> (...)afinal o que queremos representar no mapa? O país como ele é ou como 
> deveria ser?

Essencialmente o que se busca é o descrito no conceito de continuidade
[1], respeitando a função que determinada via exerce. Daí vem o
"salada de frutas" que eu citei, que aliás nem fui eu que o criei; o
termo já vem sendo usado em alguns momentos nos grupos do telegram, e
pensei que você já tivesse ouvido falar também.

Concordo com o "the truth is on the ground", embora tenhamos um ponto
de vista diferente dele. Existem tags diversas para mapear a verdade a
campo segundo cada uma das limitações físicas citadas no esquema
br2013, como superfície (surface), velocidade (speed), faixas (lanes),
acostamento (shoulder), canteiro central (mapear cada um dos lados com
uma geometria highway diferente). Se voltarmos a origem da definição
de trunk [2], pela definição não há restrição quanto as suas
características físicas e sim sobre sua importância, ou seja, a função
que ela tem. Logo, a verdade a campo para a tag highway é definir a
importância/função dela, justamente o que está sendo proposto e
balizado aqui. E vejam só, o próprio esquema br2013 recorre a
conceitos funcionais em alguns momentos, por exemplo, quando usa os
termos arterial e preferencial.

Pelo esquema br2013:

motorway - Canteiro central, acostamento e sem obstruções (semáforos
ou intersecções)
trunk - Multifaixas sem canteiro central?
primary - Em zona urbana, via pavimentada arterial com velocidade
menor que 80 km/h. Em zona urbana ou rural, via pavimentada com só 1
faixa por sentido, velocidade maior que 80 km/h, e COM acostamento.
secondary - Em área urbana, mesmas características das tertiary, porém
preferencial sobre ela (promovida por preferência). Em zona urbana ou
rural, via pavimentada com só 1 faixa por sentido e SEM acostamento.
tertiary - Em áreas rurais, via de solo compactado. Em áreas urbanas,
preferencial sobre vias residential e unclassified e com velocidade
média de 40 km/h.
unclassified - Em áreas rurais, via de solo não-compactado. Em áreas
urbanas, vias não-residenciais.
residential - Somente para vias urbanas residenciais.

Algumas comparações do esquema br2013 com a nova proposta:

* Preservam o mesmo conceito: motorway, residential e unclassified em
zona urbana.
* Na zona rural: A título de exemplo de incoerência, pelo esquema
br2013 são tertiary as vias compactadas, mesmo se leve a 1 propriedade
só, por outro lado, são unclassified as vias não-compactadas que levam
a uma vila de operários, onde muitas vezes teria um fluxo maior de
veículos e pedestres. Já o novo esquema tende equalizar essas
disparidades, até porque se for analisar o próprio governo de um
município tende a dar maior manutenção para as estradas que interligam
sedes de distritos do que as demais.
* Na zona urbana, para as vias que não são rodovias que cruzam a
cidade, a nova proposta pouco difere na prática. Apenas retira as
limitações físicas fazendo com que se preserve a continuidade
harmônica delas.
* Parece-me que as maiores diferenças entre as duas propostas está na
trinca trunk-primary-secondary, principalmente fora de perímetros
urbanos. E onde, a discussão maior vai se dar.

Vejo o esquema br2013, como ótimo para aquele momento onde estavamos
"desbravando" novas áreas do mapa, desenhando geometrias sem saber, ou
sem querer saber, da sua importância, olhando só para ela sem entender
a sua função no conjunto de vias ao seu redor.

Exemplos de incoernências no esquema br2013:

* Ainda sobre o conceito de continuidade, não faz sentido, exceto se
for um lugar ilhado da malha viária do país, que uma cidade tenha
porte para ter primary no seu sistema viário, e a estrada principal
que leve até ela seja secondary por causa de uma de suas limitações
físicas (não ter acostamento).
* Ser tertiary na zona rural só porque é compactada. Já vi estrada
compactada acabar dentro de lavoura no pampa gaúcho.
* Inúmeros exemplos de falhas no princípio de continuidade[3] ou só
porque algumas vias tem características físicas melhores que aquelas
que a circundam [3].

> Vamos fazer um pequeno exercício. Hoje, se eu olho o mapa e vejo uma
> rodovia tipo trunk o que eu posso pensar? Pela proposta de 2013, eu deduzo
> que se trata de uma rodovia de maior porte, melhor que uma primary. Esta é
> uma informação útil, fácilmente acessível por qualquer usuário leigo do OSM.

Isto irá naturalmente se preservar a nível local e regional, segundo a
nova proposta. Digo isso porque nesse seu exemplo a rota ideal entre
dois locais naturalmente se dará pela via de maior porte, a qual
provavelmente teria preferência na escolha. Já a nível nacional, por
que não harmonizar a rede viária do mapa? Seria o mesmo que determinar
que só teriam direito ao uso de nível trunk os países de primeiro
mundo, os quais tem maior condição financeira de construir estradas de
melhor qualidade.


[1] - 
https://wiki.openstreetmap.org/wiki/Brazil/Classifica%C3%A7%C3%A3o_das_rodovias_do_Brasil
[2] - https://wiki.openstreetmap.org/wiki/Tag:highway%3Dtrunk
[3] - https://www.openstreetmap.org/#map=14/-23.6820/-54.5692
[4] - https://www.openstreetmap.org/way/366528839#map=16/-23.7010/-54.5615


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Eu particularmente gostei do conceito citado pelo Trebien para as
áreas urbanas, e aqui já respondendo ao A Oliveira. Em áreas urbanas,
um bom motivo para diferenciar secondary de tertiary é que a primeira
tende a ser rota entre bairros não-vizinhos (não-adjacentes). Para as
áreas urbanas o indicado é se basear no Plano Diretor, embora ainda
não esteja documentado, creio que haja certo consenso daqueles que
fazem revisão da classificação de uma cidade. Usar ele para ter uma
base, e corrigir com o conhecimento que tu tiver a campo da realidade,
o "the truth is on the ground", citado pelo G Weber, que aqui eu o
interpretaria como a verdade funcional da via.

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> Tive uma experiência desagradável ano passado no Chile (...)

Pelo seu relato de experiência dá a entender que você usa o mapa para
ir sem destino, em outras palavras almeja um mapa onde você possa
pegar o veiculo, e possivelmente por esporte dirigir sem rumo pelas
melhores estradas. No caso do chile das duas uma, ou a via pode ter
sido mal mapeada como você bem disse, ou provavelmente ela seja
secundária justamente porque é a melhor rota, havendo outras piores na
região.

> (...) Por isto eu me nego a promover artificialmente uma via. (...)

Pela proposta não serão promovidas artificialmente, e sim em conversa
com comunidades e mapeadores locais ao traçar as rotas ideais

> Na falta de informação melhor, eu estou usando a estrutura física como 
> substituto de importância (... .)

Opa, vejo aqui algo que enfim parece que concordamos, que o essencial
é a importância e há sim o problema da salada de frutas, rsrs. A
intenção da proposta não é criar, e não criará, trunk por estradas de
chão em regiões ou estados com vias asfaltas, está longe disso (tome
como base o que já foi acordado e implantado no RS). E penso que ao
ver a proposta em forma de mapa, você não vai achar tão ruim assim a
ideia quanto tu transparece imaginar.

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