diversas, procure por Listas em: http://www.pegasus.com.br 2. Pegasus Virtual Office http://www.pvo.pegasus.com.br
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Ana Paula Fernandes Nogueira da Cruz Sun, 25 Jul 1999 06:20:16 -0700
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